26.6.08

Sobre as coisas, o consumismo e uma homenagem...

Ainda sobre o consumismo com filosofia de Vida que se impõe como modelo social global, deixo dois links de dois videos que acho excelentes.

O primeiro , More stuff!, é também uma homenagem a um dos comediantes-criticos mais excepciconais que já vi, e que morreu há poucos dias: George Carlin

O outro , The story of stuff, é sobre é mais um panfleto de campanha, que nem por isso deixa de ser interessante. Não sou muito idealista, mas, como diz a senhora no video, aqui não se trata tanto de idealismo, e sim de realismo. O sonho é pensar que tudo pode continura na mesma maneira...

(E que não se diga que os estado -unidenses não têm capacidade de auto-critica!)


And here is the rest of it.
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Contra a felicidad, en defesa de la melancolia


Como é óbvio, ser original é um mito, uma pretensão. Já tudo foi pensado e repensado, dito e redito. Mal publiquei o último post sobre um tema que há uns tempos vinha a meditar e logo encontrei um livro sobre o assunto.

Na Casa del Libro, na seccção de livros de auto-ajuda, precisamente no meio
de dezenas de livros com receitas e mais receitas para ser feliz, encontrei um livro que faz uma óptima reflexão sobre esta febre de busca pela felicidade e incapacidade de lidar com o lado lunar da Vida.

Em castelhano chama-se Contra la felicidad, en defesa de la melancolia, de Eric c. Wilson. Vale a pena ler.
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5.6.08

Melancolia: um direito universal e fundamental


Uma das coisas que observo que mais pena me dá no sistema actual que impera no mundo dito desenvolvido é a incapacidade das pessoas para lidar com a tristeza.

A tristeza, a depressão, a infelicidade, o sofrimento, são tudo palavras quase malditas. Todos querem escapar-lhe, todos querem o seu contrário, e muitos preferem fazer que não são infelizes, que não têm os seus momentos de tristeza, solidão e melancolia. E se a têm e não conseguem escondê-la e ignorá-la, combatem-na ferozmente. Para mim é amputação. É castração pura.

Vê-se por aí gente a alardera de quase tudo, menos gente a admitir, com naturalidade e sem grandes dramatismos, a sua tristeza, e até um certo agrado para com a melancolia. Vejo gente a criticar tudo e todos. A culpar o mundo e o “sistema” de todo tipo de males no mundo. Vejo gente e livros e profissionais dos mais diversos a vender a liberdade e a felicidade. E a liberdade é em parte a liberdade em relação à tristeza, é uma fuga à melancolia, é uma libertação de grande parte das suas vidas, a parte infeliz. Vejo gente a tentar vender a si mesmos e aos outros uma continua imagem de felicidade, de exuberância, de satisfação, de êxtase. E no caso, provável, de não a ter realmente, ao menos convencem-se com projectos permanentes para alcançá-la. Sair à noite, foder, tomar drogas, comer, fazer surf, fazer amor, apaixonar-se, saltar de paraquedas, ir de férias a paraisos longinquos e caros, comprar e consumir até à exaustao, rir com os amigos acerca de qualquer coisa, empreender um caminho espiritual. Tudo vale para encontrar a felicidade e fugir à tristeza, à solidão, à melancolia. Ninguém parece aceitá-la como algo normal, natural. Diria mais: agradável.


Outro dia falava com uma amiga que estava num desses dias e inconformada. Disse-lhe: eu até gosto de estar assim. E ela, que não é nenhuma tonta, antes pelo contrário, não deixou de ter a mesma reação do costume: a sério?! E por ela ser especialmente inteligente até lhe dou confiança suficiente para admitir que estou e gosto de estar em tal estado. A maioria da gente não se pode dizer tal coisa. Fogem. Fogem com medo que os contagie. Dá-lhes medo. É como se lhes disséssemos: olha para a tua própria infelicidade, vazio, tristeza e solidão latente, essa que te esforças tanto por enterrar debaixo de toda essa actividade frenética e imagem esteriotipada de felicidade. Não compartilhe com os seus pais, a sua namorada ou os seus amigos que está triste. É como um vírus supostamente mortal o qual todos temem. Ainda são capazes de o aconselhar um psicólogo, ou melhor ainda, um psiquiatra que erradica rapidamente esse estado terminal e profundamente doente chamado tristeza. Aliás, agora já ninguém é triste, agora somos “depressivos”, e nessa condição já podemos tomar prozac e outras drogas legais. E mais: podemos, finalmente e sem remorsos, entregar-nos a ter pena de nós mesmos e ao prazer de não fazer nada, esses pequenos prazeres tão essenciais que hoje toda a cultura se esforça tanto por nos retirar! Querem tirar-nos o direito fundamental a estar tristes!

Hoje a idéia de ser feliz tornou-se quase uma ditadura. Deixou de ser uma simples idéia para passar a ser um direito. E este direito é quase um dever. Queremos obrigar-nos a ser felizes! Nem que seja à força!

