6.10.05

Politicamente correcto



Politicamente Incorrecto


Os grandes lideres são aqueles que fizeram menos cedências. Apostaram num radicalismo corajoso que os impõe no poder e lhes permite grandes liberdades.

Liberdades para fazer o que querem, como querem. Para fazerem coisas impressionantes que deixam marcas registadas (tendo como contraponto sacrifícios imensos de muitos outros). Liberdade, sobretudo, para procurar manter e expandir o seu o seu poder o máximo possível.

O maior compromisso são as suas convicções, que são também a sua ambição. A sua auto-realização é a sua maior obra. São eles mesmos.

Por isto quase todos os homens têm este sonho, mesmo que na maioria não seja assumido. Um ímpeto latente de descambar num qualquer extremismo que os coloque no topo. Admirado e respeitado (temido) pelos homens. Desejado pelas mulheres…coisa típica dos egos! Mas raramente há coragem para tanto. Os mesmos homens que sonham destacar-se estão absolutamente presos na mediania.

E é precisamente a falta de coragem e o medo das maiorias que dá apoio e força aos radicais. A sua “clareza” de convicções aparece como transparência e autenticidade. Aos dúbios e incertos aparece como verdade. Uma verdade que sempre se anuncia com grande força. A força das convicções (crenças). E essa “força da verdade” é sentida como segurança e seguida, pelos fracos.
Bom…nem tanto!

Mesmo os radicais mais bem sucedidos não têm poder absoluto. A sua liberdade não é total.

Acção tem reacção. Cada coisa contém em si o seu oposto. É Karma.

Mesmo os mais poderosos nunca dominam totalmente nada. E jamais podem fazer tudo o que querem. Sempre dão o “flanco”. Sempre se expõem. Por isso é preciso a coragem…E no fim morrem e deixam o mundo na mesma!

Mesmo os extremistas a quem o risco foi compensado só têm poder pelas uniões que fazem, porque sozinho ninguém é relevante. São as alianças que criam poder efectivo. E as alianças implicam compromissos. Compromissos que exigem negociações. Negociações que raramente são “claras” e convictas…Negociações onde se compromete e se concede. Politica.

Mesmo aqueles fundamentalistas que supostamente se mantêm mais puros e fieis a si mesmos e ás suas convicções (que anunciadas aos outros os influenciam sob a forma de doutrinas), vistos à lupa mostram-se tão incoerentes e hipócritas, tão cheios de idiossincrasias, como qualquer outro.
É elucidativo olhar para os nossos cenários políticos.

Quem se pode dar ao luxo de apregoar absolutos utópicos, ou aliciar os outros com evoluções forçadas e radicais?

R: Qualquer insatisfeito e ou manipulador de insatisfeitos… Qualquer um que não tenha poder efectivo. Que não esteja no poder efectivo da governação. Pois só assim é livre de poder tudo. Livre de ser provado. Comprovado pela tentativa de ser o que afirma. Livre por ser irresponsável. Não tem que responder porque nada concretizam. São só anúncios de liberdades totais e promessas de solução final de todos os problemas. Criticar é fácil para quem não está no poder. E necessário para quem o deseja para si. Tirar os outros do trono e subir para lá…

O radical é o sectário por excelência. O sectário que se sente incompreendido quando lho apontam. O sectário muito próximo daquilo que diz combater, mas que acha essas semelhanças inaceitáveis e ofensivas. O sectário que se anuncia por todos apesar da sua força ser contra a maioria. O sectário que tem a capacidade de ignorar e ofuscar completamente as suas contradições.
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Politicamente correcto
Felizmente vivemos em sociedades democráticas. Ou seja, de compromissos.

Este tipo de regime é pouco dado a radicalismo. O seu fundamento e sucesso é o equilíbrio da mediania.

Nem demais nem de menos. Nem grandes paixões nem grandes ódios. Nem demasiado lento nem demasiado rápido. Pequenas perdas e ganhos. Liberdades limitadas pelas outras. Os opostos compensam-se e anulam as pretensões excessivamente conservadoras ou revolucionárias (ora a esquerda ora a direita, conforme a situação relativa de que se parte).

Nesta gestão (politica) das coisas dispensam-se absolutos. Dispensam-se o total em prol da maioria. Dispensam-se as utopias e perfeição que nunca o são. Dispensam-se os idealismos do passado e do futuro em prol do realismo do presente.

As coisas (como as verdades, por exemplo) nunca são absolutamente puras. São sempre compromissos fruto de concessão das várias partes que à maioria garantem e à maioria limitam. Procuram-se encontros das diferenças. Consensos, nunca totais, mas que permitem acordo da maior parte e ainda algum espaço de manobra para as minorias.

