3.5.08
24.4.08
O consumismo, o Porto, a crise, filosofias de Vida...
O Porto e a suposta crise
Até há 30 anos Portugal era um país essencialmente atrasado, ainda muito rural. Era pobre. O nível de alfabetização era muito baixo e o de alcoolemia era alto. Muita gente vivia da hortinha que tinha atrás de casa, ou na casa do patrão. Alguns sobreviviam como operários de fábricas que na sua grande maioria tinham surgido nos anos 60, a quando a nossa primeira e minúscula revolução industrial. Os nossos pais nasceram ainda no tempo da “outra senhora”, quando o regime dizia que éramos “pobres mas dignos”, e estávamos “orgulhosamente sós”. O banco era debaixo do colchão. A maioria dos nossos pais não chegaram ás universidades e não se tornaram profissionais liberais, muito menos empresários. Mas chegaram lá muitos mais que os nossos avós. E muitos operários fabris, já depois do 25 de Abril, abriram as suas próprias fábricas, com as quais geraram rápidos e volumosos lucros, com os quais compraram Mercedes e casas de praia. E o regime altamente centralizado do Estado Novo preparou o caminho a um Estado burocratizado que pouco a pouco, e muito no pós 25 de Abril, criou muitos empregos estáveis e medianamente bem pagos na função pública, que inchou sem freio. Alguns dos nossos pais emigraram, ou foram à guerra colonial, mas a maioria safou-se, voltou, e Portugal esteve pelo menos uns 25 anos seguidos em crescimento económico sustentado, desde 1975 a 2000, e principalmente de 1986 a 2000, com os biliões e biliões que chegaram da UE com os quais nós devíamos ter preparado para o mercado comum da Europa e global. Bem, os nossos pais passaram dificuldades, queixavam-se, mas foi sempre a subir, cada vez melhor. Cada vez mais emprego, pensões, subsídios e serviços sociais (que se substituíram ao suporte familiar, que como instituição decaiu). E nós só vimos isso, o cada vez melhor, cada vez mais fácil, cada vez mais, mais, mais. Mais férias no estrangeiro, mais roupa, mais comer fora, mais carros, mais casas de praia, mais telemóveis, mais sair à noite para consumir drogas e conviver, mais, mais, mais e mais!
Pois, tudo vai mais ou menos bem, em festa mesmo, quando está a crescer, a subir.
Mas nós, a geração MTV, a geração “rasca” segundo alguns, porque já não temos ideais e interesses políticos e só queremos é “foder”, assumimos que ter lugar na universidade, seja numa publica ou privada, era um direito, algo óbvio, que os pais pagam. Acostumámos-nos a pensar que sairíamos de casa dos pais para a casa que os nossos pais nos dariam. Nós habituámos-nos a ter dinheiro para gastar desde cedo, desde os 5 ou 10 anos, que os pais e avós dão, gratuito, no Natal e aniversário, e nas visitas de fim de semana, e porque sim. A escola e o hospital é gratuito, o Estado, "o papão", tem o dever se assegurar (mesmo que nos escapemos aos impostos). Habituámos-nos a receber sem ter de lutar por isso, a ganhar sem suar. Sem responsabilidade. E talvez por isso adoptamos com tanto gosto a cultura do gastar fácil e rápido, sem receio de ficar sem, sem pensar em poupar. Habituamos-nos a uma cultura americana, de fast food. A consumir e deitar fora, comprar novo, acumular, comprar mais. O consumismo é a nossa filosofia de Vida. Consumir bens, serviços, sensações, “estados de consciência”, etc...
Mas a festa acaba. A festa tem conta. O consumo tem preço. A cobrança vem, mais tarde ou mais cedo, de palitó ou à bruta.
Bem, a Europa e o mundo globalizou-se, as empresas não se modernizaram ou reconverteram como deviam, as poucas novas que surgiram não chegam para empregar a todos, o dinheiro da EU diminuiu, a concorrência aumentou ainda mais, não só dentro da Europa mas sobretudo fora, contas do Estado foram obrigadas a ser levadas com mais rigor e o Estado não pôde continuar a empregar mais gente, nem sequer a pagar subsídios e pensões para tudo e todos.
Entramos em crise. Mas continuamos a consumir como uns loucos.
O país mudou-se para as cidades mas em muitos casos continuam com mentalidade rural e ainda há muita gente deslumbrada por um consumo fácil cujo crescimento parecia não ter fim. E trabalhar que é bom nem gostamos, nem o fazemos bem, nem há suficiente. E consumimos muito mais do que produzimos.
Até agora o desenvolvimento do país, e principalmente o consumo, foi financiado primeiro pelo dinheiro dos emigrantes, depois pelos subsídios vindos da UE (que nos comprou o mercado) e depois pelas poupanças dos avós, os ordenados dos nossos pais de classe média estável (o Estado) e entretanto também pelo crédito. O crédito fácil, aparentemente barato, subvencionado pelo Estado, mantido com juros baixos à força de políticas macro-económicas, o crédito diluído por 50 anos, misturando o crédito da casa, carros, computadores, LCD´s de 42”, férias, roupas, e outras coisas essenciais, tal como o 20º par de sapatos, ou a 10 carteira (que rosa choque para combinar com os sapatos do ultimo baptizado não tinha), e outros coisas essenciais sem as quais não se pode viver.
