29.10.05

Outras artes

Doc

Sempre gostei de reportagens. E de documentários. São realistas, mas sem a pressa da noticia. Podem abordar mais aspectos e mais profundamente. Com mais pontos de vista. E dão mais matéria para reflexão.

Nestes últimos anos tem-se desenvolvido esta forma a um novo nível. Algo mais…artístico. Mais criativo. Documentários de …autor. A um passo do cinema. Incluindo nos grandes lucros que geram enquanto mega êxitos comerciais que sao.

A expressão maior está nas obras de Micheal Moore. Obras de denúncia. Uma denúncia bem pessoal (e manipuladora, mas tudo o é…), mas que encontra grande eco pelo mundo fora. E mostraram ao mundo que os mais alternativos ás politicas governamentais dos E.U.A. estão lá mesmo. São cidadãos americanos em toda a sua plenitude. Ser anti-americano é algo que não faz grande sentido...

Pelo meio outro grande sucesso: Super size me. Uma vivência pessoal sobre uma vida de Fast food. Algo exagerado mas não muito tendencioso. Interessante.

E agora aquele que, para mim, é o melhor: Inside Deep Throat. Aproveitando o grande clássico porno, faz uma abordagem à evolução da sexualidade nos últimos 50 anos. E o sexo importa para tudo.

Muito bom. Recomendo.
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Auto-suficiência energética

Ideias politicas

Acredito que a vida é inteligente. Procura continuar a viver, encontrado a menor resistência: a maior eficiência. Assim, a realidade que existe faz sentido. Tudo está absolutamente certo! Até a mudança.

Proponho aqui algumas mudanças que me parecem fazer sentido.

Outras prioridades

A CE gasta grande parte do seu orçamento a financiar a agricultura europeia (a expressão máxima de que no nosso sistema politico existe planificação central). E para quê? Cada vez faz menos sentido.

Os agricultores são cada vez menos. Os que vão restando são os empresários agriculas que vivem, não da agricultura e sim do subsídio. Com isso (e com enormes cargas fiscais aduaneiras sobre os produtos estrangeiros) os agricultores europeus conseguem competir nos mercados, continuando a fornecer-nos a comida do dia…Os produtos parecem-nos muito baratos porque não percebemos o quanto nos custa em impostos. A agricultura europeia (e norte-americana) é tão eficaz a produzir (à custa de enormes subsídios) que o mercado não consegue consumir tudo. É preciso deitar comida fora, proibir produção, e dar ainda mais subsídios para as empresas europeias exportarem os seus excedentes a preços vis para os países em vias de desenvolvimento.

Resultado: os países em vias de desenvolvimento, cujas populações vivem essencialmente da agricultura, entram em ruína total. Os seus cidadãos lutam desesperadamente para emigrar para a Europa (onde trabalham como clantestinos nas empresas dos agricultores europeus!!!). E os Europeus criam fundos para ajudar esses países a produzirem mais e minorar a miséria crescente! Na realidade para iludirem e se iludirem quanto aos efeitos secundários das sua politicas…

E para quê? Para se sentirem confiantes por serem auto-suficientes a nível alimentar? Só pode ser isso…

E o mais incrível é que os agricultores (e os partidos de “esquerda” que gostam de se apregoar seus santos padroeiros) estão sempre a clamar por mais e a gritarem de desespero pelo abandono dos seus governos e demais instituições europeias! Incrível!

Sou a favor de diminuir drasticamente os subsídios à agricultura europeia, sabendo que isso é decretar o seu fim! E daí?

Os outros países produzem melhor mais barato. Pois produzam. Nós compramos-lhes. Assim eles não morrem de fome. São pobres mas dignos. E não têm de saltar a cerca desesperados para nos invadir.

E ainda sobra capital para investir em outras coisas mais interessantes e sobretudo mais reprodutivas: educação; investigação tecnológica; artes; comunicação; etc.

É muito melhor investimento.

Outras opcções

Energia é vida.

A vida é mudança. É movimento. É energia. Quanto mais energia mais vida. Por isso todas as pessoas, singulares ou colectivas, procuram afectar o máximo de energia possível. Para ter mais poder. Mais vida. É legitimo. Mais: é assim. (ponto final!)

