28.5.07

Não acredito em milagres mas...

Espanha e finanças

Não acredito em milagres. Mas sim que a sorte (o imponderável, o acaso) tem um papel importante na Vida. Diria que um terço da nossa vida aí se enquadraria.

Há vários factores que podem explicar a situação economico-fiannceira espanhola deste momento. Alguns já abordei antes aqui. Nomeadamente:1-o factor tamanho. Tamanho do país e tamanho do mercado, que é ainda maior se tivermos em conta que a Espanha ainda é referêncial para todo o mundo de lingua castelhana, a segunda mais importante do mundo. Esse tamanho permite as chamadas economia de escala. 2- Por outro lado Espanha está directamente conectada a França, e não é por acaso que quanto mais chegadas a França mais ricas são as regiões espanholas. 3- E há ainda outra derivação do tamanho: aqui existem muitas cidades médias com enter 100.000 e 500.000 habiantes, espalhadas por todo o território e principalmente a norte. E é nessas cidades qu esse concentra grande parte da população que, assim, é tradicionalmente urbana, ao contrário da população portuguesa que até há poucas decadas era essecialmente rural. É a diferença entre cultura da revolução industrial e uma cultura de agricultura de subsistencia.

Ainda poderia reparar que a Espanha não gastou balurdios em guerras coloniais perdidas à partida. E que é um país na moda e com sol e que dá rende muito dinheiro em Turismo...

Ainda assim, há coisas que alcançam o inexplicável.

Pelo terceiro ano ocnsecutivo vai haver uma situação de superavit na execução orçamental! Sim: superavit. O contrário daquele defict que Portugal luta há muitos anos para conter nos -3% que acordou (como pior cenário possivel) ao aderir ao Euro. Defict que significa dívida, que mais tarde ou mais cedo alguém tem de pagar! E não se consegue isto por contenção nas despesas do Estado. O que se passa é que a economia está a render mais. Cada vez mais. E mais que as previsões. Tanto que já reviram em alto (outra vez) as previsões de crescimento para este ano. E o desemprego está a bater minimos históricos para Espanha (ronda os 8%). E a Espanha não tem petroleo (mas tem industria petrolifera)nem grandes minas...

Mesmo que este autentico esplendor financeiro não tenha correspondência numa tão grande solidez economica (o desiquilibrio da balança comercial agrava-se)não deixa de ser admirável. Incrivel mesmo! E inexplicável. pelo menos para mim...

(Claro que para os espanhóis, principalmente os que são da oposição, está tudo mal...)



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7.5.07

Pontos de vistas, crenças e manifestos religiosos....

Ecologia II

Prometi a um desses amigos partilhar “factos cientificos” que corroborem o meu rechaço e descrença geral a este ecologismo emocional e religioso que se impõe no mundo...

Sempre fui bastante curiosos e desconfiado. Sou pouco dado a crenças, sejam elas “teístas medievalistas”, dos “positivistas-cientistas”, ou até do yôga, que supostamente nao deveria ter doutrinas nem dogmas alguns...Tenho um senso critico feroz, até para mim mesmo, e não resisto a um bom contraditório, quanto mais dialético melhor. Para bem ou para mal detecto com facilidade as explicações fácéis, os “argumentos “ emocionais”, o radicalismo e sectarismos ideológicos de qualquer causa. Sou um realtivista absoluto. Um realista. Um cinico, que se julga sempre certo a si mesmo até prova em contrário(ou seja, até se convencer do contrário), contra tudo e todos se tem de ser. Um...Antonista! E esse individualismo naturalmente coloca-me problemas de inserção e colaboração com quase todos os grupos e seus ismos. Desde amigos, familia, futebolite, nacionalismos, yôgismos, etc.

Por outro lado, ser descrente não implica ser “anti”. Sou bastante tolerante com as religiões, sejam elas assumidas ou não. Os ismos, desde que nao me acossem descaradamente, até dão bastante colorido ao meu mundo. Permito-me até colaborar com algum que goste mais. Ou que desgoste menos...

Isto a propósito do quê?

