20.12.08

Frases feitas e discursos vazios sobre a crise

Tive a infeliz ideia de me deixar estar a ouvir o programa “Prós e contras” da RTP, que tinha o titulo de “O que vem aí?”.

Naturalmente estava um corpo ilustre de pensadores e especialistas diversos a analisar causas e consequências da tão falada crise, a tentar fazer previsões e dar soluções... tudo bem.

Os primeiros diagnósticos saíram disparados.

Porque este
sistema faliu. Porque é preciso reformular o sistema. Porque o sistema não poder ser tão individualista, egoísta, imediatista. Há que tentar distribuir melhor a riqueza, minorar as diferenças sociais, evitar misérias e revoltas sociais. Até aqui até o mais convicto capitalista estaria mais ou menos de acordo. Afinal, o que todos querem é salvar este sistema, pois ele permitiu o melhor nível de bem estar economico-social alguma vez alcançado em toda a história ocidental. E pelo caminho também no oriente... Claro que este facto agora ninguém diz, até porque quase ninguém o quer ver. Mas pronto, até aqui tudo bem, é um discurso razoável. É só bom senso, um apelar a maior ponderação e racionalidade, que nos últimos 10 a 15 anos se foi evaporando levando aos exageros de optimismo e leviandade que agora o próprio sistema está a corrigir através das perdas, as perdas a que chamamos crise. Tal qual quando bebemos demasiado e ficamos com ressaca. É normal, ou já nem os altos e baixos da vida são compreensíveis e aceitáveis? Parece que não...

Ás tantas, alguns dos ilustres convidados, começam com o discurso mais ou menos anti-sistema.

O primeiro a discursar foi o auto intitulado cientista. O seu discurso foi quase místico de tão profundamente idealista e optimista. Segundo ele “a ciência” (para os cientistas a “a ciência” é algo á parte, não é só saber mais...) está aí a fazer novas descobertas a cada minuto, o Homem está a conhecer-se, a autoconhecer-se através da ciência, a expandir-se a si mesmo á medida que expande o seu conhecimento deste universo em expansão, conhece mais a natureza de que é parte, e por isso todos os problemas serão resolvidos e novos mundos conquistados. Há esperança portanto, sejamos optimistas... Estava a ouvi-lo e parecia-me mesmo o discurso místico-idealista que tanto abunda no meio do yôga! Só se esqueceu de mencionar que o conhecimento que a humanidade vai gerando tem como causa e consequência o aumento do seu poder destrutivo, e não só o construtivo. E que a cada nova solução aparece um correspondente novo problema. Um problema causado pela própria solução! O nosso exito é também a nossa cruz. Para cada avanço um igual recuo. E neste momento estamos a uns cliques de distância de um apocalipse nuclear que recicle a humanidade rapidamente, e isso também é o resultado directo do trabalho cientifico. No fim fica tudo na mesma. Ou até um passo mais próximo do precipício! Avé “a ciência” avé.

Mas tudo bem, o Homem tem direito a sonhar, e hoje os delírios mais místicos vêm pela mão dos ditos cientistas...curioso.

Mas depois o discurso descambou para algo mais comum, vieram os chavões e frases feitas mais...interessantes?! Tipo: há que voltar a valorizar voltar ao bem comum. Hummm?! Mas o que raio é o bem comum? Que eu saiba o bem comum da Rússia da China comunistas foi aquele argumento que sacrificou muitos milhões de pessoas para construir rapidamente um ideal que alguém impôs ditadurialmente. Aliás, sempre que é preciso mandar o povo para a guerra é o bem comum que se invoca! Quando é preciso aumentar os impostos e baixar os salários é o bem comum que se invoca. Quando se salvam os bancos e fortunas dos ricos que andaram a jogar os dinheiros nas bolsas é o bem comum que se invoca. O bem comum é a sacrifico para as maiorias, para os mais fracos. O bem comum assusta-me! Mas os chavões não ficaram por aí. Diziam até que o individualismo era o pecado moderno, e que as liberdades individuais tinham de ser repensadas...Se não fosse um padre a dizer isto eu diria que era o discurso socialista-comunista do PCP a sair da cassete. Mas não. Era um padre com mesmo exacto discurso em versao moralista crista. Eu realmente sempre os achei bastante iguais, um filho do outro. Ao apelo ao bem comum juntava-se o apelo à ética. Qual é essa ética? Não chegaram a dizer. A esse junta-se o apelo à justiça. Qual justiça? Ninguém concretizou (como se diz no futebol). Mas o melhor veio depois: “há que querer ser melhores, melhores no verdadeiro sentido da palavra”, “há que ser mais autenticamente humanos”. !?!?!? Mas do que raios é que estão a falar? De que ética e humanidade é que estao a falar? A do tempo do Salazar onde éramos pequeninos, ignorantes, sós e miseráveis? A do século XVIII e XIX de capitalismo selvagem que fabricaram o ambiente económico-social dramático que fez surgir os idealismos comunistas, socialistas e anarquistas? A da década de 20 do século XX dos tempos da grande depressão que desembocou no século XX das duas guerras mundiais, da guerra civil espanhola, da guerra fria e em muitíssimas outras? A dos regimes comunistas do pós guerra? A da igreja católica inquisitorial longo da história ou a dos casos recentes de pedofilia? Afinal qual é essa ética, a ética de que tempo, de que humanidade? Que suposta ética e humanidade perdida e essa?? Cá para mim estamos a falar do eterno sonho do paraíso perdido, estamos no campo onírico...

