26.10.07

Donostia, pintxos, arte e experiências sinistras!


Há cerca de 3 anos, foi em San Sebastian, ou Donostia, que começou o meu périplo pelos estrangeiros que culminou com a emigração.

Já lá tinha estado uma vez, de passagem, com o amigo Jo e com o To Ribeiro, a caminho de Bordéus. Mas foi há três anos, em Dezembro que fui lá pela primeira de várias vezes para descobrir aquela que é para mim uma das cidades mais belas do mundo!

É pequena em habitantes mas grande em encanto. Muito encanto. Ainda mais quando está bom tempo e chegamos em pleno fim de semana final do prestigiado Festival de Cinema de San Sebastian (o 55º) com o movimento que isso trás, inclusivé uma boa dose de estrelas de Hollywood contratadas para dar glamour ao festival. Mas não é só durante o Festival que a cidade tem um certo ar cosmopolita que faz lembrar outras metrópoles dignas desse nome. As fachadas de majestosos edifícios ao longo do rio e suas pontes fazem de facto lembrar Paris. E com mar! E sem parisinos...

Para ter uma idéia o melhor é visitar diretamente a cidade. Senão, pelo menos uma viagem cibernética, atrás de fotos e vídeo ajuda a dar uma idéia. Para mim é das cidade mais bonitas, mesmo conhecendo bastante bem Itália, e outras partes famosas da Europa! A cidade tem encanto. Um encanto que ainda advém da sua fantástica geografia, um encanto que vem de outros tempos, quando a família real ali iam a passar as suas férias de verão. Curiosamente não tem quase nada muito antigo. O Chamado casco antigo, tão típico das cidade espanholas, aqui parece muito mais antigo do que realmente é, pois ainda há não muitos séculos foi tudo destruído por guerra e incêndios, onde aliás os portugueses colaboraram com muito gosto, por motivo da famosa aliança britânica. Enfim, coisas da História.

Estamos em pleno País Basco. E isso é bom. E é mau! É bom porque eu adoro o Cantábrico, com a suas baias, as suas praias, o seu mar e ondas. É bom porque as pessoas são directas e honestas, o que pode dar a parecer que são agressivas, mas não é assim tanto. O outro lado, o mau, tem nome: eta. E o que ela significa: nacionalismo basco. E a Eta-nacionalismo basco tem uma marca principal: esquerdismo nacionalismo que é a mistura religiosa mais perigosa que as alquimias políticas alguma vez produziram. Não vale a pena entrar muito por este assunto, mas ele é omnipresente nesta sociedade. Como eles são essencialmente ricos, pelo menos são os mais ricos de Espanha, não têm muito do que se queixar, acaba por ser esse um dos pouco assuntos políticos na agenda, e por isso também o que ganha cada vez mais destaque. E está presente em quase tudo, desde a língua basca (Eskera) que é utilizada para produzir desentendimentos, sectarismo e discriminação real, até ao “imposto revolucionário” que os esquerdistas da ETA sacam a bem ou a mal das empresas bascas. A coisa vai a tal ponto que o assunto nacionalismo, embora sempre presente, é uma espécie de tabu para uma grande parte da população, principalmente os mais tolerantes ou simplesmente desinteressados nestas questões, que ao não se definirem são imediatamente acusados de direitistas, anti-nacionalistas (como se fosse uma ofensa), e até “chivatos”.

É incrível como pessoas cultas, educadas, amigáveis, se tornam fanáticos perigosíssimos de um momento para o outro ao ser tocado num seu ponto sensível, que neste caso é o nacionalismo basco. Enfim, se acontece até com o yôga porque não deveria acontecer com este tipo de religião?! O certo é que ali não há grande espaço para ser rebelde sem causa. A causa a aderir é mais que evidente.

Voltando ao bom: 1- a beleza geral de toda a cidade. 2- os pintxos!

Dizem que os melhores cozinheiros e restaurantes do mundo são bascos. Salvo exageros vale a pena, principalmente para não vegetarianos, ir até lá só para comer.