O último tópico, sobre esse novo ismo, o ecologismo, levantou algumas criticas, muito agradáveis, de alguns amigos, básicamente acusando-me de ser leviano, de recusar factos “unanimemente” aceites(?!), nomeadamente factos “cientificos” “provados”, etc. Ou seja, de ter a mania! (e estão certos! Rsrsr)

Pois bem, aceitei o reto. Prometi a um desses amigos partilhar “factos cientificos” que corroborem o meu rechaço e descrença geral a este ecologismo emocional e religioso que se impõe no mundo. Como não tenho pretensões a ser salvador, diferente ou original em nada suponho logo que o que penso deve já ter sido pensado. Básicamente “provamos” e refutamos com “evidencias” aquilo em que já determinamos préviamente. Basta buscar e acabamos por encontrar aquilo que queremos. Ou seja, aquilo me que cremos. Pus-me a buscar e bastaram-me 10 minutos de busca na internet, mais umas horas divertidas a ouvir contraditórios...

Aqui os partilho:

1-O manifesto politico-religioso (baseado me factos “cientificamente provados” pela imensa maioria da “comunidadae cientifica”) do Al Gore. Uma verdade incomoda, que já tinha publicitado aqui.
2-O contra manisfesto, aparentemente motivado por puro sentido critico, e também absolutamente suportado por factos “cientificamente provados” pela imensa minoria da “comunidadae cientifica”.
3-O contra-contra manifesto, também provindo e suportado por “cientistas” e pela “ciência
4-
E mais um manifesto(só vi meia hora) para quem se quiser divertir um pouco mais...
5- E ainda mais outro manifesto...

Tudo muito interessante. Muito interessante acerca da questão do aquecimento global, assim como acerca do que é, de como é e de quem faz “ciência”, ou não...

Só relembrando: eu pró ecologia. Uma ecologia racional, pró-homem. Sou pró uma gestão inteligente dos recursos do nosso ecossistema favorável à humanidade. E a ecologia e os problemas que ela abarca vão muito além da questão do aquecimento global.

E por falar nisso: muito mais fulcral que a questão do CO2 e do aquecimento global é a gestão das florestas, da agricultura, do uso da água, etc. Por isso, o vegetarianismo é uma questão muito mais importante a nivel ecologico. Aqui deixo um documento excelente para compreender a questão. Por partes: 1 2 3 4 5 6

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3.5.07

A nova religião: ecologia!

Ecologia?!?

Se há alguma causa política que eu acho interessante e importante é a ecologia.

Por ecologia entendo: conhecer o nosso mundo melhor para melhor poder viver nele. Ou seja: uma gestão inteligente dos recursos do nosso ecossistema favorável à humanidade. Uma ecologia pró-Homem claro!

Por isso me irrita tanto essa ecologia que por aí abunda do tipo anti-Homem. Uma mistura moderna marxismo reformulado com culpa cristã e o mito do bom selvagem. O Homem esse demónio pecador que destrói a natureza virginalmente boa através da sua civilização tecnológica e industrial, que em nome da justiça divina (a grande mãe “natura”, entenda-se) se vingará…


E assim vais nascendo o maior ismo, a maior religião destes tempos de globalização. Assim e com uns biliões de fundos governamentais à mistura...

Bahhh! Nojo.

(É preconceito, eu sei. Nas minhas limitações tenho problemas em aceitar o espectáculo emocional presente nesses fanatismos sectários e alienados que estão presentes em qualquer causa. Mas sou assim e mais vale aceitar.)

O Homem faz parte da natureza. É um produto da evolução da natureza. Diria mesmo que é a parte mais interessante e importante da natureza. E a esta visão chamo de naturalismo que para mim é a base da ecologia.

Deixemo-nos de tangas. Não vamos acabar com o mundo. Quando muito acabamos com a nossa própria espécie! E é isso o verdadeiramente preocupante. A ecologia tem de ser sempre a inteligência na salvaguarda dos nossos próprios interesses.

Mas, infelizmente a ecologia deste tipo, dito racional, ainda não é a que impera. A mais notável é a sentimental. E sentimentalista. Apelando a pena e a culpa. Ao sentimentalismo pela natureza. A de “esquerda”. A rebelde. A do escândalo. A das modas. A “pró-bicho”. A “pró-verde”! Aquela que concebe o homem como o mau, ou pior, o mal!

