
Estava a ver hoje no jornal que dentro das 10 maiores empresas cotadas em bolsa há já 3 chinesas !Uma delas em terceiro lugar. Todas de control maioritáriamente estatal-comunista! É a implosão dos paradigmas clássicos. E a tendência parece ser a de que cada vez mais empresas desse país e de outros emergentes, tanto da ásia como da américa do Sul, ocupem cada vez mais postos mais altos neses rankings tão significativos. É um fenómeno que já não é novo e que todos os prognósticos apontam: os epicentros do poder economico, e logo de decisao, estão a mudar de coordenadas. Ou pelo menos a deixar de estar tão centrados na UE e EUA. Isto para um Europeu com gosto em sê-lo como eu (mas sem especial orgulhos) é quase assutador.
Um caso específico é o dos chineses. Para mim é o mais assustador porque que são muitos, são imparáveis e creio que são racistas. E não me parece que haja que esperar muito menos do que os nossos antepaçados fizeram há não muito tempo. Eles não vêm aí, eles já estão aí. Não é só em cada esquina das cidades europeias e americanas, é também nos postos mais altos do jogo politico-economico-cultural. E só estarão cada vez mais, mais fortes, mais mandões. Uma coisa que noto na China é o sentido practico, o senso comum, e o sentido de comunidade. Não sei se é de serem uma civilização tão antiga ou se é um acaso do Confucionismo misturado a Budismo e recliclado pelos modernos comunismos-capitalistas, mas o facto é que ali não há sentimentos de culpa quanto a dinheiro (isso é absolutamente cristão). Ali tudo gira em torno do grupo: a família, a empresa, o partido, o país. E nesse contexto, um contexto d ebiliões, não há hesitações quanto ao uso da pena de morte, que se aplica com toda a naturalidade para que o grupo avance sobre o indivíduo. Individuo?!? Estará presente esse conceito na mente de um chinês? Assustador.
Outro caso é a Índia. Não acho que os indianos (esse invenção tão moderna e europeia) sejam racistas. Esses são piores, são (neo)nacionalistas e com tendência para fanátimos religiosos, por enquanto anti-muçulmano.
O que é pior, nacionalismo racista ou nacionalismo religioso? Tendo em conta que se contam todos em centenas de milhão e que têm bombas atómicas é caso para dizer que "venha o diábo e escolha". Eu ainda simpatizo mais com os indianos...
O poderio económico e cultural que desponta na Índia é um caso curioso, pois não se trata própriamente de um sistema e sim da falta de qualquer sistema. É uma bagunçada total entre tradição e modernidade, entre europeismo e neo nacionalismo hindu, entre “castas à la hindu” e “castas à la europeia” (leia-se classes sociais que se distinguem essencialmente pelo poder material), entre anti-muçulmanismo e um hinduísmo mega multi fragmentado, entre esquerdismos delirantes, burocracias kafkianas e um capitalismo ultra liberal sem preocupaçoes significativas e efctivas para conseguir uma menos díspar desigualdade social, ou um desenvolvimento minimamente respeituso com os parametros ecológicos, numa sociedade ainda muita agrária, de agricultura de subsistência que coabita lado a lado com outra absolutamente urbana e ultra educada e preparada para as novas tecnologias...o que raios é a Índia? Defini-la é quase impossivel, mas é fácil perceber que são muitos e ali está-se a gerar um grande poder.
Outro caso interessante é o Brasil. O Brasil é muito parecido com a Índia, pelo menos na bagunça e impossibilidades de definição. E na estéctica. Mas ali a matriz é tipo cristão, de marca europeia, até ligeiramente portuguesa. Mas ao contrário de todos está no hemisfério sul. Como qualquer nação nova e sem identidade abraça o neo-nacionalismo, mas sem um mínimo de sentido grupal. Como nação jovem que são (neste caso estão mais ou menos no inicio da puberdade) são rebeldes. Contra si mesmo como é óbvio. Divertem-se em delirios de crítica e esperança. Está tudo mal, estão todos mal, o “sistema-poder” é absolutamente desprezivel, há que destruir tudo e todos, por tudo em causa e depois contruir um paraíso qualquer (viva o sonho cristão), que como é óbvio nunca chega, e não vai chegar nunca. Mas pouco a pouco vão crescendo, ficando mais robustos, mais adultos. O clima não lhes favorece só aquela energia á flor da pele que lhes é tão conhecida. Favorece-lhes também, e cada vez mais, a economia, nem que seja ainda pela via agricola e mineral, e isso nada tem de negativo porque por muita inteligência que haja, um homem (e tudo o que mexe) tem de se alimentar (não é a toa que a UE tanto queria defender a sua agricultura a força com a PAC, e que todos estamos no Iraque)). E não é pouco ser o celeiro do mundo, se pensarmos que também já eram (por quanto tempo?) os pulmões, e que ainda se acrescentam as minas, as praias para turismo, e sobretudo uma população jovem, activa, parte dela com um nivel cultural e tecnico muito alto, e uma quantidade de mão-de-obra disponivel que continua em crescendo. Os brasileiros, no seu individualismo exacerbado, não aceitarão nunca sacrifícios em prol do engradecimento comum, mas a sobrevivência nesta selva que é a vida, e que lhes é tão familiar, impor-lhes-á, aos poucos, os sacrificos globais necessários para chegar à vida adulta. Entretanto ainda há muito canarval, mas eles já são uma das 10 maiores potencias do mundo, na minha opinião.
Onde fica, nesta luta de mega potências, o “ocidente” (que se pressupõe do norte), onde fica a nossa querida e velha Europa, onde fica o meu querido e tão afável Portugal? Não sei. Sei que ainda estamos no topo do mundo. Mas um sextuagenário inveja naturalmente um adolescente. Somos mais sábios(?), mas isso fez-nos cínicos. Temos dinheiro e até algum tempo extra para nos apreciar-mos, mas apreciar o quê? O nosso apogeu ou a nossa decadência?
Talvez algum choque derivado de tantos apertos se resolva da maneira mais habitual: uma guerra. A guerra, com bombas atómicas, de hidrógénio e tudo...
Ou talvez isto sejam águas passadas. A nova dimensao virtual esta a construir novos espaços que fazem da globalização que se refere á superficie terrestre um assunto quase ultrapassado. Este novo espaço é elástico e abre terreno a mais vida. O que importa se estamso em Gijón, em São Paulo, em Pequim ou Nova Iorque, se temos uma conexão de alta velocidade a este novo mundo e uma boa habilidade me entendê-lo e nele navegar?
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