Depois ainda aproveitamos à vinda para passar por Gestona, onde passoas a visitar uma das mais famosas escolas espanholas de Yôga. Realmente estava lá. A porta até estava aberta. Entramos, vimos sapatos de gente que estava me sala de aula, tentamos perguntar informações com um individuo que era nitidamente residente do “ashram”e que não parecia nada interessado em estabelecer comunicação, aproveitamos fomos ao WC, passamos pela cozinha, esperamos mais uns minutos e... nada! Ninguém. Sinistro!!!

Seguimos adiante, fomos para Bilbao. E não, não voltei a entrar no Guggenheim, que eu acho interessante a nível arquitectónico mas igualmente insignificante a nível de conteúdos. De todas as vezes que lá fui a obra de arte que mais gostei foi o mega cão feito de arbustos que está fora, à porta do museu!

E Bilbao? Pense em Donostia, é o oposto! Grande, hiper industrializado, zero de beleza e glamour. Se não fosse o museu ninguém lá pararia. É incrível como uma obra solitária pode ser tão influente. Mérito principal do arquitecto. O certo é que o raio da cidade se tornou uma referencia para artistas, e tem realmente um movimento grande nesse aspecto, incluindo até uma zona de galerias etc. Dispensável. Para mim os pinxtos que vi e comi em Donostia superam largamente qualquer obra de arte avaliada em biliões e que fazem passar naquele também caríssimo museu!

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7.10.07

Press-release: perigo, o quarto poder é o primeiro!

Os dilemas da comunicação e informação...

Uma das realidades que mais me tem feito reflectir ultimamente é a questão da comunicação entre as pessoas e a credibilidade da informação! Mais propriamente o “ouvi dizer”, o burburinho, os rumores, as especulações, as fofocas. E em especial esse burburinho que é feito por aqueles que escrevem e falam em jornais, sejam eles televisivos, de papel, ou de zeros e uns, ou seja, os ditos jornalistas e as suas noticias. Interessa-me especialmente estes pois são os que têm mais projecção, mais poder, mais influência. Não só porque dispõem de mais meios, mas também porque estamos predispostos a dar-lhes mais credibilidade. E no entanto...

size:85%;">Desconfio mais de tudo o que se diz e de quem o diz. Não de trata de crer nas teorias da conspiração ou achar que o sistema é mau. Ele é o que é, e creio que a maioria das pessoas se esforça para fazer o melhor que pode e sabe com a mais honestas das intenções, que não sendo quase nunca puras, creio que são, ainda assim, boas. E as corruptelas que distorcem e inventam a informação estão tanto do lado de quem a produz como de quem a consome, até porque o “busilis” da questão é precisamente a interpretação dos ditos factos, neste caso os factos que seriam a substância da informação. E a questão é justamente essa: o que é um facto? Um facto dito objectivo, um realidade que não dependa da interpretação sempre subjectica de uma pessoa, uma verdade absoluta universal...existirá? Creio que não.

Outra questão importante é a avidez das pessoas pelo negativo, seja a critica, a pura maldicência ou mesmo o mórbido.

Qualquer um que se detenha a observar com atenção e profundidade este fenômeno numa qualquer área, nomeadamente aquelas onde nos inserimos profissionalmente, percebe que é fácil ver todo tipo de versões sobre os mesmos factos. Eu observo isso diariamente no mundo do yôga, que eu conheço bem por dentro. E tal como no yôga, fora dele é igual . Na política espanhola e no espectaculo mediático que a envolve isso é fantástico de observar. Aqui há jornais, rádios e tvs dos dois bandos principais (e também os afectos aos grupos minoritários), cada qual em plena campanha permanente pelo seu sector, cada qual dando a sua versão do mesmo mundo, e muitas vezes dos mesmo factos, que lidos em jornais diferentes parecem coisas opostas! Os partidos políticos não apenas sabem que isso é assim. Eles estão metidos por dentro desse jogo, jogam-no como actores informativos (sempre discretos, mais ou menos dissimuladamente), e sinceramente é quase impossível discernir onde começa e acaba a informação, o facto, o informador... O que veio primeiro? O ovo ou a galinha? O facto político ou a noticia política? Eu diria que há factos políticos para além das noticias, mas todos as noticias são factos políticos em si mesmas. Quais os critérios que podem distinguir claramente um programa de informação de um infomercial? Onde começa e acaba o marketing ou a opinião e começa um relato supostamente descritivo, ou até “objectivo”? Como podemos estar sempre cientes de quem financia ou contracta o jornalista, a sua empresa e a sua peça jornalistica? Quais os poderes ocultos que se movem discretamente por trás para nos convencer com informação supostamente independente e até "cientifica"? Não sei. Mas sei que o chamado quarto poder nem sempre é o quarto no ranking misturado e oscilante dos poderes sociais.