São muito apreciadas as emoções fortes. Tipo: “Incrível, neve em Lisboa! A maior queda de sempre a ser registada!”(No dia anterior queixavam-se que agora os invernos já não eram tão rigorosos e os Verões são mais curtos!)

E também gostamos de explicações fáceis. Tipo: “mais um sinal das alterações climáticas produzidas pelo efeito de estufa causado pelo Homem, que produz fenómenos como o El Niño…”

Se faz muito calor (“o pior de sempre!”) é culpa do homem que está a causar o aquecimento global. Se faz muito frio (“o mais frio que há registo”) a culpa é do homem que está a causar o desequilíbrio global. Se tudo está normal a culpa é…do Homem, que não acaba com as injustiças!

Maremotos, terramotos, degelo polar, vulcões, desertificação, enxurradas, etc.: tudo tem a mão maligna do Homem. Até se diz por aí (foi mais moda em finais dos anos 80) que fizemos um buraco no ozono!

E já agora junta-se tudo: há pobres, doenças, guerras e mortes? É o Homem mau e o seu sistema anti-ecológico! E para salvar o mundo do homem mau estão aí os ecologistas e as suas doutrinas salvadoras. Tudo para o nosso bem, claro.

Mas…

Aos poucos, quase sem querer, vão passando informações ao largo do espectáculo mediático, e que indicam que talvez não seja bem assim.

Talvez o aquecimento global (cujo o grau e até a existência não é uma unanimidade) se deva aos ciclos climáticos ou a uma explosão solar ligeiramente mais intensa. Talvez a outros factores que ainda não conhecemos. Talvez a tudo isso junto. Até pode ser que a Humanidade tenha alguma relevância no devir do mundo…talvez aí 0,1%!

Mas não diga isso a ninguém. É segredo. Não chateie.

A maioria das pessoas prefere acreditar que o Homem é omnipotente: faz e desfaz. Isso dá uma sensação de poder e logo de segurança. Talvez possamos impedir o devir que conduz a morte…
Este texto foi escrito o ano passado depois de ter nevado me Lisboa. Mas creio que hoje está mais actual que nunca.
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18.4.07

Ainda a explorar a montanha...

Já tinha experimentado descer rios em canoa, fazer trekink (senderismo), subir picos nevados. Este fim de semana experimentei a escalada e o snowboard. Gosto de tudo. Quero mais. (clic para aumentar)






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12.4.07

Apontamentos de viagem...

...por terras Lusas.

Voltar a Portugal é, ainda e sempre, um prazer. É, ainda e sempre, um voltar a casa. Voltar à família e amigos. E foi tão bom! Curto, mas absolutamente delicioso. Por falta de tempo e excesso de Km evitei ir a Lisboa, mas tive a sorte que bastantes do Lisboetas mais chegados vageuavam pelo Oeste. Para a próxima há mais.

Apontamentos políticos: parece que com a crise que já se previa (aqui , aqui), as coisas tendem a radicalizar-se um pouco, e os slavadores começam a aparecer. Como vimos de uma democracia (aparentemente) de esquerda começa a ser o tempo de despontar (ou assumir-se) a direita. E está aí p PP e o outro gajo “nacionalista”. O PP deserto para o PSD entrar em convulsão profunda sem a qual não tem margem de progressão. Quiçá apareça o tal Partido Liberal (que será outro PRD. Para quem não se lembra, aquele do Ramalho, que lixou o PS). Enfim, nada de excitante. Pelo menos por enquanto. E felizmente, porque mudar neste caso deve ser para pior . Aliás, o Sócrates está absolutamente ao centro, a fazer aquilo que o próprio PSD também faria. Dá-lhe um imperto de dirigente forte para ver se a coisa tem estabilidade, aparentemente faz algumas reformas, mas no fundo não consegue desfazer aquilo que o Cavaco e o Guterres consolidaram: um Estado despesista, burocrático, monopolizador. E o que seria do país sem um Estado que faz obras públicas e dá empregos e subsídios? Aí é que seria crise a sério, com a classe média em desespero e os portugueses teriam de mostrar o que valem...