Os emigrantes já não mandam dinheiro. Agora são outros emigrantes que o mandam para fora. Os subsídios da UE vão diminuindo. As poupanças dos avós estão em vias de desaparecer ainda antes dos próprios. Os ordenados dos papás estão a encolher e com os créditos completamente no limite. E os créditos sobre créditos, para pagar os próprios créditos, são uma ilusão, que mais tarde ou mais cedo nos abeiram ao abismo. E o abismo está aí. Neste momento os nossos créditos, ou seja, o nosso consumo, paga-se com base em créditos que os nossos bancos fazem no estrangeiro, porque já nem os bancos estão com grande liquidez. Uma crise financeira global era mesmo o que nos vinha a calhar bem! Será que é desta que vamos passar a viver do que produzimos, do dinheiro que nós ganhamos, daquilo que realmente criamos?
Mas o pessoal, que se queixa de tudo e até de coisas que ainda não aconteceram, continuam a consumir como loucos, como senão houvesse problemas, como se os problemas se resolvessem como antes, com a prenda de natal da avó, com um subsídio mais vindo da UE.
O Porto, a área metropolitana do Porto, que neste momento liga todas as aldeias e vilas no raio de 50 Km, e já tem quase 3 milhões de habitantes (ainda um pouco menos que a área metropolitana de Lisboa), e o que se ali passa é sintomático do que se passa no país.
Vai abrir mais um mega centro comercial na região, mesmo colado ao Ikea, que por sua vez é gigante e veio para acabar com as poucas marcas e lojas de moveis que ainda havia na região. Mas já havia cerca de uns 10 centros comerciais, todos grandes ou gigantescos. O maior deles está a pouco mais de um Km deste novo que vai agora abrir. Estes novos mega shoppings têm muitos mais lojas que o Porto tinha antes, até há 15 anos atrás. Mas não têm proporcionalmente mais empregados. E sobretudo têm muito menos donos, pois a maioria são franchising internacionais que se repetem iguais em cada um dos shoppings de Portugal tal como de qualquer outro país similar. E a maioria desses franchising são estrangeiros, pelo que a única coisa que aumentou, os lucros de cada loja, revertem na sua grande parte para uns poucos donos estrangeiros. Os portugueses ficam com os empregos a prazo de 6 meses com ordenado mínimo (co-subsidiados pelo Estado para parecer que temos baixo desemprego). E o mais ridículo é que há muita gente que está satisfeita com isso!
O comercio nas ruas do Porto, senão fossem os cafés-taberna, os chineses e as putas, já tinha desaparecido por completo. A ultima vez que ali fui, naturalmente fui a um desses shoppings. Que remédio, não há gente e actividade em mais lado nenhum! Estava tudo cheio e a gente que consumia como sempre, freneticamente. Não era Natal. À noite iriam fazer o costume: exibir as compras do dia enquanto consomem drogas em jantaradas, nos bares e nas discotecas, que é o mais comum. Li uma noticia que os portugueses bateram recordes de férias no estrangeiro! Não me pareceu uma região em crise! Mas está.
O Porto está mal, muito mal. A outrora famosa indústria do norte está em profunda decadência., a desaparecer. As poucas empresas portuguesas que ainda restam e as novas que se vão implementando (a maioria são estrangeiras, com delegações em Portugal) preferem naturalmente ter escritórios em Lisboa (quando não em Madrid), mais perto da burocracia do Estado e do centro do país. E a maioria dessas empresas são de serviços ou logística. Não produzem realmente bens materiais, não são indústria. Ora, sem Estado e sem empresas uma região vive de quê, se esta nem sequer é turística?!
Mas os centros comerciais continuam cheios. As pessoas até passeiam por lá. Se não podem comprar pelo menos vêm, e desejam aquilo que não podem comprar, mas gostariam, e invejam. Que lindo. É o efeito FCP: enquanto há circo para entreter não à mal que não se aguente. E viva o Pinto da Costa.
Consumir é essencial. O sistema está feito para consumir. Se não consomes não existes, não participas, não podes descontar impostos... Consumir é absolutamente necessário para fazer o sistema sustentar-se e os portugueses colaboram com prazer nesse “sacrifício”! Mas esquecem-se que para consumir é preciso produzir para gerar riqueza. E como não temos petróleo só resta trabalhar, ser criativos, acrescentar algo.
A festa acabou. Mas ainda ninguém se foi embora. Embora para onde? Voltar a casa? Qual casa, a dos nossos pais e avós, de há uns 15 ou 20 anos atrás? Cair na real? Ressaca? Não. Vou continuar a consumir como se não houvesse amanhã. Quer dizer, como se hoje fosse ontem!
O país está à espera de um milagre. Um milagre de Estado. O Estado, que na nossa cultura é omnipresente, é o culpado por tudo e tem de ser ele a resolver. Ele quer dizer, os “políticos”. Espera-se um Dom Sebastião, um salvador. O Portas e o Louçã contentíssimos, porque quanto pior melhor, mais hipóteses de revolução, de eles terem o seu momento. O país está à espera de um milagre. Mas um milagre que não vai acontecer. Nada vai voltar atrás. E as mentalidade não se vão mudar de um momento para o outro. O consumismo vão continuar a ser a filosofia básica de vida. Ou pelo menos o sonho. Os ricos sê-lo ao cada vez mais, mas serão cada vez menos os ricos. A classe média está aos poucos a deixar de sê-lo, e os portugueses não estão preparados para passar a ser mais criativos, a ter mais iniciativa e ser mais empreendedores, a arriscar mais. Antes emigrar...
Eu emigrei. Eu e cada vez mais amigos que conheço que estão em Londres ou em Madrid a trabalhar mais e melhor, com melhor rendimento. No norte, por exemplo, voltaram também a emigrar muitos pedreiros e empregadas domésticas para Espanha, Alemanha, GB e França, tal como em outros tempos.