Antigamente procurava-se possuir terra. Da terra vinha a comida (energia). Quanto mais terra mais vida.

Depois veio a revolução industrial que trouxe enormes aumentos de produção. Mas para ela existir também é necessária muito mais energia. E para a escoar são precisos muito maiores mercados. Assim, a colonização continuou a ter sentido. É preciso assegurar matérias-primas baratas, implementar uma cultura que consuma os produtos (físicos e não só) e manter o fornecimento energético acessível e estável para manter isso tudo a rolar.

E assim os exércitos continuam a ser úteis. Necessários.

E assim a Europa e os E.U.A precisam de controlar o petróleo, fonte mais importante de energia.

E assim o médio oriente islâmico está no cerne da política internacional, não obstante aquilo serem desertos horrendos, sem grandes contributos culturais a dar ao mundo.

E não há volta dar-lhe?

E se não dependêssemos do petróleo dos árabes? Seria uma maravilha!

Deixávamos de ter que enriquecer os Sheiks e levar com o fanatismo religioso dos pobres. MARAVILHA!

Sem ter de controlar o petróleo, e a respectiva área, os exércitos não teriam tanto o que fazer. Logo muito (muito mesmo) capital sobrava para ser investido em outras coisas. Mais uma vez: educação; investigação tecnológica; artes; comunicação; etc.

É daí que, cada vez mais, vem o poder. Não se preocupem os freaks do controlo e das guerras. Há muito tipo de guerras a vencer. Guerras tecnologias, de comunicação, de ideias, etc.

Se há auto-suficiência a conquistar é a energética. É a das energias limpas e inesgotáveis. Saber capta-las com a eficácia necessária é o melhor investimento que poderíamos fazer. E isso consegue-se com: educação; investigação tecnológica; artes; comunicação; etc.

Na realidade é isso que proponho: desloquemos 50 % investimento militar das “guerras do petróleo” para a maior implementação e desenvolvimento dos muitos sistemas que já dispomos nessa área. Criar, aprender e ensinar formas mais inteligentes de captar e usar a energia do sol, dos ventos, das águas, etc.

Será que isto à loucura? A mim parece-me algo mais que um sonho “flower power”. Na realidade parece-me simples apelo à racionalidade.

Mas que racionalidade?

Serei eu um bom exemplo racional? Terá a nossa sociedade alguma apetência por apelos racionais?

A maioria vive atrás dos amores e desamores. E enquanto as guerras forem lá longe, que se lixem! E se cá chegarem vinguemo-nos!

E se tudo parece muito sem sentido temos sempre biliões e biliões de euros para gastar em álcool, tabacos, drogas várias, e vícios dos mais variados (na maioria sexuais, mais ou menos directamente) de forma a esquecermos as guerras e as nossas falta delas!

Enfim…

Como se costuma dizer: “A Vida escreve direito por linhas tortas”.

Se assim é, é porque tem de ser. E o que será logo se verá.
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26.10.05

Uni-Yôga 25 anos

Comemorações dos 25 anos da Uni-Yôga em Portugal


Quero uma chance de falar e expressar a minha filosofia de vida, a minha proposta para melhorar o mundo em que vivemos.
Mestre DeRose

Neste mês de Outubro de 2005 comemoram-se 25 anos da Uni-Yôga em Portugal. Para celebrar esta data, a Universidade Internacional de Yôga preparou um conjunto de iniciativas a que denominou Gala da Universidade de Yôga : Tributo ao Mestre DeRose - 25 anos em Portugal, que se destinam a recebê-lo e homenageá-lo condignamente, em reconhecimento do trabalho de uma vida, e em que cada vinda sua ao nosso país foi sempre um momento de expansão e dinamização Yôga em Portugal, e em particular, do Swásthya, o Yôga Antigo.
As várias actividades que integram esta gala!