Em Espanha é muito interessante observar tudo isto no chamado o “circo da F1”. Não esquecendo que aqui há um bi campeão do mundo a lutar pelo terceiro titulo consecutivo. Some-se a paixão típica do carácter latino do espanhol e temos um verdadeiro espectáculo mediático que ultrapassa muito as corridas, as boxes, as oficinas e fábricas, ou até mesmo o mundo dos patrocínios. Basicamente, e para resumir, os jornais e jornalistas espanhóis são mais espanhóis que jornalistas. E são fanáticos do F. Alonso. E como qualquer fã querem possuir o seu ídolo. Viver um pouco da sua vida. Quiça até influênciá-la! Alguns jornalistas fazem-no, contando à partida que terão milhões de espectadores para embarcarem com avidez e ansiedade nas suas alucinações informativas, muitíssimo mais dadas a especulação pura e dura do que a algum tipo de informação dita objectiva. É muito engraçado: o F. Alonso dá uma entrevista cuidadosamente calculada para não dizer nada polémico, tentando acalmar os ânimos, tudo dentro do ultra politicamente correcto, essa entrevista ás vezes até é reproduzida integralmente, e logo os jornalistas conseguem encontrar uma vírgula, uma expressão ocular, uma pausa mística no discurso (ou uma fonte secreta e nunca comprovada) por onde retiram todo tipo de ilações que transcendem e até pervertem em absoluto o que acabaram de dizer os entrevistados! O curioso é que os títulos, resumos e comentários conseguem dizer o contrário do que o facto-entrevista (que muitas vezes nem sequer existe) queria dizer. O certo é que este espectáculo mediático (nunca melhor apelidado de circo) tem repercussões no desenrolar das próprias corridas e classificações. Como mínimo cria uma expectativa e tensão que afecta os próprios pilotos e suas equipas. Mas claro, se não fosse por tudo isto eles também não teriam contratos no valor de tantos milhões!

E isto nem sequer chega perto da alucinação coletiva e “informativa” do chamado caso Madaleine (ou o da Casa Pia, por exemplo)! Isso sim é esclarecedor quanto à falta de objectividade e doses industriais de interesses insuspeitos e emocionalidade colectiva que inflamam o mundo noticioso, não só pelo lado de quem produz como do lado de quem consome! Tenho visto advogados, médicos e engenheiros a consumir estas histórias como se mais uma novela se trata-se, mais um BB ou “sobreviventes”. Talvez por isso, porque o objectico é diversão e evasão, nem sequer valha a pena parar um momento para pensar: não será tudo um espetáculo informativo que me estão aqui a vender porque sabem que eu quero entretenimento para me alienar um do stress diário? E sim, vender, porque ao contrário do que se pensa os telejornais e outros noticiários pagam-se em forma de custos de publicidade que depois nos cobram aos comprar os produtos no supermercado!

E isto vale igual para tudo. Tanto para as noticias sobre as guerras como para o futebol, as fofocas familiares ou entre amigos. É a questão da comunicação social. Com ênfase no social.

Fico a perguntar-me? Até que ponto confiar? Quantas e quais fontes consultar? Não seria melhor deixar de ler e ouvir noticiários? Afinal de contas, aquilo que realmente for importante eu ficarei a saber mais tarde ou mais cedo. E o restante, os outros 99% de show prefiro deixá-los para ter espaço e permitir entrar (in-) conteúdos realmente formativos (-formação). Ou melhor ainda: practicar yôga, meditar! Conhecimento directo.

No fundo nem é assim tão grave. Quase sempre onde há fumo há fogo. Quase. E apesar de não crer que “a verdade vem sempre ao de cima” creio que uns tempos depois dos ânimos acalmados, já com quase tudo consumado e sem direito ás devidas reparações por eventuais injustiças, o que fica será bastante próximo à substância dos factos. Pelo menos gosto de pensar que a realidade não é total e profundamente esquizofrênica. Ainda assim me interrogo sobre quantas daquelas realidades que hoje consideramos factos históricos “provados”, não serão um conto do vigário que assentou bem. Mas se não é fácil estabelecer bases seguras quanto ao presente o que dizer quanto ao passado?