Mas curiosamente neste momento questiono-me, não sobre trabalhar mais e melhor, nem sequer sobre a economia portuguesa, que está mal e não melhorar grande coisa nos próximos anos, mas o que me questiono é sobre o sentido destas Vidas cuja filosofia de Vida é o consumo puro e duro. E isso não é um problema Português. Em Portugal só é mais grave porque se pretende consumir sob padrões ingleses e norte americanos com uma produtividade e rendimentos que nem a metade chegam. Eu questiono-me sobre esta filosofia de Vida como uma opção quase global, e sobretudo sobre se é a minha opção individual.
Para que raios é necessário ir às Maldivas passar férias, comprar mais um sofá no Ikea, ou de ter 10 relógiose 25 pares de sapatos?!
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13.4.08
Asturias: paraíso natural

Gijón, cidade desportiva
(o Paraíso natural, as beneces de governos de esquerda, etc)
Hoje de manhã fui levado pro uma amiga a conhecer o “Grupo” Covadonga, que é quase omnipresente na cidade. Tem 37 000 sócios numa cidade de 300 000 (pouco mais que o dobro de Coimbra ou Braga em população, mas num espaço mais concentrado). Familias inteiras são sócias. E não tem futebol! De 11. Dizem que é o maior e melhor clube desportivo e cultural de España. E agora que o vi só posso dizer uma coisa: é o maior e melhor que já vi. Tem duas piscinas, uma de 25 e outra olimpica, mais outras duas mais pequenas no exterior para o verão. Tem equipamentos para quase todos os desportos que existem, incluindo alguns que eu nem sabiam existiram. Tem duas salas com “bulder”, ou seja, paredes de escalada. Só o ginásio de musculação tem dois pisos e cada um é maior que muitas piscinas que eu conheço. Inauguraram recentemente um mega complexo dentro do complexo que inclui desde um mega salão de ginástica olimpica, e até sala para yôga. E uma mega Spa, pois claro, que isso está super na moda. Tem vários parques infantis incluidos. Tem clubes de xadrês e bridge. Tem salas para os estudantes se encontrarem a estudar. Tem cafetaria, restaurante normal e até sidreria, os restaurantes tipicos da região, por forma a que não só os desportistas tenham entertenimento, mas também toda a familia. E em España comer é essencial. Como diriam os espanhóis é uma “barbaridad.”
E o mais incrivel é que isto é apenas uma pequena parte dos equipamentso desportivos e de lazer da cidade. Mesmo ao lado tem um clube, também privado, de hipismo. E outro clube municipal de atletismo, com direito a estádio próprio. E pelo meio tem um clube de piraguismo que aproveita o rio Piles que passa pelo local.
Do outro lado da cidade, o lado que em tempos foi “obreiro” e pobre, tem o outro grande clube desportivo da cidade, também privado. O Clube Santa Olaya. Este tem tradição sobretudo na natação, e talvez por isso também conte com duas piscinas, uma de 25 e outra de 50, olimpica, onde recentemente se celebraram os campeonatos de natação de España. Mas este clube, também com dezenas de milhares de sócios, tem muitas outras actividades desportivas e de lazer, desdes as mais ocnhecidas aéróbicas até ao yôga, claro.
Estes são os dois clubes principais e privados da cidade. Depois há uma quantidade imensa de ginásios espalhados por toda a cidade, mais ou menos grandes, onde se practica de tudo e mais alguma coisa, desde dança a artes marciais, mas que vivem um pouco pior por terem de competir com estas mega instalações e os seus preços baixissímos. Sim porque neste clubes para entrar é preciso ser sócio, esperar vaga por cerca de um ano e pagar cerca de 1000 euros. Mas depois de estar dentro é quase tudo semi gratuito. Cerca de 12 a 15 euros mensais pela maioria das actividades e outro tanto por algumas actividades à parte, como o yôga por exemplo!
12 euros por mês é o que custa o yôga em algum dos 4 centros municipais da cidade, que aliás contam com optimas instalações que permitem aceder a outras actividades mais ou menos pelo mesmo preço. E sim, cada um destes 4 centros municipais, cada um em seu bairro, têm gimnodesportivos polivalentes e piscina de 25 metros, sauna, etc. E pode marcar-se hora na sauna e quase todo lado da cidade, bastando para isso utilizar a “tarjeta ciudadana” num dos muitos pontos electónicos espalhados em rede por toda a cidade, onde aliás também se pode obter bicicletas gratuitas para passear! E a cidade é plana, pelo que a bicicleta ou os patins são meios de locomoção efectivos.
É curioso observar que 75% dos meus alunos são sócios do “Grupo” ou do Clube Santa Olaya, clubes afamados e onde há yôga. Mas vêm há escola pagar cerca de 4 a 5 vezes mais. É um elogio que me fazem. No entanto faz-me pensar no que se passa quando há tanta oferta de serviços sociais, neste caso numa mistura curiosa de publico e privado (e o privado na España, tal como em Portugal, se é grande e influente, recebe muitos fundos publicos). Há yôga por quase todo lado. Além da minha escola existem mais 5, só de yôga (e “afins”). Fora os professores que dão classes nas suas casas, ou em escolas de dança e ginásios, nomeadamente nos dois mega clubes da cidade. Existe yôga semi gratuito nos 4 centros municipais... Para os cidadãos é optimo! Para os profissionais, obrigados a trabalhar a preços baixos, é mau, e faz com que poucos se possam dedicar sériamente ao Yôga, em exclusivo, investindo me formação continua, etc. E isso acaba pro afectar aos usuários. Mas vendo bem as coisas, do ponto de vista geral dos cidadãos, que pouco querem saber de yôga como filosofia, é fantástico.