AUDITÓRIO MUNICIPAL DE GONDOMAR .::. dias 03, 10 e 17
• Ciclo de cinema: trilogia para comprender a vida do Mestre DeRose

FNAC NORTE SHOPPING .::. dia 21
• Lançamento do livro do Mestre DeRose, As Origens do Yôga Antigo

UNIVERSIDADE LUSÓFONA .::. dia 22
• Curso do Mestre DeRose, Origem e Evolução do Yôga Antigo
• Homenagem ao Mestre DeRose – Homenagem pela C.M. Porto e C.M. Gondomar.
• Cerimónia de Entrega de Certificados de Instrutor de Yôga

UNIVERSIDADE INTERNACIONAL DE YÔGA .::. dias 23 e 24
• Curso do Mestre DeRose, Shiva Natarája Nyása
• Curso do Mestre DeRose, Ásanas para Coreografia
FUNDAÇÃO JÚLIO RESENDE .::. dia 24
• Lançamento da medalha comemorativa dos 25 anos de trabalho do Mestre DeRose em Portugal
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Shiva Natarája


Shiva Natarája Nyása

23/10/2005, Universidade Lusófona, Porto

Shiva Natarája Nyása é a pratica que proporciona a identificação com a consciência de Shiva, no seu aspecto de bailarino real.

È um curso raro e por isso mesmo muito esperado.

Também é uma área muito propicia a misticismos de vários géneros.

No entanto, é algo tão simples quanto poderoso. E acessível a um grande leque de pessoas pois actua sobretudo através do canal emocional, o mais presente na consciência da maioria de nós. Como em tudo o resto, no Yôga e fora dele, é uma questão de dedicação e sorte (tendências genéticas-kármicas, etc.).

O curso, reservado a instrutores, foi muito bom.

Tal como o foi a conversa informal que o seguiu. Perguntas e respostas a muitas dúvidas sobre variados temas: samádhi; meditação; didáctica; sonhos; etc. Uma agradável partilha de experiências.

Estar como pessoal todo e com o Mestre que escolhemos é muito bom.

Muita identificação e inspiração. Hoje como ontem.
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17.10.05

Arte e emoçao

Equações do amor


“Nash: Thank you. I've always believed in numbers and the equations and logics that lead to reason.
But after a lifetime of such pursuits, I ask,
"What truly is logic?"
"Who decides reason?"
My quest has taken me through the physical, the metaphysical, the delusional -- and back.
And I have made the most important discovery of my career, the most important discovery of my life: It is only in the mysterious equations of love that any logic or reasons can be found.
I'm only here tonight because of you [his wife, Alicia].
You are the reason I am.
You are all my reasons.
Thank you.”

Há pouco tempo escrevi como ás vezes a linguagem de algumas expressões artísticas me transcende. E é verdade. Mas não de todo.

Posso não ser o maior conhecedor e apreciador de todo esse mundo a que se chama “arte”. Mas não nego de todo o seu valor. Antes pelo contrário.

A expressão artística convive com a filosofia, a ciência e a religião. E as classificações valem o que valem. Não muito. Não é possível distinguir e separar todas essas formas de expressão que o Homem cria para se conhecer( e criar) a si mesmo e ao mundo. As revelações e criações que nos fazem conhecer e viver são complementares. Aliás: são unas e integradas.

Ontem li uma entrevista de um escritor espanhol que tão falava disto de forma tão clara: “El arte es una via de conocimiento, no sólo una forma estética de expressión. Es una via comparable a la ciência. Puede decir mucho más una metáfora que una equación. Porque no todo es computable, no todo es reducible a números. A veces un acierto genial de un artista nos hace una revelación.”

José Luís Sampedro – economista, professor e escritor

Mesmo que tudo seja traduzível a números (e eu acredito que é) não é reduzível a números. Há várias formas paralelas de expressar a mesma coisa, todas com as suas vantagens para diferentes utilizações e diversas pessoas.

A música é bela e poderosa não obstante quaisquer teorias que a queiram explicar.

E mesmo que um dia venham a expressar o amor, ou outro sentimento, com uma equação matemática perfeitamente manipulável, isso não impede que há tempos imemoriais o amor exista, se viva e se conheça. Como sentimento e emoção!

E no campo das emoções, as artes têm sido bem mais expressivas que qualquer outra manifestação cultural humana.