Apontamentso filosóficos: Tive a conversa mais filosófica de sempre com a minha irmã. Rapassamso todo o Sámkhya e Vêdanta. A que propósito? Ela move-se no mundo das artes, que como qualquer um sabe, actualmenete não tem sentido. Então, para encontrar um sentido nessa falta ade sentido, nada melhor que recorrer a conceitos “brilhantes” de filosofias orientais (não apenas hindus, mas também o Tao, por exemplo). E com base nesses conceitos agora fala-se em “presenteness”, ou , em português, “presentificação”. Resumindo: as obras de arte já não têm de ter um sentido extra, não têm de querer significar, explicar ou representar nada exterior a si mesmas. Elas “simplesmente são”. Nem que seja uma grande me###! O que eu mais reflecti sobre tudo isto é a necessidade que as pessoas têm de dar sentido extraordinários, absolutamente importantes e “belos” a todo e qualquer ...nada! Nem que seja ao “simplesmente ser”. Ora, se simplesmente é, não é belo, nem importante, nem necessário, nem libertador...nem deixa de ser! Simplesmente é! Mas isso é um discurso contra si mesmo, que se retira valor a si mesmo, e ego algum pode aceitar isso. Qual seria o filosofo que assumiria que a filosofia não serve para absolutamente nada!? Poucos...O mesmo numero de artistas que assumiria qu ea su aobr anão é mais qu eum devaneio pessoal. Não há mercado de arte que se alimente muito tempo desta ideia. “Simplesmente...não é”!

Apontamentos de emigrante: tirar férias para mim é também ouvir e falar português. Mas tenho a impressão que havia tantos espanhóis quanto lusitanos por terras Lusas. Perseguição. E partes deles voltou ao memso tempo qu eue. Na auto-estrada o nosso carro era dos poucos com matricula por tuguesa. Ufa!

Voltar a Gijón é também um prazer. Cada vez mais.
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22.3.07

Espanha: o vizinho em erupção

Espanha

É para mim difícil falar de Espanha. Primeiro porque Espanha, ao contrário de Portugal, tem realmente diversas regiões. Por exemplo, tem a região de Trás-os-montes, onde eu vivo, que, ao contrário da nossa, é na praia, tem milhões de habitantes, é bastante turística e desenvolvida. Depois porque ao estar dentro de algo perde-se um pouco a perspectiva que permite “ver” a coisa. Além disso mudanças pessoais como a que eu fiz são de tal envergadura que eu próprio ainda me estou a conhecer nesta transformação quanto mais querer saber e declarar sobre todo o meu entorno!

Dizem que quando mudamos de cidade demoramos cerca de 6 meses a um ano em processo de readaptação. Não sei se será. A mim parece-me que a adaptação ao meio nunca está absolutamente perfeita e completa, quanto mais quando fazemos mudanças profundas e deixamos família, amigos, língua materna, profissões (agora sou um empresário responsável pela primeira vez na vida rsrsrs) mais longe e assentamos para integrar em um contexto completamente novo partindo quase do zero! Ainda mais sendo europeu e português de classe média, com a vidinha bastante confortável que eu sempre tive. O imobilismo foi precisamente uma das coisas a que eu quis desapegar-me, mesmo tendo em conta que nem me considero nem muito apegado, nem muito imóvel. Para um português! Na realidade mesmo em Portugal já vivi em tanto local, com muita gente diferente, com amigos espalhados pelos mais diversos locais, estudei em varias escolas e exerci diversas profissões em variados locais! Na realidade já mudei várias vezes muita coisa na minha vida, sempre com alguma facilidade e constatando que sempre que mudei cresci. E até tenho gosto de mudar! A certa altura pensei mesmo que estava compulsivamente apegado à mudança! Não deixa de ser engraçado, que tenha mudado outra vez com intenções de...estabilizar! Enfim, é mais um daqueles paradoxos que nos trespassam a todos.

Mas, falando de Espanha...

Poderia começar por dizer que a cultura é, basicamente, a mesma que a portuguesa. Mas mais crispada. Eles são latinos. Mais latinos que nós no que isso tem de sair e viver socialmente na rua. Sair para comer, beber e drogar-se sem pensar no amanhã. E mais latinos em geral, na agressividade do trato, no falar alto, discutir, no apitar, gesticular, nas rebeldias genéticas inconsequentes, no inconformismo total e totalmente conservador, na entrega a ideias utópicos, no culto às manifestações de insatisfação...manifestações de insatisfação...sim , creio que o que melhor define o espanhol (quiçá o ser humano! Quiçá o ser vivo!!) é a insatisfação e a forma como a vive e expressa.