Isto não é de Espanha, nem se quer da região, pois Oviedo, a meros 20 minutos e considerada uma das cidades da Europa com melhor qualidade de Vida, não tem nem metade destes serviços, nem em quantidade, nem em preço, nem e qualidade. isto é um caso sui generis de Gijón, que parece colher o melhor de uma gestão autarquica de esquerda que aqui reina desde sempre. Gestão politica de esquerda e atitude associativista e reivindicativa do sector privado. A esquerda democrática em países ricos dá nisto! Neste caso, pelo menos. Tenho de convir que, embora como agente económico privado tudo isto seja terrivel para mim, como cidadão de Gijón é uma...“barbaridad”. E o mais curioso de tudo é que nada disto é considerado excepcional ou sequer “bom” pelos utentes. É apenas o “básico”, e ainda assim sentem que estão sempre a ser explorados em tudo, estão sempre a apontar defeitos a tudo, a reclamar e queixar-se de tudo apesar de a esmagadora maioria nem sequer aproveitar 10% do que tem.
Mas não se pense que chegamos sequer a metade da oferta desportiva e de lazer da cidade. Por exemplo, tem o Rocodramo, que é o verdadeiro paraíso para os muitíssimos adeptos da escalada que há nestas bandas. Só um rocodramo? Não. Além deste pricipal (e dos dois que existem dentro do “Grupo”) há muitos adeptos insatisfeitos com a falta de disponibilidade de horários ou simples ganancia por maior grau dificuldade, pelo que há umas 4 ou 5 garajens onde montaram “bulders” privados, para os amigos, nomeadamente um onde eu vou uma ou duas vezes por semana com um aluno meu, aqui bem no centro da cidade. Ora, se pensarmos que no raio de 1 hora há dezenas de locais de optima qualidade para escalada desportiva, temos de convir que não está mal.
Também a menos de 1 hora há duas pistas razoávéis para a practica de desportos de neve: Ski e Snowboard.
Mas há muito mais.
Estão neste momento a aterminar a construção de um enorme centro de talassoterapia, que ainda não funciona e até já ganhou prémios arquitectónicos. Mas como um centro enorme deve ser pouco já estão a preparar-se para construir outro do outro lado da cidade!
E Spa`s há varias em vários hotéis em volta da cidade, como uma que a Joana foi provar há cerca de duas semanas.
Num desses hotéis com Spa tem o campo de golf da cidade...
E ainda há o Clube de Regatas por exemplo, que além de aproveitar o porto desportivo e o mar para as suas actividade tem umas belas instalações mesmo no cento, em Cimadevilla, debruçado sobre o mar e com a sua própria piscina privativa! Mais uma. Há umas 12, pelo menos! Numa cidade voltada para o mar, com 4 praias...
Há também o Palácio de deportes, gimnodesportivo principal onde entre outras actividades labora o Basquetebol, que é uma das 10 melhores equipas do basquetebol espanhol, o que não é mau, sabendo o nivel que o basquetebol tem por aqui.
Com isto tudo quase me esqueço de referir o clube de Futebol local, o Sporting de Gijón, onde há muitos anos esteve o Gomes (do Porto), e que já esteve na primeira Liga e até ia à Europa. Mas aqui os Governos locais não lhe dão tanto $ como em outras partes e agora apenas tenta permanecer na segunda Liga. Mas continua a ter uma boa e fiel claque. E até vai ter o seu estádio reconstruido!
E para além de todos os clubes de tudo e mais alguma coisa, Gijón tem, acima de tudo , um entorno natural absolutamente paradisiaco para desportistas. E absolutamente arranjado e preparado para ser aproveitado gratuitamente.
Tem o mar no centro da cidade, e tudo o que o mar permite, desde travessias a nado entre praias até windsurf. Tem um calçadão maritimo que atravessa toda a cidade à beira mar, de cerca de 6 Km de extensão (só na parte relativa à cidade), e que está sempre cheio, principalmente ao fim de semana, onde muitos aproveitam para fazer o seu passeio higiénico, a pé, de bicicleta ou de patins. Tem 3 jardins enormes de onde partem, se encontrem e entrecruzam “rutas” para desportistas, seja ciclismo, atletismo ou mera caminhada. E sobretudo tem centenas de Km de praias, rios e montanhas onde se practicam quase todos os desportos chamados “naturais” ou de “aventura”, desde surf à escalada, senderismo, piraguismo, espeliologia, quads e motrocrosse, etc.
A cidade nem é muito bonita. Estão agora a tratar das fachadas da marginal e vão reconstruir todo o centro que vai ficar modernissímo. Mas dificilmente alguma vez terá o encanto de uma Donostia ou outras cidades romanticas à beira mar. Mas é uma cidade super agradável para se viver. E nomeadamente a nível desportivo, para quem gosta. E quem não gosta também pode aproveitar a praia e os jardins para fazer o seu desporto de acopanhar o cão (diz-se que 70% das casas têm cães) nas suas 2 ou 3 cagadas diárias. E o melhor é que até apanham a caca. E o que não apanham os serviços autarquicos acabam por limpar. Até parece um país civilizado. Parece mesmo um paraíso! Para quem sabe aproveitar e valorizar é.
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5.4.08
Nacionalismos: EUA, Brasil, Índia, China...