O que raios é “ser melhor no verdadeiro sentido da palavra” (melhor)? O que raios é “ser mais autenticamente humano”?

Chavões. Frases feitas. Discursos vazios.

Ser autenticamente humano é ser egoísta, ter medo, ser insatisfeito, neurótico, é fazer fugas para a frente, querer sempre mais neste jogo selvático pela sobrevivência, criando problemas novos com cada soluão. Pelo menos é isso que eu vejo quando olho a minha volta, quando olho para mim, quando estudo a história, e quando percebo a realidade por trás das máscaras destes moralistas cheios de belos discursos...

Mas o que pessoal quer isto. Discursos. Sonhar com mudar tudo, grandes revoluções, deitar abaixo e fazer de novo, salvações. Eu ao pé disso até prefiro um bom e velho queixar-se e dizer mal de tudo, ao tipo deste que alguém muito querido me enviou e me pareceu delicioso:

“Tou a fazer capas de … , já tenho várias mas nem sei qual é a melhor, é fazer até cair.
Nao tenho mais grandes novidades para além de que o governo é uma merda, que o socrates comprou o curso, que a ministra nao percebe nada, e os sindicatos é que sao bons, e o manuel alegre é o maior, mais um partido, mais um bando de mentirosos, enfim, nao sei o que se pode fazer, a nao ser seguir em frente, dar o melhor e esperar que passe, a crise? ou que passem para o outro lado todos os mentirosos deste país, e com eles o maldito magalhaes!!”


Se formos a ver bem está sempre tudo em crise (pelo menos a avaliar pelo que dizem os mass media e os seus especialistas), e se alguém soubesse mesmo o que se passa nunca estaria, mas a verdade é que ninguém pode prever sequer o que vai acontecer no próximo mês, e por isso a única coisa que se pode fazer é exactamente “enfim, nao sei o que se pode fazer, a nao ser seguir em frente, dar o melhor e esperar que passe, a crise?”. Agora e sempre.
Leia artigo completo

15.12.08

2 meses, 20 graus e 20 pés de ondulaçao de diferença


Here is the beginning of my post. And here is the rest of it. Leia artigo completo

7.12.08

O fim dos ideais políticos. Viva a globalização

Um tempo sem esperança

Ainda há gente a falar de esquerda ou direita. A falar de comunismo versus capitalismo, versus liberalismo... Ainda há, mas talvez seja por pouco tempo. Este é o momento em que se torna claro que isso já não faz sentido. Já não faz há muito tempo, mas agora é apenas e só óbvio!

Sejamos claros: o capitalismo não morreu nem vai morrer. O capitalismo foi uma constatação de facto. A melhor parte da análise económico-social feita por Marx. Foi o Marx que inventou teoricamente o capitalismo, que na sua
altura era ainda mais óbvio, selvagem e cruel que é hoje. Ele o que observou foi a Vida tal como ela é. Era, porque hoje, pelo menos por estas latitudes, vai um pouco melhor! Claro que ele achou que a vida tal como ela é não devia ser! Ele era humano, inconformista, insatisfeito, revolucionário, idealista. Por isso idealizou o comunismo, a sua própria versão da salvação! Outros idealismos salvadores foram criados, desde o hiperidealismo cientifico (o cientismo), ao mais terreno liberalismo, passando por varias misturas e seus híbridos, e todos falharam. Ou melhor, não falharam, simplesmente não existiram, nem vão existir nunca. São meros modelos teóricos, ideais, radicalismos, sonhos de salvação colectiva. A vida continua a ser o que sempre foi: uma luta tremenda pela sobrevivência, sem quartel, cruel, selvagem, em que os fracos vão sendo comidos vivos pelos mais fortes, fortes que o são momentaneamente, e o deixarão de ser e passarão a ser fracos, o comidos, e morrem! Quem não gosta proteste, reclame, revolte-se, reconstrua. Mas não tenha a menor dúvida, só estará a renovar o que já existe. Se não aguenta, se com isso desespera, suicide-se. Para gente lúcida este tempo, como todos, é sem esperança. Nem esperança nem desespero. Não há solução, o que equivale a dizer: não há problema! É o que é.