Nem sei se é para rir ou para chorar. Como sempre prefiro rir das minhas próprias contemplações.
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Pico Uriello Setembro 2007

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3.10.07

Montanhismo - Asturias


Uma das coisas que mais agradável me pareceu nas Asturias foi o acesso privilegiado aos Picos da Europa, que oferecem condições óptimas para quase todo tipo de practicas de (baixa) montanha. Desde logo senderismo (treking) e escalada que são o que mais me atrai, mas também canoagem, espeleologia, etc.

Há pouco mais de um ano atrás tive as minhas primeiras experiências de montanha. Foram os preliminares. A primeira foi uma caminhada até um pico ultra facíl depois de umas 4 horas de caminho fácil que não alcançamos devido á tão característica neblina. Outro pico já um pouco menos acessível onde optamos por não subir os últimos metros porque tinha umas “passagens aéreas” levemente arriscadas que obrigavam a uma cuidadosa e lenta abordagem que colocava em causa o tempo de regresso seguro. Esse foi no maciço oriental, já para os lados da Cantábria. Entretanto fizemos um desfiladeiro "de las xanas", facil, rápido e lindo. Bebi agua do rio e fiquei dois dias de barriga afectada. E finalmente o primeiro pico alcançado, com condições nevadas e um dia lindo, na cordilheira cantábrica (lado ocidental). Foi o primeiro orgasmo.


Há cerca de um mês atrás tive aquela experiência que considero a perda da minha virgindade. Travessia em solitário de dois dias, com pernoita em refugio de montanha (Vergarredonda), em pleno maciço ocidental, partindo dos Lagos de Covadonga para alcançar o refugio após umas 3 horas e subir mais duas horas até ao miradouro dos Ordiales, com uma vista absolutamente magnífica par aum canyon do lado ocidental dos Picos. À volta fiz um desvio a meio caminho, em absoluto solitário, por dentro de um bosque até ao leito de um rio, que atravessei após descanso para banho e comida, e a partir do qual tive de procurar o caminho de saída. Foi mágico. O melhor momento seguido do pior, quando estive cerca de uma hora desviado do caminho certo, perdido por um terreno horrível e em pleno sol tórrido. Foi a minha iniciação. Adorei.

Há duas semanas subimos (eu e a Joana) ao pico mor: Uriello. Impressionante. Nas fotos nem se vêem, mas naquelas paredes enormes e verticais há vários gajos a escalar! O passeio até lá também é bem bonito, e faz-se relativamente bem: 3 horas a subir, duas e meia a descer, desce o ponto de estacionamento já bem dentro e subido na montanha.

Dizem que a montanha vicia. Aqui é um desporto quase de massas e já conheci alguns viciados. Não creio que me vá viciar, mas estou a adorar integrar-me a esta actividade.

Adoro estar lá fora, bem metido dentro dos montes e vales.
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2.9.07

China, India, Brasil e outros epicentros assustadores...


Estava a ver hoje no jornal que dentro das 10 maiores empresas cotadas em bolsa há já 3 chinesas !Uma delas em terceiro lugar. Todas de control maioritáriamente estatal-comunista! É a implosão dos paradigmas clássicos. E a tendência parece ser a de que cada vez mais empresas desse país e de outros emergentes, tanto da ásia como da américa do Sul, ocupem cada vez mais postos mais altos neses rankings tão significativos. É um fenómeno que já não é novo e que todos os prognósticos apontam: os epicentros do poder economico, e logo de decisao, estão a mudar de coordenadas. Ou pelo menos a deixar de estar tão centrados na UE e EUA. Isto para um Europeu com gosto em sê-lo como eu (mas sem especial orgulhos) é quase assutador.