Já aqui deixei claro variadas vezes que nao sou nacionalista. Aliás, considero o nacionalismo uma doença. Uma religiao em relaçao à qual tenho pouca consideraçao, e a qual considero que ter cada vez menos sentido. Imagine-se alguém a matar e a morrer pelo nome de um país e sua bandeira! Dispenso…
Foi na Europa que os nacionalismos floresceram com mais intensidade. E é a Europa que lhes está a decretar a sentença de óbito. Os nacionalismos em nome dos quais nos matamos ferozmente até há poucas decadas é agora deixado de lado consciente e voluntáriamente em prol de alianças mais proveitosas. A Inglaterra, França e Alemanha sao aliadas. Milagre! A moeda é uma para quase toda a Europa e é forte. As fronteiras entre os países têm a mesma importancia que as fronteiras entre os distritos, concelhos e freguesias. O sistema juridico unifica-se cada vez mais. O comércio, indústria e serviços também. Perde-se muita coisa. Ganham-se muitas outras. Eu gosto.
Mas o que eu acho mesmo piada é observar os nacionalismos que neste momento se querem mais aguairrados. Nomeadamente o dos EUA, da Índia e do Brasil. E já agora o da China, o da Cataluña e o do País Basco…
Começando por estes últimos.O Franco tentou uniformizar à força um país que era um conjunto de regioes que conviviam com alguma harmonia. ConsequÊncia? Algumas dessas regioes exaltam regionalismo e nacionalismos mais fortes, diferenciados e independentistas do que alguma vez existiram. É o nacionalismo dos ricos. Quem nao tem o que se preocupar encontra sempre alguma coisita para se entreter. Até inventam línguas…
Também é interessante observar o caso chinês. Por um lado a China é impiedosa e sem comtemplaçoes, como os Tibetanos sabem bem (desde há varios séculos que os chineses e Tibetanos andam nisto). Por outro lado demonstram verdadeira paciência e pragmatismos chinês com o Taiwan. Olhando para o que tem vindo a acontecer há que esperar que vao ter exito em unificar e fortalecer aquele nacionalismo para além do que alguma vez terá existido na história conhecida. É assustador!
Os EUA sao outra história. É o tipico país jovem, sem raízes, sem uniao de facto, que está dividido em mais de 50 Estados Federais, e sobretudo em etnias, cores, linguas, classes sociais, etc. E é precisamente por nao terem tradiçoes, raizes hsitóricas nem laços de uniao muito fortes que se tentam convencer que o têm! E acabaram por tê-lo: serao quase todos gordos ou anoréticos, plásticos, trabalhadores especializados, consumidores compulsivos de franchisisngs e supermalls, soldados feitos à pressao e extremamente bem pagos…
O mesmo se passa no Brasil, que aliás é cada vez mais americanizado em quase tudo. Menos na (falta de) organizaçao claro está. O Brasil nasceu de um cisma português. Eramos um enorme imperio em influência e território. O Rei nao soube lidar com uma crise interna, escapou-se e isolou-se em parte do território, precisamente a terra de Vera Cruz, e acabou por separar e autonomizar aquela parte do Império. Mas nao se pense que por isso o Brasil, que nasceu directamente do fracionar de Portugal, é uma grande uniao de carácter português. Nada disso. Excluindo a lingua e o cristianismo (e mesmo aí…) o Brasil é menos influênciado por portugueses que por italianos, alemaes, judeus de varias proveniencias, japoneses, africanos (ex-escravos), etc. E sobretudo pelos EUA claro. Só há uma cultura que é nitidamente menos importante no Brasil que a portuguesa, sao as antigas culturas aborigenes, dos varios indios, dos quais aliás sobram poucos… E no entanto, a pesar de serem um país com pouco mais de dois séculos e da enorme diversidade cultural, os brasileiros sao muito nacionalistas. Entre o desespero, a critica arrraigada, a compulsao a querer estar permanentemente a desfazer e refazer tudo em rebeldias teenager, e, sobretudo, com muita esperança, eles nao conseguem deixar de acreditar e criar esse nacionalismo. Até já vao no ponto do revisionismos histórico, dizendo que os portugueses foram terriveis invasores e colonizadores opressores dessa naçao antiga… Mas eles nao sao quase todos descendentes de portugueses e outros colonizadores? Pelo menos os estado unidenses celebram as curtas raízes que têm, nomeadamente as europeias. No Brasil, os descendentes de portugueses, italianos, alemaes e japoneses gostam de se achar continuadores e herdeiros dos indios que os avós deles ajudaram a exterminar! É Brasil, é só rir. E digo isto com fraternidade porque gosto mesmo do Brasil e de muitos brasileiros.