Comparado com os portugueses eles são menos..consensualistas, digamos assim. Em Portugal a política é essencialmente centrista exercida através de um o estado centralizado. Lisboa é cada vez mais o centro. A passagem à democracia foi suave e não deixou grandes marcas (exceção feita ao processo colonial, mas que não constitui nenhuma divisão para o país) e até a ditadura foi consubstanciada no imobilismo do povo que se revelou ao não derrubar aquela até os militares a fazerem cair de podre! Os jornais são essencialmente moderados e universais, com colunistas e jornalistas de todos os quadrantes e uma linha editorial que pretende estar bem com todos. Enfim, parece-me que o português médio, essencialmente, não quer brigar. Não sei se é o tamanho, se é hábito, se é medo ou simples genética. Talvez tudo isso um pouco. Pois o espanhol é um pouco mais brigão. E há bandos. A direita e a esquerda, mesmo sendo ambos essencialmente centristas e sedentos do mesmo poder, são realmente direita e esquerda, bandos bastante diferençados. E os jornais acompanham (quase assumidamente) esses bandos, permitindo-se cada um ter os seus clientes em cada lado e ao mesmo tempo acirrando ainda mais as rivalidades. Por um lado, para mim tão habituado ao consensual centrismo, não deixa de parecer sectarismo, mas por outro lado compreendo que é esse sectarismo que estimula a vida publica, a democracia, a economia, etc. Até ver...

Uma cicatriz que teima em não sarar...

Aqui há uma cicatriz muito longe de sarar e omnipresente em tudo: a guerra civil espanhola! Uma das mais violentas de um século xx violentíssimo. Famílias contra famílias. Muitos ainda vivos com marcas desses tempos e do franquismo que se seguiu. Na base de quase toda a crispação está essa ferida ainda aberta. O Franco bem tentou unir tudo, mas não conseguiu e não durou para sempre. E os custos com que os fez são ódios e ressentimentos profundos. Um desses ódios chama-se ETA. Começou por ser anti-fachista (com apoio e conivência até de França e EUA ), para logo adoptar esquerdismo anti fachista e um nacionalismo cuja mitologia tem apenas uns poucos séculos. Esquerdismo e nacionalismo juntos são um a combinação do mais assustador e acabam por resistir a tudo numa mistura de rebeldia e teimosia do mais conservador possível. É assim porque é assim. E não importa que a ditadura tenha acabado, que os nacionalismo tenham morrido em todo lado com a segunda guerra mundial e que o esquerdismo tenha derrocado em 1990 com o muro de Berlim. A ETA dificilmente se sublimará em processo político pois a sua gênese é a violência, alimentada pelo sempre febril inconformismo e insatisfação de juventudes rebeldes que a todas as causas aderem se lhe as colocarem bem à mão. E a ETA é o centro nevrálgico da vida pública espanhola (além do futebol, claro está). Foi o medo da ETA que permitiu uma transição suave e consensual da ditadura para a democracia (que deixou muitos sentimentos por desenterrar), voltando uma monarquia democrática. Foi a ETAque permitiu uma união dos dois principais partidos espanhóis (PSOE e PP) em torno das questões básicas de desenvolvimento politico-económico. E é a ETAque agora (agora que em Espanha se vive melhor que nunca sendo um país sem grandes problemas sociais e um dos mais ricos do mundo, e sem dúvida um dos mais em moda) ameaça com os seus fantasmas voltar a um passado terrífico! O fantasma de uma nova guerra civil! Parece drama, mas não é um drama totalmente descartável...

Estando a Espanha a viver um apogeu de desenvolvimento económico (ou pelo menos financeiro) sobrou um único tema de luta política: ETA! E tudo o que a envolve. Processo de paz (fracassado mais uma vez, após uma grande esperança de êxito); atentados com mortos; vitimas e familiares do terrorismo; nacionalismo e regionalismos autonômicos. E a isso tudo agora se soma o medo do terror islâmico e as vagas de emigração, que aqui são de ex-colónias das américas, romenos, sub-sarianos, chineses e outros orientais, e sobretudo árabes. Muitos árabes. Pois bem, se até há pouco tempo o combate ao terror era o factor de união política agora é o epicentro de todas as rivalidades, dentro dos próprios partidos democráticos, e principalmente entre o PP e o psoe.