Se diz que quer uma vida tranqüila, calma, e não quer nada da Vida, só estar quieto, pode ter a certeza que a maioria das pessoas vê nisso sintomas de depressão aguda. Aconselham-no a sair mais, a ir viver para uma grande cidade, mexer-se, animar-se a algum projecto, a fazer curso de motivação ou de outra coisa qualquer. É preciso querer mais, ter planos, projectos, ambição! Para sernormai se aceites como tal temos de quer ter “êxito”, ou pelo menos mostrar que estamos a procurá-lo, dar a idéia que é feliz ou que pelo menos está tentar ser feliz. Seja lá o que o êxito e a felicidade forem! Senão é um fracassado, ou seja, um doente, e dá medo. Veja-se, não dá pena, dá medo. Medo porque reflecte algo muito presente que está em todos, mas que quase ninguém quer ver, muito menos aceitar: o nada!

Pois bem, já aqui disse várias vezes neste meu diário aberto: às vezes estou triste, algo depressivo, com medo. E isso não me assusta. Não muito. E até gosto! Sim gosto. Não é que procure e cultive. Nao pretendo que me aturem, nem sequer quero descarregar a tristeza sobre ninguém. Só nao fiquem aflitos e perturbados se algumas vezes estou assim. Ou pelo menos nao me perturbem a mim no meu bem estar melancolico. Não fujo a esses estados. Admito-os, aceito-os como normais e até desfruto deles. Em toda a sua plenitude.

Gosto de estar quieto, calado, em silêncio, sozinho e sem fazer nada. Gosto de me deixar afundar em sonhos mais ou menos acordado, com a sensação de que estou a desperdiçar o meu tempo vital e não me apetece fazer nada. Gosto de meditar, de contemplar, aceitar tudo sem participar em nada. Somente observar e registrar, como se não existisse.

Creio até mais: a melancolia, até uma certa tristeza é essencial para a criatividade. É essencial para as artes e para a filosofia. E para a filosofia eu sei que é muito mais interessante estar quieto e calado, algo entre o tranquilo e satisfeito e o triste melancólico, do que estar premanentemente em acção, permanentemente em fuga para a frente, a tentar escapar de parte essencial da nossa consciência. Essa parte chamada medo, morte, nada! A quietude da melacolia, e até a angustia da tristeza, sao a mae onde medra a beleza e o sublime.

Do nada vimos, para o nada vamos. E o nada está aí, sempre. É preciso aceitá-lo. E só assim poderemos ter também verdadeira alegria, satisfação e felicidade. E só assim poderemos criar, aceitar a criação como um todo, que está aí, em permanente renovação.

Se você é um dos que se deixou traumatizar por esta doença moderna chamada “medo ao medo”, ou “medo à tristeza”, digo-lhe eu o seguinte: anime-se, a tristeza também é bela. A tristeza está aí, é sua amiga, a sua amiga mais intima. Aceite-a. Desfrute-a. Não a tente ignorar pois ela não vai desaparecer. Não a tente combater porque ela voltará ainda mais forte. Aproveite-a. Ela pode ser a sua mais leal e verdadeira companheira neste caminho. Ignorá-la é ignorar-se. Aceitá-la é aceitar-se. E afinal de contas ela não é assim tão terrível. É apenas e só aquela suave e até agradável melancolia...

Não roube a si mesmo esse seu direito fundamental!

P.S. Escrevi isto num momento em que até nem estou nada melancólico...
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24.5.08

Google, globalizaçao e acordo ortográfico

A chuva dissolvente...

A questao do acordo ortográfico entre Portugal e Brasil, vista por terceiros e com observaçao dos interesses institucionais que se movem por trás... AQUI Leia artigo completo

3.5.08

Travessia dos Picos da Europa


Travessia aos Picos da europa

Nos próximos meses, entre Maio e Agosto, vou fazer uma coisa que já me está na cabeça há quase um ano. Vou atravessar os Picos da Europa. Desde o maciço oriental até ao ocidental, ou vice-versa. A pé claro, pelo monte. Ainda está por definir se pernoito ao ar-livre ou nos refugios de montanha. Não vou fazer nehuma excursão organizada, mas deixo o convite para alguém que se queira juntar. Em princiio irei apenas com um amigo. Serão cerca de 4 dias, talvez 3. É possivel terminar antes do fim do trajecto planeado, em alguma das etapas intermédias. O equipamento necessário é essencialmente uma mochila de treking e umas botas de montanha. E sobretudo boa disposição e vontade.
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24.4.08

O consumismo, o Porto, a crise, filosofias de Vida...

O Porto e a suposta crise

Os nossos pais viveram razoavelmente bem. Estavam longe de ser ricos, mas em geral foram tornando-se cada vez mais ricos. E quando tudo se expande, tudo é mais fácil.