Há mais uma coisa que eu acho interessante no Brasil, e na Índia, onde se pode observar de uma forma muito visivel algo que também acontece em quase todo lado de uma forma menos explicita. É que aquelas misturas e confusoes todas criam situaçoes totalmente impossivéis de classificar dentro dos paardigmas classicos que os europeus inventaram. Por exemplo. O Brasil, entretanto moderno e americanizado, ainda mistura uma organizaçao estatal que herda estruturas implementadas por europeus há séculos atrás, com influências de estado centralista e intervencionista (de tendencias socialistas-fascista) importadas também Europa. Mas na practica o Estado funciona tao mal que nao tem metade da relevancia, nem para bem nem para mal, do que tem o Estado dos EUA, que querendo ser modelo de “capitalismo-liberal” acaba por ter muito mais intervençao real na economia e sociedade que o Estado brasileiro ou indiano. Leis intervencionistas sem regulamentaçao e aplicaçao practica nao servem de nada, e acaba-se por deixar tudo num suposto liberalismo em que na realidade manda a mao invisivel, a mao dos mais fortes sobre os mais fracos . Como em todo lado…
Mas o caso de nacionalismo mais engraçado de se observar é o da Índia. Índia que aliás é o mais novo de todos esses países. Nasceu já depois da segunda guerra mundial. Nasceu pela mao inglesa. Os ingleses desenharam a Índia e Pakistan actuais. Desenharam e criaram dois nacionalismos. Dois nacionalismos fanaticos e nucleares diga-se. Duplamente fanáticos: fanaticos do próprio nacionalismo e fanáticos de religioes que associam a esses nacionalimos. Uma dupla explosiva. Aliás, vendo bem as coisas os ingleses só fizeram foi merda e da grossa com estas questoes do ultramar. Foi na Índia e Pakistan tal como foi com os Palestinos e Judeus. Só com esse "pequeno" erro podem considerar-se grandes responsávéis pelos nacionalismos arabes actuais, que entre si juntam alguns dos casos mais repugnates de nacional radicalismo. E pensar que antes dos ingleses gerirem a queda do império de forma tao idiota nao passavam de umas pobres e perdidas tribos arabes que vaguevam pelo meio do deserto... Mas enfim, os ingleses estavam tontos há muito tempo. Talvez por isso também resolveram deflagrar a 2ª guerra mundial ao declarar guerra à Alemanha Nazi. E tudo com pompa e altivez, que aliás quiseram demonstrar que ainda têm aquando o episódio trágico-comédia chamado Malvinas. Se não fosse trágico seria cómico ver "nações" em guerra por rochedos desabitados, sejam eles simbólicos ou não. Bem sabem os irlandeses e escoceses que ingleses nao sao flor que se cheire. Só fazem merda! Os estado unidenses rápidamente se aperceberam que o melhor a fazer seria dar-lhes ordem de marcha! E alguns até eram conterraneos!
Pois bem: criaram a Índia. O que é a Índia? Ninguém sabe bem. É uma mistura total entre o velho e o novo, de tal forma mesclados que nao se sabe onde começa um e termina o outro. (mas claro que para neo nacionalistas tudo é antiquíssimo!). É uma mistura total de quase todas as religioes do mundo, cuja a grande parte delas nasceu lá. Quase todas menos o comunismo e nacionalismo que importaram e incorporaram sem dificuldades. Aliás se alguma coisa caracteriza a ïndia é a sua capacidade de importar e incorporar tudo e mais alguma coisa. E exportar também. Aliás, foi por causa da Índia que a globalizaçao começou, primeiro de lá para fora, depois para chegar lá. E agora de lá para fora e de fora para dentro… Será que neste mundo globalizado ainda faz sentido falar de dentro e fora?
Claro que os indianos (nacionalidade recentissima) sao altamente nacionalistas. Fervorosamente diria. E sim, eles diram que têm a cultura mais antiga e erudita da humanidade, muito embora eles a conheçam tao mal, e parte dela ter sido desenterrada por e para ocidentais…
Enfim…nacionalismo! Entre o rir e o chorar mais vale rir.
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10.3.08
Depressão
Ás vezes fico depressivo. Nem sequer fico infeliz. Fico só depressivo. E como todos os depressivos deixo-me curtir a minha própria depressão. É um direito fundamental que nos assiste.
Como andava tudo tão extremamente bem é natural que uns dias deste aparececem pelo meio para equilibrar as coisas. E nada melhor para estas depressões que estar doente (este torcicolo não é normal), em casa, sem nada interessante para fazer, num dia frio e chuvoso.
Deambulo pelos blogs, pelos sites de noticias... Como sempre apresentam um presente e futuro negros.
Esta noticia do Público é alarmante:o euro próximo de 1,55 dólares, o barril de petróleo a caminho dos 107 dólares, o ouro à porta dos mil dólares. Somam-se a esses recordes, o da platina e o do cobre. Um dos efeitos mais gravosos será o agravamento da inflação na Zona Euro.
A globalização puxa os preços para cima, a economia americana puxa a economia mundial, e sobretudo a europeia, para baixo! A descelaração em Espanha também deve prejudicar a nossa já fragil economia...
Faz-me lembrar outros dias e pensamentos como este. Como este, e este outro dia.
Pois, como este blog é uma expressão do que sou, e hoje estou isto, isto partilho com vossas senhorias. Estou certo que adoram um pouco de negativismo. And here is the rest of it..
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Pensamentos ou preces?

Agora anda de moda esse tal de "O segredo", que básicamente "revela" algo que para Yôgins é absolutamente básico: aquilo que tu pensas com desejo acaba por se tornar a tua realidade.
Pois eu desejei parar. E foi rápido!
Estou com um torcicolo de dimensões apocalíticas que me está a confinar a estar sentado ou deitado semi paralizado!
Leio, escrevo, passeio pela net... penso e desejo ardentemente que os meus musculos sejam absolutamente contorcionistas....
nd here is the rest of it.
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9.3.08
Viagens e cansaço
Estabilidade na instabilidade!
Mas a família, os amigos e o yôga chamam. E a simples instabilidade também.
Em fevereiro fui a Madrid e a Barcelona. Depois os de Barcelona vieram cá, para um curso que organizamos, o que gerou "festa" por cá. Visitas é sempre óptimo mas também desorganizam um pouco a agenda. Na próxima semana já caminho para Porugal, para visita às duas familias, aos colegas e professores de yôga, e, com um pouco de sorte, a algum amigo com o qual coincida. Na semana seguinto volto a Portugal para exames. Depois no mês seguinte há cursos com o meu Mestre. Depois haverá outros mil e um chamamentos...
E quando vou parar?
Eu gosto muito de viajar, conhecer gente, fazer coisas novas, repetir boas velhas experiências, aprender e reaprender. Mas parar é bom, é preciso, recomenda-se. And here is the rest of it.
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9.2.08
Café, drogas, vícios, investimentos pessoais e liberdade.