Um caso específico é o dos chineses. Para mim é o mais assustador porque que são muitos, são imparáveis e creio que são racistas. E não me parece que haja que esperar muito menos do que os nossos antepaçados fizeram há não muito tempo. Eles não vêm aí, eles já estão aí. Não é só em cada esquina das cidades europeias e americanas, é também nos postos mais altos do jogo politico-economico-cultural. E só estarão cada vez mais, mais fortes, mais mandões. Uma coisa que noto na China é o sentido practico, o senso comum, e o sentido de comunidade. Não sei se é de serem uma civilização tão antiga ou se é um acaso do Confucionismo misturado a Budismo e recliclado pelos modernos comunismos-capitalistas, mas o facto é que ali não há sentimentos de culpa quanto a dinheiro (isso é absolutamente cristão). Ali tudo gira em torno do grupo: a família, a empresa, o partido, o país. E nesse contexto, um contexto d ebiliões, não há hesitações quanto ao uso da pena de morte, que se aplica com toda a naturalidade para que o grupo avance sobre o indivíduo. Individuo?!? Estará presente esse conceito na mente de um chinês? Assustador.

Outro caso é a Índia. Não acho que os indianos (esse invenção tão moderna e europeia) sejam racistas. Esses são piores, são (neo)nacionalistas e com tendência para fanátimos religiosos, por enquanto anti-muçulmano.

O que é pior, nacionalismo racista ou nacionalismo religioso? Tendo em conta que se contam todos em centenas de milhão e que têm bombas atómicas é caso para dizer que "venha o diábo e escolha". Eu ainda simpatizo mais com os indianos...

O poderio económico e cultural que desponta na Índia é um caso curioso, pois não se trata própriamente de um sistema e sim da falta de qualquer sistema. É uma bagunçada total entre tradição e modernidade, entre europeismo e neo nacionalismo hindu, entre “castas à la hindu” e “castas à la europeia” (leia-se classes sociais que se distinguem essencialmente pelo poder material), entre anti-muçulmanismo e um hinduísmo mega multi fragmentado, entre esquerdismos delirantes, burocracias kafkianas e um capitalismo ultra liberal sem preocupaçoes significativas e efctivas para conseguir uma menos díspar desigualdade social, ou um desenvolvimento minimamente respeituso com os parametros ecológicos, numa sociedade ainda muita agrária, de agricultura de subsistência que coabita lado a lado com outra absolutamente urbana e ultra educada e preparada para as novas tecnologias...o que raios é a Índia? Defini-la é quase impossivel, mas é fácil perceber que são muitos e ali está-se a gerar um grande poder.

Outro caso interessante é o Brasil. O Brasil é muito parecido com a Índia, pelo menos na bagunça e impossibilidades de definição. E na estéctica. Mas ali a matriz é tipo cristão, de marca europeia, até ligeiramente portuguesa. Mas ao contrário de todos está no hemisfério sul. Como qualquer nação nova e sem identidade abraça o neo-nacionalismo, mas sem um mínimo de sentido grupal. Como nação jovem que são (neste caso estão mais ou menos no inicio da puberdade) são rebeldes. Contra si mesmo como é óbvio. Divertem-se em delirios de crítica e esperança. Está tudo mal, estão todos mal, o “sistema-poder” é absolutamente desprezivel, há que destruir tudo e todos, por tudo em causa e depois contruir um paraíso qualquer (viva o sonho cristão), que como é óbvio nunca chega, e não vai chegar nunca. Mas pouco a pouco vão crescendo, ficando mais robustos, mais adultos. O clima não lhes favorece só aquela energia á flor da pele que lhes é tão conhecida. Favorece-lhes também, e cada vez mais, a economia, nem que seja ainda pela via agricola e mineral, e isso nada tem de negativo porque por muita inteligência que haja, um homem (e tudo o que mexe) tem de se alimentar (não é a toa que a UE tanto queria defender a sua agricultura a força com a PAC, e que todos estamos no Iraque)). E não é pouco ser o celeiro do mundo, se pensarmos que também já eram (por quanto tempo?) os pulmões, e que ainda se acrescentam as minas, as praias para turismo, e sobretudo uma população jovem, activa, parte dela com um nivel cultural e tecnico muito alto, e uma quantidade de mão-de-obra disponivel que continua em crescendo. Os brasileiros, no seu individualismo exacerbado, não aceitarão nunca sacrifícios em prol do engradecimento comum, mas a sobrevivência nesta selva que é a vida, e que lhes é tão familiar, impor-lhes-á, aos poucos, os sacrificos globais necessários para chegar à vida adulta. Entretanto ainda há muito canarval, mas eles já são uma das 10 maiores potencias do mundo, na minha opinião.