Até há 30 anos Portugal era um país essencialmente atrasado, ainda muito rural. Era pobre. O nível de alfabetização era muito baixo e o de alcoolemia era alto. Muita gente vivia da hortinha que tinha atrás de casa, ou na casa do patrão. Alguns sobreviviam como operários de fábricas que na sua grande maioria tinham surgido nos anos 60, a quando a nossa primeira e minúscula revolução industrial. Os nossos pais nasceram ainda no tempo da “outra senhora”, quando o regime dizia que éramos “pobres mas dignos”, e estávamos “orgulhosamente sós”. O banco era debaixo do colchão. A maioria dos nossos pais não chegaram ás universidades e não se tornaram profissionais liberais, muito menos empresários. Mas chegaram lá muitos mais que os nossos avós. E muitos operários fabris, já depois do 25 de Abril, abriram as suas próprias fábricas, com as quais geraram rápidos e volumosos lucros, com os quais compraram Mercedes e casas de praia. E o regime altamente centralizado do Estado Novo preparou o caminho a um Estado burocratizado que pouco a pouco, e muito no pós 25 de Abril, criou muitos empregos estáveis e medianamente bem pagos na função pública, que inchou sem freio. Alguns dos nossos pais emigraram, ou foram à guerra colonial, mas a maioria safou-se, voltou, e Portugal esteve pelo menos uns 25 anos seguidos em crescimento económico sustentado, desde 1975 a 2000, e principalmente de 1986 a 2000, com os biliões e biliões que chegaram da UE com os quais nós devíamos ter preparado para o mercado comum da Europa e global. Bem, os nossos pais passaram dificuldades, queixavam-se, mas foi sempre a subir, cada vez melhor. Cada vez mais emprego, pensões, subsídios e serviços sociais (que se substituíram ao suporte familiar, que como instituição decaiu). E nós só vimos isso, o cada vez melhor, cada vez mais fácil, cada vez mais, mais, mais. Mais férias no estrangeiro, mais roupa, mais comer fora, mais carros, mais casas de praia, mais telemóveis, mais sair à noite para consumir drogas e conviver, mais, mais, mais e mais!

Pois, tudo vai mais ou menos bem, em festa mesmo, quando está a crescer, a subir.

Mas nós, a geração MTV, a geração “rasca” segundo alguns, porque já não temos ideais e interesses políticos e só queremos é “foder”, assumimos que ter lugar na universidade, seja numa publica ou privada, era um direito, algo óbvio, que os pais pagam. Acostumámos-nos a pensar que sairíamos de casa dos pais para a casa que os nossos pais nos dariam. Nós habituámos-nos a ter dinheiro para gastar desde cedo, desde os 5 ou 10 anos, que os pais e avós dão, gratuito, no Natal e aniversário, e nas visitas de fim de semana, e porque sim. A escola e o hospital é gratuito, o Estado, "o papão", tem o dever se assegurar (mesmo que nos escapemos aos impostos). Habituámos-nos a receber sem ter de lutar por isso, a ganhar sem suar. Sem responsabilidade. E talvez por isso adoptamos com tanto gosto a cultura do gastar fácil e rápido, sem receio de ficar sem, sem pensar em poupar. Habituamos-nos a uma cultura americana, de fast food. A consumir e deitar fora, comprar novo, acumular, comprar mais. O consumismo é a nossa filosofia de Vida. Consumir bens, serviços, sensações, “estados de consciência”, etc...

Mas a festa acaba. A festa tem conta. O consumo tem preço. A cobrança vem, mais tarde ou mais cedo, de palitó ou à bruta.

Bem, a Europa e o mundo globalizou-se, as empresas não se modernizaram ou reconverteram como deviam, as poucas novas que surgiram não chegam para empregar a todos, o dinheiro da EU diminuiu, a concorrência aumentou ainda mais, não só dentro da Europa mas sobretudo fora, contas do Estado foram obrigadas a ser levadas com mais rigor e o Estado não pôde continuar a empregar mais gente, nem sequer a pagar subsídios e pensões para tudo e todos.

Entramos em crise. Mas continuamos a consumir como uns loucos.

O país mudou-se para as cidades mas em muitos casos continuam com mentalidade rural e ainda há muita gente deslumbrada por um consumo fácil cujo crescimento parecia não ter fim. E trabalhar que é bom nem gostamos, nem o fazemos bem, nem há suficiente. E consumimos muito mais do que produzimos.

Até agora o desenvolvimento do país, e principalmente o consumo, foi financiado primeiro pelo dinheiro dos emigrantes, depois pelos subsídios vindos da UE (que nos comprou o mercado) e depois pelas poupanças dos avós, os ordenados dos nossos pais de classe média estável (o Estado) e entretanto também pelo crédito. O crédito fácil, aparentemente barato, subvencionado pelo Estado, mantido com juros baixos à força de políticas macro-económicas, o crédito diluído por 50 anos, misturando o crédito da casa, carros, computadores, LCD´s de 42”, férias, roupas, e outras coisas essenciais, tal como o 20º par de sapatos, ou a 10 carteira (que rosa choque para combinar com os sapatos do ultimo baptizado não tinha), e outros coisas essenciais sem as quais não se pode viver.

Os emigrantes já não mandam dinheiro. Agora são outros emigrantes que o mandam para fora. Os subsídios da UE vão diminuindo. As poupanças dos avós estão em vias de desaparecer ainda antes dos próprios. Os ordenados dos papás estão a encolher e com os créditos completamente no limite. E os créditos sobre créditos, para pagar os próprios créditos, são uma ilusão, que mais tarde ou mais cedo nos abeiram ao abismo. E o abismo está aí. Neste momento os nossos créditos, ou seja, o nosso consumo, paga-se com base em créditos que os nossos bancos fazem no estrangeiro, porque já nem os bancos estão com grande liquidez. Uma crise financeira global era mesmo o que nos vinha a calhar bem! Será que é desta que vamos passar a viver do que produzimos, do dinheiro que nós ganhamos, daquilo que realmente criamos?

Mas o pessoal, que se queixa de tudo e até de coisas que ainda não aconteceram, continuam a consumir como loucos, como senão houvesse problemas, como se os problemas se resolvessem como antes, com a prenda de natal da avó, com um subsídio mais vindo da UE.