Eu até curtia café. Bebi desde pequeno o leitinho com café ao pequeno almoço. Desde pequeno que vi os meus pais beberem, especialmente o meu pai, o qual acompanhava desde muito pequeno aos cafés, e algumas das imagens mais antigas que me lembro são do café Baú, no rossio, um daqueles cafés antigos, amplos, com muita madeira, onde eu comia uma queijada de amêndoa enquanto os meus pais faziam a sua pequena tertúlia, que por alturas do pós 25 de Abril deviam ser muito mais animadas que nos dias individualistas, materialistas, consumistas e hedonistas que correm. E foi desde aí que o hábito (ou vicio) se criou. Não é tanto o café em si, que no inverno até é agradável beber bem quentinho, estimulando a digestão (e viciando a digestão também). Dizia que não é bem o café, é o estabelecimento onde o café se bebe. O local de encontro de amigos, a tertúlia, essas tertúlias que eu também tive muitas na adolescência, e que adorava. Ainda hoje, em que essas tertúlias só raramente acontecem, o ir beber um café é sobretudo um “ir ao café”, falar com alguém, ler os jornais, etc. Parar um momento. É o momento “zen”.
Pois nos meus tempos cheguei a beber cerca de 3 a 4 cafés ao dia. Nada de mais se pensarmos que o meu pai, e muitos como ele, bebiam 10 ou mais sem culpas. Em Portugal, 4 a 5 cafés por dia (uma quantidade muito comum) custa cerca de 70 euros por mês. Na Espanha custa cerca de 140. E veja-se que não estamos a falar nos outros hábitos-vicios comuns da nossa sociedade como o tabaco (mais 70 a 90 euros mês), nem no álcool (150 euros mês?), nem no haxixe (10 euros mês?), nem nas outras drogas como cocaína e tais que já nem sei os nomes (100 euros por mês?) nem nas comidas fora de casa incluindo os petiscos fora de horas (melhor nem fazer essa conta, pelo menos é comida), nem em nada dessas coisas que fazem a factura mensal de um ibérico alcançar facilmente os 400 a 500 mês! 400 a 500 euros mês em vícios prejudiciais à saúde, que em geral ainda por cima dão pouco prazer e realização pessoal a quem os consome. Aliás, costumam deixar uma bela ressaca e uma sensação de vazio horrorosa no dia seguinte. Para além do vazio da carteira claro. E isto fazendo as contas por baixo! Há por aí quem gaste mais.
Mas estávamos só no café. 70 euros mês em Portugal, 140 em Espanha. E há pessoas que acham caro pagar 60 por um mês de classes de Yôga (4 horas por semana), que lhes dá saúde a curto, médio e longo prazo. Saúde para além do mais que podem extrair do Yôga, nomeadamente uma cultura, uma educação, a mais valiosa de todas, a auto-educação! E quem diz o Yôga diz uma viagem, pois com 840 euros (em Portugal), 1680 (em Espanha) já dá para fazer uma bela viagem. Ou pagar parte significativa das propina das faculdades publicas. Ou não ter de ser o pai a pagar a prestação completa do carro, ou da casa... Enfim. Eu no ano em que voltei para Lisboa para acabar o curso de Direito não estava com dinheiro de sobra para o Yôga, que eu queria. Mas pensei que se deixa-se de fumar já tinha o correspondente para a mensalidade. E parei! Ganhei o Yôga. E o resto, a saúde por exemplo, é um grande bônus.
Podia agora começar a fazer contas ao custo ecológico (o gasto de água, o consumo de plástico, etc) que implica tomar café. Ou dos custos para a a balança econômica do país que o consumo excessivo de café e respectivo açúcar acarretam devido ao preço de ter de importar tantíssimas toneledas de café (muitos milhões de dólares) a países terceiros. Poderia alegar que o café prejudica o sono, e este o trabalho e por essa via a economia, etc. Mas para quê? Quem é que pára com um vicio em nome da ecologia, ou da melhoria do défict comercial? Quiçá o custo às finanças pessoais seja significativo para fazer pensar o consumidor. E digo às finanças porque a saúde individual não parece importar muito à maioria das pessoas.
De qualquer forma, eu que já tinha parado com o tabaco, o álcool e as outras drogas, ainda não me tinha livrado deste pequeno-grande vicío. Há mais de um ano que bebia 2 descaféinados por dia. Isso acabou no dia 1 de Janeiro de 2008. Pelo menos até agora é uma dessas promessas de ano novo que se está a cumprir.
Pois já que tanto se fala de liberdade, e eu que gosto de pensar que tenho um mínimo de livre arbítrio (pequeno, muito pequeno), penso que o mínimo que se pode fazer é pô-lo em practica. Tal como com o tabaco o vicio é 60% psicológico. Pelo menos. Quando fumava só de pensar em ficar sem tabaco ficava ansioso. No dia em que parei não senti nada. Com o café igual. Antes se não bebia doía-me imenso a cabeça a partir das 12 horas sem beber. No dia me que parei, parei. Não senti nada. Não digo que o tabaco ou o café não tenham a sua componente física. Têm sim. Por exemplo é incrível o efeito que esses vícios podem assumir sobre a digestão ou sobre o sono. Quem bebe 5 cafés pensa que não, mas quem só bebe um pela manhã sabe bem que se beber outro à noite pode passar a noite em branco. E quem fuma pode ter ataques de ansiedade se fica sem tabaco umas horas antes de dormir. Mas creio que pelo menos 60% de tudo isso é psicológico. E estou a ser comedido nas minhas afirmações (na realidade creio que 90% das adições em geral é psicológico, pelo menos para mim). Assim, se é psicológico, se a psique manda, basta mudar a psique para mudar o vicio. Basta mandar na psique. Basta escolher. Basta exercer a liberdade de mudar um habito-vicio.