Suspeições e teorias conspirativas

Tudo deflagrou nas últimas eleições em cujo o atentado do 11 de Março foi protagonista. O PP parecia ir em vantagem . Aconteceu o ataque. Primeiras culpas para a ETA. Em poucos dias as culpas derivaram para o terror islâmico. PP em desgraça por ter levado a Espanha para o Iraque e ter tentado inculpar a ETA. PSOE ganha. O PP não consegue assimilar a derrota. Instala-se uma teoria da cosnpiração sobre o 11 de Mraço. Cosnpiração que aponta para uma mistura de ETA, e terroristas islâmicos e ex-GAL (grupo terrorista anti-ETAdo governo psoe durante os anos 80 que foi um escândalo público ao ser descoberto e julgado no início dos 90), todos à mistura e com conivência de membros do PSOE, supostamente com o objectivo de afectar as eleições e contribuir para a derrota do PP, como de facto veio a acontecer. Facto: a história oficial do ministério público que inculpa uma célula de terror islâmica tem factos muito mal contados que agora no julgamento estão de novo a ser posto ha luz. Facto: dirigentes do PP e do jornal El mundo (de direita) fazem continua propaganda á teoria da conspiração que ganha cada vez mais crentes em Espanha. É assim como a teoria da conspiração que diz que o 11 de setembro nos EUA foi obra da CIA, só que aqui são altos dirigentes políticos que crêem nisso e com eles uma parte significativa da população espanhola. Facto: o antecedente caso GAL, de apenas umas décadas atrás, dá credibilidade a teses da conspiração. A polémica está no ar. E não se sabe onde este circo irá parar.

É este clima político que existe agora, o qual para mim é um filme do qual sou mero figurante, mas que para a maioria dos espanhóis é algo mais. É um drama com matizes de novela dramática venuzuelana. Entre a esquerda e a direita. Entre PSOE e PP. Entre Nacionalistas da constituição e nacionalistas das regiões. Entre País Basco, Catalunha e Galiza por um lado e Castela, Leão e Estramadura (ou seja : Madrid) por outro. Entre os que crêm na teoria da cosnpiração e os que pensam que esses são manipulados por uma alucinação colectiva. Enfim, já nem se discute nada mais que não seja eta-terrorismo-nacionalismos. Talvez porque em quase tudo o resto esteja tudo (muito) bem!

Um país dividido
E essa dicotomia politica também tem as suas correspondentes socio-culturais. Exemplo. Ainda gostam de dizer que este é o pais “cristianíssimo”. Mas também é o país onde os homosexuais se podem casar, onde o aborto se faz sem grandes querelas desde há anos, onde os travestis e transsexuais tem presença assídua na televisão.. Uma famosa atrcriz ao ser entrevistada respode a seguinte pergunt ada seguinte forma. “P: Nos tempos livres gosta de ir à praia ou passera o cão? R: Olhe o que eu gosto mesmo é de foder, mas se não posso gosto de ir à praia”. Imaginam isso em Portugal? Eu não. Mas em Portugal também não é costume dizer “coño”, “hóstia”, “joder” e outras expressões finissímas na televisão. Aqui é normal. Apesar do jet set que aqui existe mesmo a sério, quase todos se tratam por tu, e o você (usted) até soa mal. Sim, é um país monarquico. Mas aqui a familia real é discreta e não ostenta (até porque nao tem o quê). O futuro rei casou-se com uma plebeia divorciada mais velha que ele. E outra princcesa casou-se com um jogador de andebol. A Espanha está na moda. É dos países do mundo mais visitados por turistas e mais procurado por estudantes para os seus Erasmus (não é própriamente para estudar). Há cada vez mais actores e cineastas espanhóis consagrados internacionalmente. Mas nem o Almodovar nem a Penelope Cruz aqui são unanimes. Aliás, são muito menos apreciados que em Portugal, por exemplo. Já o Saramago está nos media espanhóis muito mais frequentemente que nos portugueses. Há uma Espanha modernissima de vanguarda internacional em termos de moda, artes e até economia e tecnologia. E essa convive alegremente com outra Espanha conservadora e tracidicional. Uma tradição que é mais um saudosismo estético que outra coisa qualquer. Um saudosismo estético que os os turistas procuram infuênciados pela literatura (Hemmingway) mas que os Espanhóis cada vez mais deixam para trás na sua corrida pela vanguarda e pelo consumismo tão brutal que aqui existe.Por exemplo: a tourada ainda é uma tradição viva, mas decadente e cada vez mais para turista ver. Aqui a mulher é mais liberada e protagonista que me Portugal e é comum uma senhora citadina nos seus 50 anos fazer topless. Mas ainda é comum os filhos viverem com os pais até se casarem, assim como a “ir às putas” continua a ser uma instituição consagrada para os homens espanhóis. E os niveis de violência doméstica continua a ser dos mais elevados da Europa. Enfim, mais que de contrastes, eu diria que os espanhóis(cada um) e a Espanha constituem um realidade dividida. Mas que anda para a frente.