Nas negociações, mais do que força bruta inequívoca, a arma principal e mais usual é a diplomacia. Diplomacia que pouco se expõe. Raramente se compromete ao ponto de não poder voltar atrás. Que usa o indefinido, a sombra, o bluff e o silêncio. Muito mais do que qualquer espectáculo barulhento e exibicionista. E, pelo que se constacta, a diplomacia é tão autêntica, necessária, real e eficaz como a força violenta e espectacular. Felizmente é mais. E por isso é mais usual. Porque na vida o mais eficiente prevalece.

Não agrada e satisfaz totalmente a ninguém, mas permite que a grande maioria se acomode nas facilidades que o sucesso produz e quase tudo se possa expressar e escolher, embora nada tenha grande importância e destaque.

Visto assim não tem a chama e o charme de um qualquer fundamentalismo sectário. Mas qualquer democracia pluralista ocidental, cheia de “imperfeições”, é muito melhor que qualquer Castrismo carismático, seja ele de direita ou de esquerda…seja ele militar ou civil…
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Bom…nem tanto!

Esta compreensão e até defesa do PC não se estende ao PC radical e extremista! Aquele que é persecutório e serve para controlar.

Aquele que controla as maiorias para deixar mais livres as minorias, ao ponto de quase transformar as democracias tolerantes em ditaduras das minorias, constrangedoras para os “mais comuns”!

Aquele que, quando associado a sistemas judiciais como o anglo-sáxónico, permite e produz perseguições e pressões esdrúxulas que nada têm de justiça e sociabilidade, e se movem unicamente por extorsão financeiras. Nomeadamente em áreas como as relações laborais e sexuais, que aliás estão intimamente ligadas. Sempre estiveram e não se vê grande mal nisso…

Aquele que vai contribuindo para mais burocracia, medos e atavismos.

O PC, quando exagerado é anti democrático. Aliás, é….anti-PC!
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Do macrocosmo ao microcosmo

Esta mesma análise se pode aplicar num nível mais restrito. Ás pequenas sociedades. Entre amigos, familiares, colegas, etc.

Nomeadamente quanto ao politicamente correcto e à diplomacia. Ou falta dela.

O que há de errado em ser diplomático? O que há de errado em procurar consensos por aproximação e com alguns cuidados? Nada.

Não se trata de ser fraco ou passivo. Nem de “dar a outra face”. Antes pelo contrario. Trata-se de dar exemplos e, se necessário respostas, mantendo o respeito e a elegância não cedendo nos próprios princípios. Dar a bofetada mas “de luva branca”, sem perder a compostura e até a graça.

È muito fácil ser exibicionista e criar polémicas para chamar a atenção. É especialmente interessante para quem procura reconhecimento e ganhar plateia. Mostrar que se é diferente e extraordinário. Ser carismático, corajoso e autêntico nos fundamentalismos…

É especialmente fácil e interessante para quem não tem grandes responsabilidades. O individualista e egoísta que nada tem, e nada tem a perder. Antes pelo contrário. Só promove o bem essencial para si: o seu ego.

Mas para quem valoriza a vida em sociedade, e nomeadamente o bem-estar da família e amigos, e se importa com eles, não é fácil ser tão fundamentalista e espontâneo. As coisas têm consequências, não só para nós mas também para os outros. E principalmente para aqueles de quem gostamos e que gostam de nós. É muito fácil prejudicar o que e quem mais queremos em prol da “força da verdade”, do ser espontâneo, do livre…

Ás vezes é preciso conceder. Ou, pelo menos, criar outra forma de ser…

E isso não significa que deixemos de ser nós mesmos, nem menos livres, reais ou vivos do que qualquer outros. Antes pelo contrário.
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Raios!

Que porra! Sou mesmo politicamente correcto! Uma tese inteira para o justificar, sendo-o!

E o pior é que eu sei o quanto admiro e me fascinam alguns fundamentalistas que aqui critiquei por não o serem. E até como os invejo também.

Sou normal. Também individualista e egoísta. A mediania também não me apaixona. Também me apetece rugir! As facilidades da mediania também me causam náuseas (as insatisfações por ter e não ter, por ser e não ser, são infindáveis). Também reajo emocionalmente. Também tenho as minhas tendências a achar problemas e “bodes expiatórios” em tudo e todos. Até no Politicamente correcto!

Além de um opaco e sem chama PC ainda sou hipócrita e incoerente!

Que se hei-de fazer?

Consolo-me com a pretensão de ser extraordinário por estar a defender publicamente o politicamente correcto, sendo isso, hoje, para a maioria dos meus convivas, extremamente…politicamente incorrecto!
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2.10.05

Original, ser ou nao ser...