Bem hajam os artistas.

Aleluia.

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Pactos para patos



Quanto vale um pa(c)to?

Confesso algo que não abona muito a meu favor: estive a ver o Rambo! Ainda por cima o III, o pior. Que hei-de fazer? Gosto de filmes de acção. Ás vezes o básico é o melhor: o herói ganha, salva o mundo e o bem! E o Domingo a tarde, aconchegado quente e confortável no sofá, é agradavelmente passado… É preciso pouco para contentar um homem.

Mas o assunto não é esse.

Este filme é muito interessante dado o actual contexto.

O herói americano junta-se ás vítimas afegãs na sua luta rebelde contra o império maligno invasor. Os mujahedin resistem bravamente, como em toda a sua história, pela sua cultura e independência… E na sua luta contra o cruel invasor ganham o “coração” do sentimental Jonh, que, em nome da justiça, da honra, da amizade e do bem, faz daquela a sua guerra, aliando-se, num pacto de sangue, aos guerrilheiros de Álá.

O interessante é que esses lutadores sagrados enaltecidos pelo filme (cuja dedicatória é feita ao bravo povo afegão e à sua luta) são aquilo a que hoje se chama … Alcaeda!

Há pouco tempo atrás os americanos davam apoio económico e militar a esses guerrilheiros árabes. Davam-lhes apoio logístico e “know-how”. E, com isso, incentivo e legitimidade. Nomadamente aos chefiados por Bin laden! O mesmo que agora é o próprio demónio em pessoa!
É curioso ver o filme e perceber como tudo está na mesma embora um dos lados tenha assumido o papel oposto, igual ao que antes combatia. E por motivos não muito diversos.

Não me importa aqui entrar em discursos sectários de defesa ou ataque, fazer julgamentos sumários, ou procurar encontrar quem atirou a primeira pedra…

O que acho interessante é perceber como se passa de uma situação de aliança e até amizade, muitas vezes baseados em pactos de honra e sangue, para outra situação de inimizade mortal. E em tão pouco tempo!

Quanto vale um pacto?
É tudo muito bonito, mas, vendo as coisas com uma certa distancia, tudo parecem joguetes de egos pelos seus interesses circunstanciais. Interesses sempre traduzíveis em $. E a amizade, honra, religião, juras de fidelidade eternas e outras coisas que tais são conversa fiada. Desculpas. Floreados. Coisa de…patos!
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13.10.05

Liberdade?


Liberalismo?

Muito se fala de liberalismo, neo-liberalismo, os benefícios, os supostos aspectos malignos, etc. Mas, será que existe, esse tal de liberalismo?

Num ponto de vista pessoal, o liberalismo é sempre limitado. Muito limitado.

Limitado pelas nossas condições: humanos, nacionalidade, classe social, poder económico, potencial genético e capacidade para o seu aproveitamento efectivo, etc. Limitado porque as acções são sempre ambíguas, contendo em si o seu oposto, a reacção. Limitado porque a nossa acção depende do nosso, sempre limitado, poder. E do poder dos outros. E isso reflecte-se também no princípio ético que reza: a liberdade de cada um acaba onde começa a dos outros, com tudo o que isso tem de subjectivo e fluido. Enfim, a nossa liberdade pessoal é limitadíssima!

E a nível macro? A nível sócio-politico mais amplo?

É igual!

Não existe sociedade sem estruturas multi-pessoais que enquadram e controlam os indivíduos. Sociedade pressupõe governo, para garantir eficácia, eficiência, segurança, liberdades…

Os apoiantes dos sistemas de maior controlo sócio-económico estatal, principalmente os comunistas (mas não só), costumam culpar os sistemas liberais de todos os males do mundo! E ao mesmo tempo dizem que os comunismos (e fascismos) que de facto mostraram o seu fracasso, não o eram autênticos. Que o ideal era outro. Que foram corrompidos e roubados da sua pureza de intentos, etc. Então e o liberalismo? Algum país e seus governos alguma vez aplicaram um liberalismo autêntico e “puro”? Não, nunca. Então também não seria a teoria liberal que estaria por detrás dos problemas, mas sim a sua falta de “pureza” e desvio em relação ao ideal…

Em ideal tudo pode ser perfeito, pois não tem de conter nenhum realismo, nem de se provar em realização efectiva!