O Porto, a área metropolitana do Porto, que neste momento liga todas as aldeias e vilas no raio de 50 Km, e já tem quase 3 milhões de habitantes (ainda um pouco menos que a área metropolitana de Lisboa), e o que se ali passa é sintomático do que se passa no país.

Vai abrir mais um mega centro comercial na região, mesmo colado ao Ikea, que por sua vez é gigante e veio para acabar com as poucas marcas e lojas de moveis que ainda havia na região. Mas já havia cerca de uns 10 centros comerciais, todos grandes ou gigantescos. O maior deles está a pouco mais de um Km deste novo que vai agora abrir. Estes novos mega shoppings têm muitos mais lojas que o Porto tinha antes, até há 15 anos atrás. Mas não têm proporcionalmente mais empregados. E sobretudo têm muito menos donos, pois a maioria são franchising internacionais que se repetem iguais em cada um dos shoppings de Portugal tal como de qualquer outro país similar. E a maioria desses franchising são estrangeiros, pelo que a única coisa que aumentou, os lucros de cada loja, revertem na sua grande parte para uns poucos donos estrangeiros. Os portugueses ficam com os empregos a prazo de 6 meses com ordenado mínimo (co-subsidiados pelo Estado para parecer que temos baixo desemprego). E o mais ridículo é que há muita gente que está satisfeita com isso!

O comercio nas ruas do Porto, senão fossem os cafés-taberna, os chineses e as putas, já tinha desaparecido por completo. A ultima vez que ali fui, naturalmente fui a um desses shoppings. Que remédio, não há gente e actividade em mais lado nenhum! Estava tudo cheio e a gente que consumia como sempre, freneticamente. Não era Natal. À noite iriam fazer o costume: exibir as compras do dia enquanto consomem drogas em jantaradas, nos bares e nas discotecas, que é o mais comum. Li uma noticia que os portugueses bateram recordes de férias no estrangeiro! Não me pareceu uma região em crise! Mas está.

O Porto está mal, muito mal. A outrora famosa indústria do norte está em profunda decadência., a desaparecer. As poucas empresas portuguesas que ainda restam e as novas que se vão implementando (a maioria são estrangeiras, com delegações em Portugal) preferem naturalmente ter escritórios em Lisboa (quando não em Madrid), mais perto da burocracia do Estado e do centro do país. E a maioria dessas empresas são de serviços ou logística. Não produzem realmente bens materiais, não são indústria. Ora, sem Estado e sem empresas uma região vive de quê, se esta nem sequer é turística?!

Mas os centros comerciais continuam cheios. As pessoas até passeiam por lá. Se não podem comprar pelo menos vêm, e desejam aquilo que não podem comprar, mas gostariam, e invejam. Que lindo. É o efeito FCP: enquanto há circo para entreter não à mal que não se aguente. E viva o Pinto da Costa.

Consumir é essencial. O sistema está feito para consumir. Se não consomes não existes, não participas, não podes descontar impostos... Consumir é absolutamente necessário para fazer o sistema sustentar-se e os portugueses colaboram com prazer nesse “sacrifício”! Mas esquecem-se que para consumir é preciso produzir para gerar riqueza. E como não temos petróleo só resta trabalhar, ser criativos, acrescentar algo.

A festa acabou. Mas ainda ninguém se foi embora. Embora para onde? Voltar a casa? Qual casa, a dos nossos pais e avós, de há uns 15 ou 20 anos atrás? Cair na real? Ressaca? Não. Vou continuar a consumir como se não houvesse amanhã. Quer dizer, como se hoje fosse ontem!

O país está à espera de um milagre. Um milagre de Estado. O Estado, que na nossa cultura é omnipresente, é o culpado por tudo e tem de ser ele a resolver. Ele quer dizer, os “políticos”. Espera-se um Dom Sebastião, um salvador. O Portas e o Louçã contentíssimos, porque quanto pior melhor, mais hipóteses de revolução, de eles terem o seu momento. O país está à espera de um milagre. Mas um milagre que não vai acontecer. Nada vai voltar atrás. E as mentalidade não se vão mudar de um momento para o outro. O consumismo vão continuar a ser a filosofia básica de vida. Ou pelo menos o sonho. Os ricos sê-lo ao cada vez mais, mas serão cada vez menos os ricos. A classe média está aos poucos a deixar de sê-lo, e os portugueses não estão preparados para passar a ser mais criativos, a ter mais iniciativa e ser mais empreendedores, a arriscar mais. Antes emigrar...

Eu emigrei. Eu e cada vez mais amigos que conheço que estão em Londres ou em Madrid a trabalhar mais e melhor, com melhor rendimento. No norte, por exemplo, voltaram também a emigrar muitos pedreiros e empregadas domésticas para Espanha, Alemanha, GB e França, tal como em outros tempos.

Mas curiosamente neste momento questiono-me, não sobre trabalhar mais e melhor, nem sequer sobre a economia portuguesa, que está mal e não melhorar grande coisa nos próximos anos, mas o que me questiono é sobre o sentido destas Vidas cuja filosofia de Vida é o consumo puro e duro. E isso não é um problema Português. Em Portugal só é mais grave porque se pretende consumir sob padrões ingleses e norte americanos com uma produtividade e rendimentos que nem a metade chegam. Eu questiono-me sobre esta filosofia de Vida como uma opção quase global, e sobretudo sobre se é a minha opção individual.

Para que raios é necessário ir às Maldivas passar férias, comprar mais um sofá no Ikea, ou de ter 10 relógiose 25 pares de sapatos?!