Factores de desenvolvimento

Além do factor terrorismo há alguns facores que eu acredito serem esseciais para perceber porquê a Espanha cresceu tanto em relação a Portugal. Um é o factor tamanho. Tamanho do país e tamanho do mercado, que é ainda maior se tivermos em conta que a Espanha ainda é referêncial para todo o mundo de lingua castelhana, a segunda mais importante do mundo. Esse tamanho permite as chamadas economia de escala. Por outro lado Espanha está directamente conectada a França, e não é por acaso que quanto mais chegadas a França mais ricas são as regiões espanholas. E há ainda outra derivação do tamanho: aqui existem muitas cidades médias com enter 100.000 e 500.000 habirantes, espalhadas por todo o território e principalmente a norte. E é nessas cidades qu esse concentra grande parte da população que , assim, é tradicionalmente urbana, ao contrário da população portuguesa que até há poucas decadas era essecialmenet rural. É a diferença entre cultura da revolução industrial e uma cultura de agricultura de subsistencia. E isso, creio, explica muita coisa.

E é este o retrato de Espanha que faço e aqui deixo. Gosto. Não recomendo. Não garanto. Mas gosto.

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23.2.07

Estou um montanheiro "de la hostia"!


Lendas

Ultimamente tenho tido umas experiências e acontecimentos quase espontaneos, não planeados e muito agradáveis. Umas belas surfadas, uma ida à montanha fabulosa, uma inesperada e fantástica ida a Barcelona e agora...

Na sexta passada fui com um aluno a uma cidade próxima (cangas de Onis) que na sua "Semana de montanha" trouxe um mito da montanha: Kurt Diemberger. Entre outros factos notórios é o unico gajo vivo que tem dois primeiros oito mil (ou seja, foi o primeiro a subir a dois dos não muitos picos acima dos oito mil metros de altitude).
O certo é que depois da apresentação, dos pedidos de autografos, etc, lá me vi a jantar num restaurante de luxo, com uma comitiva muito restrita onde estava apenas os organizadores do evento, o presidente da Federação asturiana de montanha e o dito kurt! Era oito...e eu , ali caído do céu!

Estou cá um montanhista!

(na foto está o dito kurt na sua foto mais conhecida, com estalagetites na barba. Já lá vão uns 40 anos ou mais...)

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15.2.07

A minha cidade preferida


Barcelona

António, num Domingo, em um dos locais mais turisticos do mundo!

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7.2.07

O meu primeiro pico



Lá fomos este Domingo a mais uma pequena aventura nos Picos. Desta vez no lado Oeste, ainda na cordilheira cantábrica, a cerca de uma hora de casa (na praia!). O desnível não era mais que 400 metros. Teoricamente, pois o percurso pela cresta era a subir e descer vários picos até chegar ao cume (que nem lembro o nome) a exactos 1983 metros acima do mar. O caminho foi o que se vê na segunda foto. A neve cobria tudo a partir dos 500 de altitude. O dia estava lindo, com sol, óptimas vistas, boa companhia...foi perfeito!
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