Onde fica, nesta luta de mega potências, o “ocidente” (que se pressupõe do norte), onde fica a nossa querida e velha Europa, onde fica o meu querido e tão afável Portugal? Não sei. Sei que ainda estamos no topo do mundo. Mas um sextuagenário inveja naturalmente um adolescente. Somos mais sábios(?), mas isso fez-nos cínicos. Temos dinheiro e até algum tempo extra para nos apreciar-mos, mas apreciar o quê? O nosso apogeu ou a nossa decadência?

Talvez algum choque derivado de tantos apertos se resolva da maneira mais habitual: uma guerra. A guerra, com bombas atómicas, de hidrógénio e tudo...

Ou talvez isto sejam águas passadas. A nova dimensao virtual esta a construir novos espaços que fazem da globalização que se refere á superficie terrestre um assunto quase ultrapassado. Este novo espaço é elástico e abre terreno a mais vida. O que importa se estamso em Gijón, em São Paulo, em Pequim ou Nova Iorque, se temos uma conexão de alta velocidade a este novo mundo e uma boa habilidade me entendê-lo e nele navegar?
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20.8.07

Liberdades no software...


Ubuntu

Pois lá me atrevi a deixar as “janelas” e rumar a um mundo de bits dito mais livre. O conceito é filosóficamente atraente e actualmente é viável (ou seja fácil) até para um gajo de conhecimentos sobre informática reduzidos o poder adoptar. Pelo que todos dizem o sistema é mais estável, mais avançado, mais atraente, mais funcional...é só vantagens! Pelo menos gratuito é. Até agora confirmo: estou satisfeito.

Sim, estou a operar através de Linux, mais própriamente Ubuntu, versao 7.04., o qual já configurei para ter um aspecto d e”mac” muito porreiro. Esta é distribuição mais acessivel e que está a provocar uma pequena revolução no mundo do softwar doméstico (no profissional a implementação massiva de sistemas Linux já não é de agora).

Sugiro a todos que pelo menos espreitem esta possibilidade. nem que seja porque mega monopólios não são bons para o ocnsumidor a porqu eo BG já está a ficar chateado por ter demasiado dinheiro...

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Coisas de emigrante.....

Férias

Pois lá se passaram mais umas benditas férias na terrinha. Ou melhor:nas terrinhas. Umas semanas é pouquissímo para...reviver a sempre bela e leal Lisboa, e as "provincias": Alcobaça, Nazaré, Vila do Conde. E Porto! E mais... E ainda(como nos concursos de TV) pela respectiva familia e amigos cada vez mais disperos. Para matar todas as saudades que queria precisava de muito mais tempo. Para juntar a isso descanso precisaria de uma eternidade!

Entretanto já voltei. Cá estou vez em terras castelhanas, que aos poucos também vão sendo minhas.

Um ano novo aproximase, e os anos têm de contar-se óbviamente em trabalho. Trabalho...Creio que este ano vai ser ou de plena consolidação, ou de perfeita ruptura. Seja o que for espero o melhor, óbviamente sem me preparar para o pior. Que raios, não vejo nada de muito grave que possa acontecer! Continuamos (o mundo) em pleno apogeu de crescimento economico e respectivo bem estar e paz social, por isso o mais grave que se passa por estas paragens (a Europa) é ficar angustiado com tantas facilidades...

Aos amigos que me lêm desejo um ano cheio de realizações positivas.
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13.6.07

Confissões de um labrego....

Coisas de homens

Sempre gostei de construção e técnica.Desde agricultura a maquinaria pesada.Há uns anos atrás...

...(quase 15!!!) obcessionei-me com as pranchas de surf. Queria saber tudo sobre elas. Comprava revistas, falava com shapers, media as pranchas, projectava novas ...Depois, pouco a pouco e nem sei bem como (acho que o marketing resulta mesmo) deixei-em seduzir pelo mundo automóvel. Não só a engenharia, mas também o design e comercio. É estranho, pois embora goste muito de conduzir, gastar dinheiro num carro não estaria entre as minhas primeiras 10 opções. Entretanto tenho substituido essa pequena obcessão-hobby pelos computadores e tudo o que tem a ver com informática, area em que ainda estou muito longe de acumular a erudição das outras esferas anteriormente mencionadas.