Os nossos avós jamais pensaram nesse tipo de coisas. Sim eram mais pobres. Miseráveis muitos deles. Mas nós não somos mais felizes e realizados que eles. Nem que ninguém. Aliás, pelo que tenho visto de um ponto de observação privilegiado é que esta filosofia de vida consumista se tornou uma prisão e que deixa muita gente stressada, ansiosa, à beira de ataques cardíacos consecutivos, frustrada, e principalmente perdidos, sós, vazios!
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13.4.08

Asturias: paraíso natural



Gijón, cidade desportiva
(o Paraíso natural, as beneces de governos de esquerda, etc)

É impressionante a quantidade de equipamentos e opções desportivas que esta cidade oferece.

Hoje de manhã fui levado pro uma amiga a conhecer o
“Grupo” Covadonga, que é quase omnipresente na cidade. Tem 37 000 sócios numa cidade de 300 000 (pouco mais que o dobro de Coimbra ou Braga em população, mas num espaço mais concentrado). Familias inteiras são sócias. E não tem futebol! De 11. Dizem que é o maior e melhor clube desportivo e cultural de España. E agora que o vi só posso dizer uma coisa: é o maior e melhor que já vi. Tem duas piscinas, uma de 25 e outra olimpica, mais outras duas mais pequenas no exterior para o verão. Tem equipamentos para quase todos os desportos que existem, incluindo alguns que eu nem sabiam existiram. Tem duas salas com “bulder”, ou seja, paredes de escalada. Só o ginásio de musculação tem dois pisos e cada um é maior que muitas piscinas que eu conheço. Inauguraram recentemente um mega complexo dentro do complexo que inclui desde um mega salão de ginástica olimpica, e até sala para yôga. E uma mega Spa, pois claro, que isso está super na moda. Tem vários parques infantis incluidos. Tem clubes de xadrês e bridge. Tem salas para os estudantes se encontrarem a estudar. Tem cafetaria, restaurante normal e até sidreria, os restaurantes tipicos da região, por forma a que não só os desportistas tenham entertenimento, mas também toda a familia. E em España comer é essencial. Como diriam os espanhóis é uma “barbaridad.”

E o mais incrivel é que isto é apenas uma pequena parte dos equipamentso desportivos e de lazer da cidade. Mesmo ao lado tem um clube, também privado, de hipismo. E outro clube municipal de atletismo, com direito a estádio próprio. E pelo meio tem um clube de piraguismo que aproveita o rio Piles que passa pelo local.

Do outro lado da cidade, o lado que em tempos foi “obreiro” e pobre, tem o outro grande clube desportivo da cidade, também privado. O Clube Santa Olaya. Este tem tradição sobretudo na natação, e talvez por isso também conte com duas piscinas, uma de 25 e outra de 50, olimpica, onde recentemente se celebraram os campeonatos de natação de España. Mas este clube, também com dezenas de milhares de sócios, tem muitas outras actividades desportivas e de lazer, desdes as mais ocnhecidas aéróbicas até ao yôga, claro.

Estes são os dois clubes principais e privados da cidade. Depois há uma quantidade imensa de ginásios espalhados por toda a cidade, mais ou menos grandes, onde se practica de tudo e mais alguma coisa, desde dança a artes marciais, mas que vivem um pouco pior por terem de competir com estas mega instalações e os seus preços baixissímos. Sim porque neste clubes para entrar é preciso ser sócio, esperar vaga por cerca de um ano e pagar cerca de 1000 euros. Mas depois de estar dentro é quase tudo semi gratuito. Cerca de 12 a 15 euros mensais pela maioria das actividades e outro tanto por algumas actividades à parte, como o yôga por exemplo!

12 euros por mês é o que custa o yôga em algum dos 4 centros municipais da cidade, que aliás contam com optimas instalações que permitem aceder a outras actividades mais ou menos pelo mesmo preço. E sim, cada um destes 4 centros municipais, cada um em seu bairro, têm gimnodesportivos polivalentes e piscina de 25 metros, sauna, etc. E pode marcar-se hora na sauna e quase todo lado da cidade, bastando para isso utilizar a “tarjeta ciudadana” num dos muitos pontos electónicos espalhados em rede por toda a cidade, onde aliás também se pode obter bicicletas gratuitas para passear! E a cidade é plana, pelo que a bicicleta ou os patins são meios de locomoção efectivos.

É curioso observar que 75% dos meus alunos são sócios do “Grupo” ou do Clube Santa Olaya, clubes afamados e onde há yôga. Mas vêm há escola pagar cerca de 4 a 5 vezes mais. É um elogio que me fazem. No entanto faz-me pensar no que se passa quando há tanta oferta de serviços sociais, neste caso numa mistura curiosa de publico e privado (e o privado na España, tal como em Portugal, se é grande e influente, recebe muitos fundos publicos). Há yôga por quase todo lado. Além da minha escola existem mais 5, só de yôga (e “afins”). Fora os professores que dão classes nas suas casas, ou em escolas de dança e ginásios, nomeadamente nos dois mega clubes da cidade. Existe yôga semi gratuito nos 4 centros municipais... Para os cidadãos é optimo! Para os profissionais, obrigados a trabalhar a preços baixos, é mau, e faz com que poucos se possam dedicar sériamente ao Yôga, em exclusivo, investindo me formação continua, etc. E isso acaba pro afectar aos usuários. Mas vendo bem as coisas, do ponto de vista geral dos cidadãos, que pouco querem saber de yôga como filosofia, é fantástico.