Na realidade nada é “puro”! Tudo é compromisso.

Um compromisso que deriva do facto de tudo estar inter ligado, integrado, UNIDO.

As democracias ocidentais que têm prevalecido no mundo, em nada têm de liberalismo puro. Não têm nem nunca tiveram ou viram a ter. Isso não existe.

O suposto neo-liberalismo é uma grande fantasia, tanto de quem o contesta, como de quem a defende.

As grandes democracias ocidentais sao ditaduras das maiorias. Ainda que ditaduras bastante tolerantes perante as minorias, das quais se alimentam para estimular a renovação e evolução constante. E isso em ideal. Na realidade estas sociedades, como quaisquer outras, são conduzidas, de forma mais ou menos transparente, pelos mais fortes e capazes, que são sempre poucos e governam a seu favor.

E os Estados, com os seus governos e as suas grandes estruturas administrativas, têm sempre um papel muito importante para o estado das coisas, que vai muito além da mera “coordenação” dos vários agentes económicos “civis”, como se advogava (e advoga) nas teorias liberalistas mais idealistas.

Vejam-se os E.U.A.

O Governo dos E.U.A. sempre teve um papel importantíssimo no desenvolvimento dessa, hoje, potencial nª1 do mundo. Muito para além do que o discurso sobre liberdade e iniciativa privada faz crer.

Para lá chegar foram empreendidos esforços dos governos europeus.

Depois, desde os primeiros momentos em que os colonos começaram a implantar-se, logo surgiram organizações estatais para governar a estrutura social que se iam formando. Desde as elites aos mais plebeus.

Foram esforços estatais que impulsionaram a expansão para o oeste, nomeadamente perante a resistência dos “índios” que, naturalmente, foram expulsos ou dizimados.

Desde cedo se formaram exércitos, e estes desde logo mostraram a sua importância. Ainda hoje, e como sempre, são os contractos estatais para os seus exércitos que impulsionam e garantem a vitalidade de grande parte da estrutura económica “privada” dos E.U.A.. E os exércitos não apenas financiam a investigação e as industrias do país como garantem ás empresas nacionais mercados favoráveis por todo o globo.

Poder-se-ia falar de forma quase igual em tudo o que tem a ver com investigação, expansão e domínio aeroespacial.

Foram programas estatais que fizeram a maior rede viária do mundo. E são subsídios estatais que permitem a sobrevivência da agricultura norte-americana.

E as dezenas de agência de vigilância e segurança estatais e federais? São tantas que se atropelam. Porque a liberdade parece precisar tanto de prosperidade como de segurança, que, aliás, parecem estar interligados. Desde as comuns vigilâncias policiais, passando pela vídeo-vigilância massificada, vigilância por satélite, acumulação e uso efectivo de todo o tipo de informações a cerca dos cidadãos, desde o que comem, a onde vão, ao seu DNA, a última moda…

Segurança, vigilância, controlo, e agora até…intolerância generalizada contar as minorias. A divisão e discriminação racial são constrangedoras. A comunidade muçulmana, neste momento, poucos direitos tem. A começar pela presunção de inocência! E isso numa terra, em que, a par da prosperidade financeira, uma das liberdades fundamentais seria a religiosa, pois esse foi um dos motivos principais que motivaram os colonos americanos…

Enfim, muitos exemplos mais haveria para ilustrar de forma clara que liberalismo puro e total não existe. Nem na “terra da liberdade”.
Na Europa também vivemos democracias sociais, com vast aintervençao estatal, seja ela mais ou menos centralizada. E o novo gigante, a China, prova que crescimento sustentado nao é imcompativel com dirigismo central.
Enfim. Exemplos e mais exemplos da falta de ... exemplos de liberalismo "puro" e "autêntico".

O que existe são regimes menos radicais. São mais flexiveis e tolerantes à diferença, à inovação e à mudança. Têm na diversificação e multelateralidade a raiz da sua vitalidade e força. E a sua moderação, embora sem conquistas gigantescas, prevalece sempre a médio e longo prazo.