Original

“…o novo é sempre o mais velho…” (não lembro agora o resto e o autor)

Pouco me lembro do que aprendi no meu 10º ano de filosofia. Mas houve uma coisa que a minha professora disse que nunca me esqueci. Um colega meu fez uma intervenção do qual se gabou orgulhoso de ter sido original. E a condutora sentenciou: “Há dois erros típicos do vaidoso egoísta: uma é pensar que o que diz é tão verdadeiro e óbvio que todos vão concordar consigo. Outra é pensar que foi original, o primeiro e único a perceber e afirmar alguma coisa.”

E acho que é mesmo por aí.

Ser original é dizer as coisas de outra maneira. Perceber coisas que já não eram lembradas. Refazer as coisas com “outras roupagens”.

Criar é recriar.

Isso é ainda mais evidente no campo da filosofia. É uma área tão ampla e antiga que já abarcou tudo de quase todas as formas. Todos os problemas já foram enunciados, das mais variadas maneiras. Outras tantas respostas já foram dadas. E isso é um processo sem fim.

No caso do Yôga isso é ainda mais óbvio.

Tantas linhas, escolas, Mestres, tradições culturais, praticantes…Milhares de anos de experimentação, estudo e ensino. È difícil não cair dentro de uma qualquer classificação!

Não há porque inventar. Nem tentar impedir invenções! É só deixar a roda rolar.

E isso não tira valor a nada.

As experiências pessoais renovam-se continuamente e fazem a evolução do mundo.

Quer se queira quer não há que continuar a vivênciar as perguntas e respostas. Continuar a formular problemas e soluções sem fim. Nem principio!

A consciência é a mesma de sempre e continua a tornar-se ciente. De si mesma.
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Desespero


Dispostos a tudo!

Aquando os acontecimentos de Melilla, vi uma entrevista que achei impressionante.

Um dos indivíduos que saltou as cercas e estava preso a aguardar o seu incerto destino, mostrava-se absolutamente satisfeito e confiante, simplesmente porque estava ali, em solo Europeu. Tinha viajado (de todo no sentido turístico) desde há dois anos a partir da Guiné, apenas com o propósito de alcançar a Europa, da qual falava como se fosse a terra prometida, lugar para realizar todos os sonhos!

Quais sonhos? Imagino que simplesmente viver em condições mínimas de alimentação, segurança, estabilidade, prosperidade… Ou seja, dignidade.

O que faz alguém sujeitar-se a dois anos (!!!) de tormentas apenas para chegar mais perto de um sonho? E sobretudo do que foge? Certamente de algo pior do que pobreza. Provavelmente de fome, miséria, violência, falta de perspectivas de melhoras em geral.

Acho que por mais cercas e muros que se façam não é possível parar vagas de gente desta.

Gente disposta a tudo.

Como os fanáticos das Jihads, que são quase impossíveis de parar porque estão dispostos a morrer. No 11/7, por exemplo, não utilizaram sequer uma bala! E em Londres eram Britânicos com bombas artesanais feitos a partir de consumíveis de supermercado! Exércitos enormes tornam-se ineficazes…

Quando se está disposto a tudo, disposto a morrer por alguma coisa, conseguem-se coisas incríveis. Impossíveis deixam de sê-lo.

E como se entra nesse estado de estar disposto a tudo?

Desespero? Crenças? Egoísmo extremo? Genética?

Como?

E sobretudo como impedir isso, sem esquecer que isso também é tantas vezes positivo?

Os impossíveis são tantas vezes ideais utópicos que ao tornarem-se realidade fazem avançar a vida. Os pesadelos de uns são os sonhos cor-de-rosa de outros. Os demónios de hoje são heróis amanhã!

Mas, acima de tudo, casos deste fazem-me colocar os meus problemas em perspectiva.


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Portugal


Portugal

Nunca fui muito nacionalista. Nem sou.

Básicamente acho que o conceito de naçao faz parte do passado.

Cada vez é menos imporante, e está quase ao nível de regiao ou localidade...

Certamente menos importante que familia ou amigos, por exemplo.

E ainda bem. Porque se tem feito tanta merda justificada por ele que mais vale seguir em frente.

Ademais um país que nao é mais que um nome, um território, uma populaçao, e a sua burocracia nao me parece ter grande valor! E a cultura? O que nos distingue como pessoas? O que é diferente na nossa forma de estar e viver? Pouco... Já escrevi anteriormente sobre isto: Portugal já nao é português!

Ainda assim, agora que estou fora, e talvez por isso mesmo, dá um certo prazer olhar para a nossa terra.

Hoje vi, numa Tv espanhola, uma entrevista com os The Gift, onde lhes foi dado bastante destaque. E foi bem agradável.

Está bem que eles cantam em inglês, e deram a entrevista em castelhano (bastante bom, aliás), mas ainda assim sao Portugas. Mais: sao Alcobacenses!

E isso deu-me um certo prazer. Orgulho até.

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