Isto não é de Espanha, nem se quer da região, pois Oviedo, a meros 20 minutos e considerada uma das cidades da Europa com melhor qualidade de Vida, não tem nem metade destes serviços, nem em quantidade, nem em preço, nem e qualidade. isto é um caso sui generis de Gijón, que parece colher o melhor de uma gestão autarquica de esquerda que aqui reina desde sempre. Gestão politica de esquerda e atitude associativista e reivindicativa do sector privado. A esquerda democrática em países ricos dá nisto! Neste caso, pelo menos. Tenho de convir que, embora como agente económico privado tudo isto seja terrivel para mim, como cidadão de Gijón é uma...“barbaridad”. E o mais curioso de tudo é que nada disto é considerado excepcional ou sequer “bom” pelos utentes. É apenas o “básico”, e ainda assim sentem que estão sempre a ser explorados em tudo, estão sempre a apontar defeitos a tudo, a reclamar e queixar-se de tudo apesar de a esmagadora maioria nem sequer aproveitar 10% do que tem.

Mas não se pense que chegamos sequer a metade da oferta desportiva e de lazer da cidade. Por exemplo, tem o Rocodramo, que é o verdadeiro paraíso para os muitíssimos adeptos da escalada que há nestas bandas. Só um rocodramo? Não. Além deste pricipal (e dos dois que existem dentro do “Grupo”) há muitos adeptos insatisfeitos com a falta de disponibilidade de horários ou simples ganancia por maior grau dificuldade, pelo que há umas 4 ou 5 garajens onde montaram “bulders” privados, para os amigos, nomeadamente um onde eu vou uma ou duas vezes por semana com um aluno meu, aqui bem no centro da cidade. Ora, se pensarmos que no raio de 1 hora há dezenas de locais de optima qualidade para escalada desportiva, temos de convir que não está mal.

Também a menos de 1 hora há duas pistas razoávéis para a practica de desportos de neve: Ski e Snowboard.

Mas há muito mais.

Estão neste momento a aterminar a construção de um enorme centro de talassoterapia, que ainda não funciona e até já ganhou prémios arquitectónicos. Mas como um centro enorme deve ser pouco já estão a preparar-se para construir outro do outro lado da cidade!

E Spa`s há varias em vários hotéis em volta da cidade, como uma que a Joana foi provar há cerca de duas semanas.

Num desses hotéis com Spa tem o campo de golf da cidade...

E ainda há o Clube de Regatas por exemplo, que além de aproveitar o porto desportivo e o mar para as suas actividade tem umas belas instalações mesmo no cento, em Cimadevilla, debruçado sobre o mar e com a sua própria piscina privativa! Mais uma. Há umas 12, pelo menos! Numa cidade voltada para o mar, com 4 praias...

Há também o Palácio de deportes, gimnodesportivo principal onde entre outras actividades labora o Basquetebol, que é uma das 10 melhores equipas do basquetebol espanhol, o que não é mau, sabendo o nivel que o basquetebol tem por aqui.

Com isto tudo quase me esqueço de referir o clube de Futebol local, o Sporting de Gijón, onde há muitos anos esteve o Gomes (do Porto), e que já esteve na primeira Liga e até ia à Europa. Mas aqui os Governos locais não lhe dão tanto $ como em outras partes e agora apenas tenta permanecer na segunda Liga. Mas continua a ter uma boa e fiel claque. E até vai ter o seu estádio reconstruido!

E para além de todos os clubes de tudo e mais alguma coisa, Gijón tem, acima de tudo , um entorno natural absolutamente paradisiaco para desportistas. E absolutamente arranjado e preparado para ser aproveitado gratuitamente.

Tem o mar no centro da cidade, e tudo o que o mar permite, desde travessias a nado entre praias até windsurf. Tem um calçadão maritimo que atravessa toda a cidade à beira mar, de cerca de 6 Km de extensão (só na parte relativa à cidade), e que está sempre cheio, principalmente ao fim de semana, onde muitos aproveitam para fazer o seu passeio higiénico, a pé, de bicicleta ou de patins. Tem 3 jardins enormes de onde partem, se encontrem e entrecruzam “rutas” para desportistas, seja ciclismo, atletismo ou mera caminhada. E sobretudo tem centenas de Km de praias, rios e montanhas onde se practicam quase todos os desportos chamados “naturais” ou de “aventura”, desde surf à escalada, senderismo, piraguismo, espeliologia, quads e motrocrosse, etc.

A cidade nem é muito bonita. Estão agora a tratar das fachadas da marginal e vão reconstruir todo o centro que vai ficar modernissímo. Mas dificilmente alguma vez terá o encanto de uma Donostia ou outras cidades romanticas à beira mar. Mas é uma cidade super agradável para se viver. E nomeadamente a nível desportivo, para quem gosta. E quem não gosta também pode aproveitar a praia e os jardins para fazer o seu desporto de acopanhar o cão (diz-se que 70% das casas têm cães) nas suas 2 ou 3 cagadas diárias. E o melhor é que até apanham a caca. E o que não apanham os serviços autarquicos acabam por limpar. Até parece um país civilizado. Parece mesmo um paraíso! Para quem sabe aproveitar e valorizar é.
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5.4.08

Nacionalismos: EUA, Brasil, Índia, China...