Não sei bem o que há de liberdade nos nossos sistemas democráticos ocidentais. Mas, como disse Churchill, pode ser muito imperfeito mas é o melhor!

Gosto de ser ocidental, e gosto do nosso sistema politico. Sem grande orgulho, mas sem culpas nenhumas.

Posso não concordar com aqueles que lutam contra este sistema, especialmente contra aqueles que estão dentro e dele beneficiam. Mas luto para que o sistema se mantenha e que os que divergem possam existir e manifestar-se.

Porque sou democrata. E liberal!
António

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Sionismo


Judaísmo

Recentemente vi o mercador de Veneza. Foi interessante reparar mais uma vez como a questão judia é tão antiga. Muito mais que o século VXI. Mais que a nossa era.


Por toda a parte se perseguiram, “converteram”, expropriaram, expulsaram, e mataram judeus. Não foram só os nazis. Nessa altura revivia-se mais um momento de anti-semitismo na Europa. Em quase toda, incluindo na França onde esses sentimentos eram muito aviltados. Em todos os países da Europa ouve perseguições aos Judeus durante os últimos 700 anos. Quase todas por cristãos e muitas vezes em nome da cristandade. Ou pelo menos com essa desculpa. Nas nações dominadas pelo catolicismo ainda mais que nas outras. Talvez por isso a revolução industrial tenha surgido e se desenvolvido mais noutras paragens. Talvez por isso os parlamentarismos democráticos e o “laissez faire” se tenha incorporado e consolidado mais nessas outras certas paragens.

Não sei.

Aliás, nestas questões judias o que me é mais claro são os: não sei!

Há todo um mistério. Fomentado tanto pelos próprios judeus como pelos seus opositores.

Pelos judeus o maior mistério talvez seja o de não haver grande mistério. Eles parecem saber ser mais práticos. Saber ser mais empenhados na vida e sua luta. E saber lutar bastante bem. E parecem saber o valor prático do segredo e discrição. Como são menos e sempre bastante parecem primar pelo sigilo e anonimato que faz parte desse seu saber viver.

Será isso? Mais uma vez repito. Não sei.

A sua religião não parece ter nada de muito interessante em termos filosóficos ou teológicos. Mas tem algo que é fundamental e que eu nunca percebo muito bem. È o que os une como povo. E une-os tanto que quase se fala deles como uma raça. Um grupo ao qual não se converte através de uma crença, mas ao qual se pertence como a uma família. Uma família que acolhe, protege e dá força, mas que também marca, como uma marca de nascimento. Uma marca de sectarismo. Difundem-se mas não se misturam. Pode-se até deixar de o ser. Mas não se pode escolher sê-lo.

Todo esse viver um grande grupo me é estranho. Estou habituado a pequenos grupos: família, amigos, colegas. Ou a grandes: portugueses, a espécie humana. Mas estes grandes são tão grandes e indiferenciados que pouco ou nada dizem de mim. Não me situam e orientam no mundo. Apenas me colocam nele.

Seja lá o que for essa tradição cultural, e o que faz os judeus prósperos, a verdade é que a o judaísmo continua a ser uma questão na ordem do dia. Uma questão central e fulcral.

Em todo este “choque de civilizações” poderia colocar um epicentro: Israel. Não só territorialmente está lá no meio da guerra, como é o símbolo máximo dos Judeus, e, para o mundo árabe, a cara visível do ocidental moderno, pouco confinável e absolutamente desprezível. O sionismo israelita fez mais pelo fundamentalismo Islâmico nos últimos 50 anos que o domínio colonial europeu durante alguns séculos procedentes.

É, também, a oportunidade real para ver que os judeus são absolutamente iguais aos outros. Iguais a todos aqueles que os perseguiram extorquiram e quase exterminaram. Tão territoriais e fanáticos como os que combatem sem dó nem piedade.

Um amigo meu uma vez disse-me que achava que Israel ia acabar por cair. Em nome da sobrevivência de todo o ocidente. Porque a existência daquela pais é o fermento necessário para a contínuo aumento do ressentimento e ódio destrutivo dos árabes em relação ao “ocidente”. E porque com as armas que por aí há hoje não dá para estar continuamente a fabricar ódios.