O mais divertido é que desde que há canais temáticos de cabo, nós homens fomos finalmente agraciados com programas feitos há nossa imagem e semelhança. Desde logo programas sobre construção e maquinaria. E eu cada vez mais me assumo com um verdadeiro labrego que adora gastar o seu tempo vital a curtir esses programas. Desde o fantástico "Mith Bhusthers" ou o “Dirty jobs”, passando pelas “Grandes construções” e indo directinho até aquilo que chamaria a telenovela perfeita para um homem (sim, dos que não tem vergonha de sê-lo): “Overhallin” e “American Chopper”, cada um deles com as suas imitações.

Pois o Overhallin é simplesmente genial: roubam um carro antigo a um estado-unidense qualquer, fazem-no passar uma semana a sofrer, e depois dão-lhe uma supresa brutal com a sua lata velha totalmente remodelada e trasnformada num clássico-moderno, sob a direcção de um artista absolutamente genial chamado Chip Foose.

E embora eu goste mais de carros (embora também tenha licença de mota) tenho de convir que este genero televisivo alcançou o auge com um reality-show de motos: American Chopper. Básicamente é uma telenovela. Só que é a telenovela perfeita. É real. Absolutamente real. E ainda é sobre motos! Consiste em seguir a fabricação de motos artesanais de uma pequena (entretanto famosa e grande devido ao programa) empresa da area de NY: Orange County Choppers. O mais interessante nem é a engenharia. Nem sequer as motos absolutamente incriveis que eles fabricam. O delicioso são as discussões familiares entre pai e filhos, e entre estes, que são reais e assumidas com toda a naturalidade. É divino. Ou pelo menos divertido.

E pronto. É só isto. Assumi-me. Sou um labrego. E gosto!!!

(P.S. Depois disto, se alguma vez for o caso, deve ser fácil assumir ser gay!!!)

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28.5.07

Não acredito em milagres mas...

Espanha e finanças

Não acredito em milagres. Mas sim que a sorte (o imponderável, o acaso) tem um papel importante na Vida. Diria que um terço da nossa vida aí se enquadraria.

Há vários factores que podem explicar a situação economico-fiannceira espanhola deste momento. Alguns já abordei antes aqui. Nomeadamente:1-o factor tamanho. Tamanho do país e tamanho do mercado, que é ainda maior se tivermos em conta que a Espanha ainda é referêncial para todo o mundo de lingua castelhana, a segunda mais importante do mundo. Esse tamanho permite as chamadas economia de escala. 2- Por outro lado Espanha está directamente conectada a França, e não é por acaso que quanto mais chegadas a França mais ricas são as regiões espanholas. 3- E há ainda outra derivação do tamanho: aqui existem muitas cidades médias com enter 100.000 e 500.000 habiantes, espalhadas por todo o território e principalmente a norte. E é nessas cidades qu esse concentra grande parte da população que, assim, é tradicionalmente urbana, ao contrário da população portuguesa que até há poucas decadas era essecialmente rural. É a diferença entre cultura da revolução industrial e uma cultura de agricultura de subsistencia.

Ainda poderia reparar que a Espanha não gastou balurdios em guerras coloniais perdidas à partida. E que é um país na moda e com sol e que dá rende muito dinheiro em Turismo...

Ainda assim, há coisas que alcançam o inexplicável.

Pelo terceiro ano ocnsecutivo vai haver uma situação de superavit na execução orçamental! Sim: superavit. O contrário daquele defict que Portugal luta há muitos anos para conter nos -3% que acordou (como pior cenário possivel) ao aderir ao Euro. Defict que significa dívida, que mais tarde ou mais cedo alguém tem de pagar! E não se consegue isto por contenção nas despesas do Estado. O que se passa é que a economia está a render mais. Cada vez mais. E mais que as previsões. Tanto que já reviram em alto (outra vez) as previsões de crescimento para este ano. E o desemprego está a bater minimos históricos para Espanha (ronda os 8%). E a Espanha não tem petroleo (mas tem industria petrolifera)nem grandes minas...

