Requiem pela minha querida pátria!
Como já aqui disse antes o conceito de pátria (e de povo e de nação) não me é muito relevante. O que realmente me importa são a minha família e amigos. As pessoas que eu gosto. E Portugal interessa-me nessa medida…Ou seja, muito!
Sinto-me um membro da aldeia global. Filho da globalização que nós mesmos tanto impulsionamos há 500 anos atrás. E gosto disso. Nesta pequena e apertada esfera azul ser Português é cada vez menos relevante. È como ser de Alcobaça. È mais um nome, de uma parte de outra parte. Estamos num mundo onde grandes blocos se fundem e competem. E nessa medida ser Europeu é cada vez mais importante e decisivo, em termos económicos e culturais. Gosto de ser Europeu. E embora seja muito individualista, ser Europeu parece-me cada vez mais interessante, quando comparado com ser português. Portugal tem muito mais importância e viabilidade como membro de uma Europa unida que como um estado “independente”(é para rir) perdido atrás de Espanha. Aliás, como já escrevi antes: Portugal já não é…
Desesperadamente procurando a crise
Considero que vivemos momentos gloriosos. Portugal já foi mais grande no mundo. Mas nunca se lá viveu tão bem. E há maior grandeza que viver bem? Com segurança, comida na mesa, conforto, um nível amplo de cultura…
Ainda assim, e porque o crescimento estancou, e a convergência para os ainda mais ricos desconvergiu, dizemos que estamos em crise! Aliás, em crise diz-se sempre que estamos. Está sempre tudo mal. Ou pelo menos a maioria diz sempre muito mal de tudo e todos! Talvez seja apenas neurose…
Porque é que o crescimento está tão fraco? Porque é que crescemos menos que Espanha, e até que a Irlanda e Grécia? Como vamos enfrentar a concorrência cada vez maior e mais forte da Europa de Leste? E pior ainda: da China e da Índia!?!
Quando os biliões da CEE entravam a jorros e aparentemente sem fim, usamo-los para viver bem. Foi tipo desforra de novos ricos. Engordamos. Mas não usamos para fazer as reformas das estruturas politicas económicas e sociais, que são sempre mais fáceis se não tivermos de as fazer. Na prática acabamos por só mudar quando estamos mal e somos obrigados a isso para sobreviver! E parece que é o que agora se está a passar. Agora que as contas estão prestes a explodir, e o país está tão estagnado que parece andar para trás, vemo-nos na emergência de reformas profundas.
Quais reformas? Nas bocas dos 108 mil teóricos da nossa terra elas são mais que conhecidas: menos e melhor burocracia e aparelho central do estado (com suas regalias sociais); menos segurança social; mais e melhor educação, com mais ênfase na pratica e investigação nas áreas das tecnologias. Uma educação que incorpore o civismo e sentido de bem comum: pagar impostos como dever ético e moral, etc. Menos protecção a empregos “seguros” e mais estímulo à competência. Menos subsídio dependência e mais estímulos e prémios à criatividade e empreendorismo empresarial, cultural e cientifico. Enfim…aquilo que eu já leio e ouço por todo lado há 20 anos. Mas nós aproveitamos os biliões de CE para escapar às reformas, ao invés de usá-los para as promover! E agora estamos à rasca!
E, embora seja um optimista por natureza, não creio que este estado de coisas se possa alterar profundamente. As mudanças são agora ainda mais difíceis e dolorosas. A classe média, essencialmente dependente do estado, não vai suicidar-se. E os empresários “privados”, também subsídio dependentes, não vão mudar de mentalidades de um dia para o outro. E o estado não é independente de toda uma classe média e empresários que o sustentam e elegem. O nosso sistema político tem tendência a formar governos de poder muito partilhado e dividido, e logo fracos. Os cidadãos, agora mal habituados, não têm espírito de grupo nem de sacrifício. Esforçam-se mais para resistir ás reformas do que teriam de fazer para as empreender! E pior ainda: não temos a cultura da criatividade e empreendorismo que é o que realmente enriquece qualquer indivíduo e colectivo.
A tendência é olhar cada um para o seu umbigo. Esperar salvadores e sobretudo ser crítico!
A nossa tendência cultural mais arreigada é a da queixa e da crítica. Critica sem propor soluções. Critica de “chega para lá” e faz tu. Crítica que não constrói. Critica que não é seguida de acção. Critica que culpa os políticos de todos os males, mas nunca se propõe a assumir os cargos e fazer melhor (“tenho mais que fazer com a minha vida”). Critica que culpa os poderosos em geral de toda a incompetência e corrupção, mas que nunca se chega para a frente e resolve criar e construir e fazer melhor... E já se ouvem cada vez mais vozes a pedir grandes lideres, Dons Sebastiões, Salazares (louçãs ou Portas?!) que nos salvem…afinal o exemplo e o dever vêm (e têm de vir?!) de cima. E o “povo”, que se assume como vitima, acha que só tem de seguir e usufruir dos “direitos”!
E eu a pensar que o objectivo seria ter uma população forte, confiante em si mesma, criativa e empreendedora, que não depende-se tanto de líderes que a arrastassem!
Solução? Não tenho.
Não tenho soluções. Por isso não espero grande coisa. Não critico o estado das coisas e tento ver e aproveitar o muito de bom que ainda há. E desejo tudo do melhor possível para Portugal, pois ainda me considero de lá, e tenho lá a maioria das pessoas que mais gosto e dão sentido à minha vida. O que eu possa fazer para ajudar farei, mas assumidamente sem grandes pretensões e sem sentimentos de culpas, minhas ou alheias! Acho que ser empresário na Europa já é um contributo ligeiramente acima da média...
Um elogio à classe (mais) trabalhadora!
Cada vez mais acho que os políticos têm das profissões mais ingratas que existem. Exigem-lhes (sob uma vigilância de lupa) tudo aquilo que ninguém faz e aceita para si. Todos os mais imperfeitos lhes cobram uma total perfeição. E mais: nunca podem ganhar até anos depois de estarem fora do seu exercício de poder (“até nem era assim tão mau”). Até lá, tudo o que fazem está mal. Está mal se fazem, se não fazem, o que fazem, como fazem…Sujeitam-se a uma exposição quase total, e a vexames e acusações brutais inclusive daqueles que os elegeram, só porque estão lá. O povinho precisa de bodes expiatórios para os seus próprios problemas…
Vejo nos políticos um espelho da sociedade, da qual emanam e fazem parte. Na realidade, um espelho que até reflecte os melhor da sociedade. Sim, o melhor! Porque, em média, os políticos, são mais esforçados, estudiosos, trabalhadores, honestos, empreendedores, empenhados, criativos, corajosos e competentes que a média dos cidadãos que os elegem.
Basta olhar para estes nomes: Mário Soares, Cavaco Silva, Durão Barroso, Marcelo Rebelo de Sousa, Freitas do Amaral, Paulo Portas, Álvaro Cunhal, António Vitorino, Sócrates, só para dar alguns dos nomes mais conhecidos. Não estaríamos mal se todos tivessem o nível de dedicação, competência e dinamismo desses nomes...digo eu!
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