Pensava que estas promessas de ano novo não resultavam, mas pelos vistos podem funcionar. Que mais alguém se renove com confiança neste novo ano. As pequenas coisas às vezes fazem grandes diferenças.
Ainda poderia pensar em supervisionar outros pequenos hábitos que são bastante supérfluos. Ou a própria a alimentação que mexe com quase tudo e ainda está longe de ser a minha alimentação perfeita. Mas cada vez mais me interessa ir directo para outro nível: os vícios do próprio pensamento, a sexualidade, as tendências latentes, os samskaras, os vasánas, os vrittis... Está aí diversão para toda uma Vida.
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2.2.08
Um croissant vegetal especial
Os vegetarianos que já viajaram a Espanha de certo logo se aperceberam que este é um países do mundo que menos facilidades cria aos vegetarianos. Não é que passemos qualquer dificuldade, mas é que em qualquer outro país, não só há mais vegetarianos e restaurantes especializados, como a cozinha tradicional é mais abundante em ofertas vegetarianas ou muito facilmente adaptáveis (basta não comer a porção de carnes). E mais importante: na maioria dos países o conceito de vegetariano é mais ou menos simples e bem definido. A maioria das vezes até é definido restritivamente, fazendo com que as respectivas comidas serem privadas de qualquer alimento de origem animal, e vendidas com intuitos de supostas dietas ou saúdes (“orgânicos”; “naturais”; “biológicos”).
Pois em Espanha o caso é um pouco diferente.
Por quase todo lado o “sanduíche vegetal” na realidade leva...atum! E ovo. E se este não é carne, também não é vegetal. Mas atum, em todo mundo é carne. Carne do mar, mas carne. Ou peixe, esse outro nome para carne do mar.
Esse é apenas o caso mais comum. Mas esta semana tomei conhecimento de outro um pouco mais interessante.
Numa das mais comuns cadeias de supermercados citadinos, na secção de padaria, vi algo que nunca tinha visto antes: “croissant vegetal”.
Como já vivo por cá há quase 3 anos tomei o “vegetal” com desconfiança, mas com interesse, nunca se sabe quando as coisas mudam.
Perguntei à senhora que atendia: Qué lleva el “croissant vegetal”?
Ela respondeu: jamón y queso!
Eu que até já estou precavido para estes episódios não pude deixar de ficar atônito pelo segundo suficiente para parecer pasmado e logo começar a sorrir.
Em geral isto é suficiente para mim. Nem costumo fazer mais perguntas. Aceito a realidade tal como ela é. Mas neste caso não resisti.
Em tom de quem não está a entender disse: vegetal?...jamón y queso...
Ao que ela disse com toda a naturalidade: sí, vegetal, jamón y queso.
!?!
Vale, gracias...
Eu já sabia que os Espanhóis consideram o jamón (é o mesmo que em Portugal o presunto, mas com muito mais variedade, marcas, etc.) numa categoria especifica, separada da simples carne! Mas ainda não me tinha apercebido que jamón era vegetal. Tal como o atum!
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O meu barbeiro hacker
Provei muitos. Provei os antigos tosquiadores que seguiam tradição familiar e faziam aqueles cortes simples e garantidos. Provei os cabeleireiros das senhoras. Provei os modernos cabeleireiros da moda. É interessante comprovar que os melhores foram, e são, os primeiros, os tosquiadores, cada vez mais raros.
Pois cá em Gijón, depois de vários desacertos, e para grande tristeza da Joana, encontrei um desses antigos barbeiros seguidores da tradição familiar. Ou melhor. Herdou o negócio do pai. Mas o gajo é completamente freak!
O lugar tem uma decoração pobre e descuidada até para os padrões de um antigo barbeiro. O tipo em si tem uns 45 anos, é coxo e vê mal. Deixa sempre algumas pontas por cortar, e alguns pelos da barba são-lhe mais ou menos invisíveis, ou pelo menos ficam sempre alguns por aparar.
Mas o mais sui generis é que ele, além de ter conversa para tudo,como qualquer barbeiro ou taxista, é um verdadeiro entusiasta da informática. A barbearia tem duas cadeiras de corte, mas só uma é utilizada. A outra tem em frente um computador portátil sempre ligado! Sempre que vou ele dá-me dicas, lições e até verdadeiros cursos de informática. Às vezes deixa-me CD´s com programas vários, tipo Cad 2008, Gparter (para particionar discos duros), distribuições de Linux, etc. E não é só a mim. Há até quem lhe leve os computadores para ver se ele soluciona os problemas, o que ele faz com gosto. Só nesse portátil que tem na barbearia tem 5 SO instalados paralelamente: Windows XP; Windows Vista; Mac OX (!); e 3 distribuições diferentes de Linux: UBUNTU 7.04, Mandriva e Open Suse. Naturalmente não paga conexão à internet, pois “cola-se” a alguma das linhas wifi que há na rua! Nesta ultima vez que fui lá estava deleitado com a sua última aquisição: um novo portátil DELL de gama alta, para desfrutar em casa sem ser incomodado pelos demais, e poder explorar melhor programas como CAD, 3D studio MAX, e outros desse gênero de programas profissionais! Uma vez perguntei-lhe para que raios queria saber tudo aquilo e ele diz-me com um misto de naturalidade e estupefação: “?!pero no sabes tu que conocimiento es poder?!”
!
É assim o meu barbeiro. O melhor que já tive.
Leva 7 euros e meio o corte.
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