Não sei.

Não sei que convicções e partidos adoptar nestas questões.

Mas preocupa-me!

Como alguém dizia: “ I just want have my kicks before the whole sheet goes up in flames!”
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10.10.05

Cine-teatro

Teatro


História natural

Resolvemos ir ao teatro. A peça, chamada História natural, apresentava-se como premiada. Bem…foi a melhor peça que vi no último ano. E a única também! E ao reparar nisso notei o quanto tenho umas série de lacunas culturais. E os problemas que isso trás.

Sempre fico algo incomodado com a minha incompreensão daquilo que costuma ser chamado arte. Não gosto de pensar em mim como inculto, nem insensível, nem in… seja lá o que for que impede um melhor e maior entendimento das “artes”. Mas não há volta a dar-lhe.

O que raios é que me leva a gostar só umas poucas coisas? E de achar a maioria das ditas “obras de arte” desinteressante, ou até sem qualquer sentido?

Sempre gostei mais da filosofia. Das palavras. A pintura, escultura, dança, etc. sempre foram menos poderosas, para mim. Não me dizem e movem tanto. Mas será que isso não se deve a mera falta de cultura? A não conhecer tanto? A nunca ter cultivado essas formas de expressão? Talvez.

Em parte acho que tem a ver com as tendências de cada um. Nem todos gostam do mesmo. Se expressão da mesma forma. Entendem as mesmas coisas. Sentem da mesma maneira.

Sempre achei que a realidade era mais interessante e impressionante do que a ficção. Sempre a supera. Nunca cabe em qualquer forma de arte. E que a melhor arte é aquela que a expressa a realidade da forma mais directa e óbvia.

Para quê expressar as coisas de uma forma que menos percebem? Para depois ter de explicar? Muitas vezes as obras mais parecem mascaras. Mascaras da própria realidade, que a distorcem. Mascaras cuja utilidade maior é criar espaço para os autores e os seus críticos possam existir, nos seus nadas místicos…Enfim. Desculpem o cinismo.

Sempre gostei da realidade “nua e crua”. E por isso entendo a visão mais objectiva possível das coisas. Uma visão “mais de fotografia e menos de pintura”.

Prefiro a fotografia, o vídeo, a TV, o cinema. A arquitectura. Até, de certa forma, a arte presente nas empreitadas humanas mais tecnológicas, como as engenharias. Pontes por exemplo. São quase sempre impressionantes e extremamente belas. Uma prancha de surf bem feita. Dá gosto contemplá-la. E o próprio surf? Soberbo. Há arte no design automóvel. Há arte em saber cozinhar… Enfim. De certa forma, basta olhar a volta e ver o homem, o mundo e sobretudo o Homem no mundo. As infinitas possibilidades e sua extraordinária beleza. Até nas desgraças há algo de impressionante.

A Natureza, seja ela virgem ás mãos humanas ou não, é toda ela uma obra de arte.

(E toma lugares comuns…)

E a peça?

Bem, até gostei da peça.

Especialmente do diálogo de abertura que era mais ou menos assim:

“Vivemos a ilusão de que estamos conscientes e somos livres. Que sabemos o que é o mundo. Que decidimos o que sentimos, pensamos, compramos… mas não controlamos nada!

Podemos sempre dizer: Eu sou. Eu. Eu quem?

Já fui tanta coisa. Tanta coisa ao mesmo tempo. E tanta coisa sou e serei. Serei António?”

Acho que vou passar a ir ao teatro mais vezes. Talvez umas duas ou três vezes por ano. Talvez mais.
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Cine-teatro



Cinema

O mercador de Veneza

Shakespeare numa das suas melhores obras. Ainda por cima interpretado por Al Pacino, Jeremy Irons e companhia. Só podia dar bom resultado! Mesmo com o grande AL em vocal castelhano!

Uma das deixas: “Vejo o mundo com realismo. Como uma peça em que cada um desempenha o seu papel. E o meu é triste.”

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