Nacionalismos

aqui deixei claro variadas vezes que nao sou nacionalista. Aliás, considero o nacionalismo uma doença. Uma religiao em relaçao à qual tenho pouca consideraçao, e a qual considero que ter cada vez menos sentido. Imagine-se alguém a matar e a morrer pelo nome de um país e sua bandeira! Dispenso…

Foi na Europa que os nacionalismos floresceram com mais intensidade. E é a Europa que lhes está a decretar a sentença de óbito. Os nacionalismos em nome dos quais nos matamos ferozmente até há poucas decadas é agora deixado de lado consciente e voluntáriamente em prol de alianças mais proveitosas. A Inglaterra, França e Alemanha sao aliadas. Milagre! A moeda é uma para quase toda a Europa e é forte. As fronteiras entre os países têm a mesma importancia que as fronteiras entre os distritos, concelhos e freguesias. O sistema juridico unifica-se cada vez mais. O comércio, indústria e serviços também. Perde-se muita coisa. Ganham-se muitas outras. Eu gosto.

Mas o que eu acho mesmo piada é observar os nacionalismos que neste momento se querem mais aguairrados. Nomeadamente o dos EUA, da Índia e do Brasil. E já agora o da China, o da Cataluña e o do País Basco…

Começando por estes últimos.
O Franco tentou uniformizar à força um país que era um conjunto de regioes que conviviam com alguma harmonia. ConsequÊncia? Algumas dessas regioes exaltam regionalismo e nacionalismos mais fortes, diferenciados e independentistas do que alguma vez existiram. É o nacionalismo dos ricos. Quem nao tem o que se preocupar encontra sempre alguma coisita para se entreter. Até inventam línguas…

Também é interessante observar o caso chinês. Por um lado a China é impiedosa e sem comtemplaçoes, como os Tibetanos sabem bem (desde há varios séculos que os chineses e Tibetanos andam nisto). Por outro lado demonstram verdadeira paciência e pragmatismos chinês com o Taiwan. Olhando para o que tem vindo a acontecer há que esperar que vao ter exito em unificar e fortalecer aquele nacionalismo para além do que alguma vez terá existido na história conhecida. É assustador!

Os EUA sao outra história. É o tipico país jovem, sem raízes, sem uniao de facto, que está dividido em mais de 50 Estados Federais, e sobretudo em etnias, cores, linguas, classes sociais, etc. E é precisamente por nao terem tradiçoes, raizes hsitóricas nem laços de uniao muito fortes que se tentam convencer que o têm! E acabaram por tê-lo: serao quase todos gordos ou anoréticos, plásticos, trabalhadores especializados, consumidores compulsivos de franchisisngs e supermalls, soldados feitos à pressao e extremamente bem pagos…

O mesmo se passa no Brasil, que aliás é cada vez mais americanizado em quase tudo. Menos na (falta de) organizaçao claro está. O Brasil nasceu de um cisma português. Eramos um enorme imperio em influência e território. O Rei nao soube lidar com uma crise interna, escapou-se e isolou-se em parte do território, precisamente a terra de Vera Cruz, e acabou por separar e autonomizar aquela parte do Império. Mas nao se pense que por isso o Brasil, que nasceu directamente do fracionar de Portugal, é uma grande uniao de carácter português. Nada disso. Excluindo a lingua e o cristianismo (e mesmo aí…) o Brasil é menos influênciado por portugueses que por italianos, alemaes, judeus de varias proveniencias, japoneses, africanos (ex-escravos), etc. E sobretudo pelos EUA claro. Só há uma cultura que é nitidamente menos importante no Brasil que a portuguesa, sao as antigas culturas aborigenes, dos varios indios, dos quais aliás sobram poucos… E no entanto, a pesar de serem um país com pouco mais de dois séculos e da enorme diversidade cultural, os brasileiros sao muito nacionalistas. Entre o desespero, a critica arrraigada, a compulsao a querer estar permanentemente a desfazer e refazer tudo em rebeldias teenager, e, sobretudo, com muita esperança, eles nao conseguem deixar de acreditar e criar esse nacionalismo. Até já vao no ponto do revisionismos histórico, dizendo que os portugueses foram terriveis invasores e colonizadores opressores dessa naçao antiga… Mas eles nao sao quase todos descendentes de portugueses e outros colonizadores? Pelo menos os estado unidenses celebram as curtas raízes que têm, nomeadamente as europeias. No Brasil, os descendentes de portugueses, italianos, alemaes e japoneses gostam de se achar continuadores e herdeiros dos indios que os avós deles ajudaram a exterminar! É Brasil, é só rir. E digo isto com fraternidade porque gosto mesmo do Brasil e de muitos brasileiros.