Mesmo que este autentico esplendor financeiro não tenha correspondência numa tão grande solidez economica (o desiquilibrio da balança comercial agrava-se)não deixa de ser admirável. Incrivel mesmo! E inexplicável. pelo menos para mim...

(Claro que para os espanhóis, principalmente os que são da oposição, está tudo mal...)



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7.5.07

Pontos de vistas, crenças e manifestos religiosos....

Ecologia II

Prometi a um desses amigos partilhar “factos cientificos” que corroborem o meu rechaço e descrença geral a este ecologismo emocional e religioso que se impõe no mundo...

Sempre fui bastante curiosos e desconfiado. Sou pouco dado a crenças, sejam elas “teístas medievalistas”, dos “positivistas-cientistas”, ou até do yôga, que supostamente nao deveria ter doutrinas nem dogmas alguns...Tenho um senso critico feroz, até para mim mesmo, e não resisto a um bom contraditório, quanto mais dialético melhor. Para bem ou para mal detecto com facilidade as explicações fácéis, os “argumentos “ emocionais”, o radicalismo e sectarismos ideológicos de qualquer causa. Sou um realtivista absoluto. Um realista. Um cinico, que se julga sempre certo a si mesmo até prova em contrário(ou seja, até se convencer do contrário), contra tudo e todos se tem de ser. Um...Antonista! E esse individualismo naturalmente coloca-me problemas de inserção e colaboração com quase todos os grupos e seus ismos. Desde amigos, familia, futebolite, nacionalismos, yôgismos, etc.

Por outro lado, ser descrente não implica ser “anti”. Sou bastante tolerante com as religiões, sejam elas assumidas ou não. Os ismos, desde que nao me acossem descaradamente, até dão bastante colorido ao meu mundo. Permito-me até colaborar com algum que goste mais. Ou que desgoste menos...

Isto a propósito do quê?

O último tópico, sobre esse novo ismo, o ecologismo, levantou algumas criticas, muito agradáveis, de alguns amigos, básicamente acusando-me de ser leviano, de recusar factos “unanimemente” aceites(?!), nomeadamente factos “cientificos” “provados”, etc. Ou seja, de ter a mania! (e estão certos! Rsrsr)

Pois bem, aceitei o reto. Prometi a um desses amigos partilhar “factos cientificos” que corroborem o meu rechaço e descrença geral a este ecologismo emocional e religioso que se impõe no mundo. Como não tenho pretensões a ser salvador, diferente ou original em nada suponho logo que o que penso deve já ter sido pensado. Básicamente “provamos” e refutamos com “evidencias” aquilo em que já determinamos préviamente. Basta buscar e acabamos por encontrar aquilo que queremos. Ou seja, aquilo me que cremos. Pus-me a buscar e bastaram-me 10 minutos de busca na internet, mais umas horas divertidas a ouvir contraditórios...

Aqui os partilho:

1-O manifesto politico-religioso (baseado me factos “cientificamente provados” pela imensa maioria da “comunidadae cientifica”) do Al Gore. Uma verdade incomoda, que já tinha publicitado aqui.
2-O contra manisfesto, aparentemente motivado por puro sentido critico, e também absolutamente suportado por factos “cientificamente provados” pela imensa minoria da “comunidadae cientifica”.
3-O contra-contra manifesto, também provindo e suportado por “cientistas” e pela “ciência
4-
E mais um manifesto(só vi meia hora) para quem se quiser divertir um pouco mais...
5- E ainda mais outro manifesto...

Tudo muito interessante. Muito interessante acerca da questão do aquecimento global, assim como acerca do que é, de como é e de quem faz “ciência”, ou não...

Só relembrando: eu pró ecologia. Uma ecologia racional, pró-homem. Sou pró uma gestão inteligente dos recursos do nosso ecossistema favorável à humanidade. E a ecologia e os problemas que ela abarca vão muito além da questão do aquecimento global.

E por falar nisso: muito mais fulcral que a questão do CO2 e do aquecimento global é a gestão das florestas, da agricultura, do uso da água, etc. Por isso, o vegetarianismo é uma questão muito mais importante a nivel ecologico. Aqui deixo um documento excelente para compreender a questão. Por partes: 1 2 3 4 5 6

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