Há mais uma coisa que eu acho interessante no Brasil, e na Índia, onde se pode observar de uma forma muito visivel algo que também acontece em quase todo lado de uma forma menos explicita. É que aquelas misturas e confusoes todas criam situaçoes totalmente impossivéis de classificar dentro dos paardigmas classicos que os europeus inventaram. Por exemplo. O Brasil, entretanto moderno e americanizado, ainda mistura uma organizaçao estatal que herda estruturas implementadas por europeus há séculos atrás, com influências de estado centralista e intervencionista (de tendencias socialistas-fascista) importadas também Europa. Mas na practica o Estado funciona tao mal que nao tem metade da relevancia, nem para bem nem para mal, do que tem o Estado dos EUA, que querendo ser modelo de “capitalismo-liberal” acaba por ter muito mais intervençao real na economia e sociedade que o Estado brasileiro ou indiano. Leis intervencionistas sem regulamentaçao e aplicaçao practica nao servem de nada, e acaba-se por deixar tudo num suposto liberalismo em que na realidade manda a mao invisivel, a mao dos mais fortes sobre os mais fracos . Como em todo lado…


Mas o caso de nacionalismo mais engraçado de se observar é o da Índia. Índia que aliás é o mais novo de todos esses países. Nasceu já depois da segunda guerra mundial. Nasceu pela mao inglesa. Os ingleses desenharam a Índia e Pakistan actuais. Desenharam e criaram dois nacionalismos. Dois nacionalismos fanaticos e nucleares diga-se. Duplamente fanáticos: fanaticos do próprio nacionalismo e fanáticos de religioes que associam a esses nacionalimos. Uma dupla explosiva. Aliás, vendo bem as coisas os ingleses só fizeram foi merda e da grossa com estas questoes do ultramar. Foi na Índia e Pakistan tal como foi com os Palestinos e Judeus. Só com esse "pequeno" erro podem considerar-se grandes responsávéis pelos nacionalismos arabes actuais, que entre si juntam alguns dos casos mais repugnates de nacional radicalismo. E pensar que antes dos ingleses gerirem a queda do império de forma tao idiota nao passavam de umas pobres e perdidas tribos arabes que vaguevam pelo meio do deserto... Mas enfim, os ingleses estavam tontos há muito tempo. Talvez por isso também resolveram deflagrar a 2ª guerra mundial ao declarar guerra à Alemanha Nazi. E tudo com pompa e altivez, que aliás quiseram demonstrar que ainda têm aquando o episódio trágico-comédia chamado Malvinas. Se não fosse trágico seria cómico ver "nações" em guerra por rochedos desabitados, sejam eles simbólicos ou não. Bem sabem os irlandeses e escoceses que ingleses nao sao flor que se cheire. Só fazem merda! Os estado unidenses rápidamente se aperceberam que o melhor a fazer seria dar-lhes ordem de marcha! E alguns até eram conterraneos!

Pois bem: criaram a Índia. O que é a Índia? Ninguém sabe bem. É uma mistura total entre o velho e o novo, de tal forma mesclados que nao se sabe onde começa um e termina o outro. (mas claro que para neo nacionalistas tudo é antiquíssimo!). É uma mistura total de quase todas as religioes do mundo, cuja a grande parte delas nasceu lá. Quase todas menos o comunismo e nacionalismo que importaram e incorporaram sem dificuldades. Aliás se alguma coisa caracteriza a ïndia é a sua capacidade de importar e incorporar tudo e mais alguma coisa. E exportar também. Aliás, foi por causa da Índia que a globalizaçao começou, primeiro de lá para fora, depois para chegar lá. E agora de lá para fora e de fora para dentro… Será que neste mundo globalizado ainda faz sentido falar de dentro e fora?


Claro que os indianos (nacionalidade recentissima) sao altamente nacionalistas. Fervorosamente diria. E sim, eles diram que têm a cultura mais antiga e erudita da humanidade, muito embora eles a conheçam tao mal, e parte dela ter sido desenterrada por e para ocidentais…

Enfim…nacionalismo! Entre o rir e o chorar mais vale rir.
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10.3.08

Depressão

Ás vezes fico depressivo. Nem sequer fico infeliz. Fico só depressivo. E como todos os depressivos deixo-me curtir a minha própria depressão. É um direito fundamental que nos assiste.

Como andava tudo tão extremamente bem é natural que uns dias deste aparececem pelo meio para equilibrar as coisas. E nada melhor para estas depressões que estar doente (este torcicolo não é normal), em casa, sem nada interessante para fazer, num dia frio e chuvoso.

Deambulo pelos blogs, pelos sites de noticias... Como sempre apresentam um presente e futuro negros.

Esta noticia do Público é alarmante:o euro próximo de 1,55 dólares, o barril de petróleo a caminho dos 107 dólares, o ouro à porta dos mil dólares. Somam-se a esses recordes, o da platina e o do cobre. Um dos efeitos mais gravosos será o agravamento da inflação na Zona Euro.

A globalização puxa os preços para cima, a economia americana puxa a economia mundial, e sobretudo a europeia, para baixo! A descelaração em Espanha também deve prejudicar a nossa já fragil economia...

Faz-me lembrar outros dias e pensamentos como este. Como este, e este outro dia.

Pois, como este blog é uma expressão do que sou, e hoje estou isto, isto partilho com vossas senhorias. Estou certo que adoram um pouco de negativismo. And here is the rest of it.. Leia artigo completo

Pensamentos ou preces?



Agora anda de moda esse tal de "O segredo", que básicamente "revela" algo que para Yôgins é absolutamente básico: aquilo que tu pensas com desejo acaba por se tornar a tua realidade.

Pois eu desejei parar. E foi rápido!

Estou com um torcicolo de dimensões apocalíticas que me está a confinar a estar sentado ou deitado semi paralizado!

Leio, escrevo, passeio pela net... penso e desejo ardentemente que os meus musculos sejam absolutamente contorcionistas....

nd here is the rest of it.
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