Em Portugal como…

Como diz um amigo meu, o PS joga nos dois lados, e nunca se sabe bem para que lado a balança vai pender! E neste momento o PS mais facilmente faria uma aliança com o PP que com o BE ou o PCP! Neste cenário, agravado pelos temores de crise grave (o medo torna todos as maiorias [ainda] mais conservadoras) deixa pouco espaço para o PSD se reorganizar e reafirmar como partido forte e credível. Aliás, o PSD apenas se diferencia muito ligeiramente do PS por ser, teórica e tendencialmente, mais liberal na economia e menos nos costumes, precisamente na contra corrente dos nossos dias. Agora os bancos privados que geram grandes lucros a gerir algumas fortunas são salvos pelo Estado quando entram em rotura. No fundo só assumem os ganhos, porque o risco e os prejuízos são para o Estado, ou seja, para cada um de nós, e nomeadamente para a classe média. É o novo socialismo! Os gestores privados são amigos dos públicos, ou seus sócios, ou ex governantes. Ou futuros governantes. Conceberam o sistema e dominam-no. Aqueles que até há uns meses clamavam bem alto contra o tamanho e intervencionismo do Estado agora aplaudem, reclamam, exigem e agradecem a intervenção estatal nos bancos e na economia em geral, principalmente na economia que salvaguarda as suas fortunas em risco… É muito curioso observar, não só a politica em si, sempre cheia de sentido pratico a defender certos interesses, mas também o comentário politico dos nossos dias, sempre tão entusiasmado, tão convicto, tão emocional, flexível e hipócrita. Os que antes eram da esquerda, os que se afirmavam contra o neo-liberalismo, agora insurgem-se contra a intervenção do Estado na economia, dizendo que isto é socialismo dos ricos e portanto, se é para salvar ricos, não vale a pena nem é legitimo, eles que assumam os riscos do seu sistema, ou seja, defendem na prática, o liberalismo. Já os anteriores pseudo liberais mais de direita agora aparecem angélicos e convictos a defender que o Estado deve intervir, tem de intervir, justificando-se que é para salvar uma economia que é de todos, colectiva, para salvar o sistema de uma derrocada profunda! Estão a defender o socialismo estatizante. É só rir.


Qualquer um sabe que quando as coisas estão mal quem mais paga é que já está pior independente dos ideias e da tipologia do sistema. O “povo” não é vítima nem tolo, é simplesmente mais fraco, e por isso simplesmente aguenta.

E isto é Portugal como é por esse mundo fora.

…no mundo!

Os EUA, inevitável paradigma de capitalismo (pseudo) liberal, foram o epicentro de tudo isto. Os problemas não são deles. Nós somos iguais, somos como eles, somos eles, somos parte do mesmo sistema, como o mesmo tipo de sociedade e economia. Mas como eles são maiores e melhores ainda estão na liderança, e por isso, para bem e para mal, tudo começa lá.

O governo Bush, beligerante, evangélico conservador nos moralismos, pseudo liberais em termos de teoria económica, foram os primeiros a ter a ideia brilhante de ir salvar bancos (na realidade é uma mistura entre bancos, seguradores, sociedades de investimentos e especulação financeira, lavagem de dinheiros, etc.) com muitos biliões dos contribuintes (700 mil milhões de dólares!!!!). E agora já não é só o sector financeiro. Os três grandes construtores de automóveis de Detroit, verdadeiros símbolos da economia americana, e que há décadas andam a viver de mãos dadas ao poder politico (talvez por se acostumarem a essa almofada foram ultrapassados pelos japoneses que agora dominam o mercado) vieram primeiro pedir, agora implorar uma fatia desse bolo, chantageando os estado-unidenses com a sombra da sua falência que causaria muitos milhares de despedimento e lançaria o país e o mundo numa nova grande depressão. Dizem que sem os $ públicos não se podem reorganizar, modernizar, e viabilizar, nem a curto nem a médio e longo prazo. Claro que a médio e longo prazo os lucros vão para os donos, não para os contribuintes!

Quem fala nos EUA de Bush, (e de Obama que seja, porque não será muito diferente), fala também de Brown, Sarkozy, Merkel, Berlusconi, Durão Barroso, etc. E quem diz esses diz o Zapatero e o Sócrates. Que grandes diferenças há?

Na China, herdeiros de cultura mais antiga, capazes de sacrifícios enormes mas também cheios de sentido pratico já há décadas que se deixaram de tretas. Primeiro impuseram um ideal para obrigar o país a unir-se e a fazer sacrifícios gigantes. Depois passaram a dobrar os idealismos revolucionários para os fazer servir os interesses e necessidades básicas. Criaram o sistema híbrido total. É ao mesmo tempo comunista, socialista, capitalista, liberal, ditatorial…e funciona! Vão dominar o mundo. E quando o padrão mundial for o chinês estaremos bem fodidos.

Ou talvez não, porque da forma como as coisas vão a globalização vai impor-se sem tréguas, e
já não haverá etnias, nem países, nem culturas, nem ideais. Seremos somente humanos, animais a lutar pelo dia a dia, como sempre.

Leia artigo completo

4.12.08

Rota da seda solidária...em bicicleta!


Um casal de amigos asturianos, ex alunos, a quem devo a honra e prazer de me terem introduzido nos primeiros passos de montanha e escalada, vai fazer uma viagem fantástica, que muito me inspira, que muito adoraria fazer: a rota da seda em bicicleta!

Como não queriam ir só por ir pensaram num bom motivo mais pelo qual viajar, uma boa causa, e transformaram a viagem numa rota solidária. Podem saber mais no site: Ruta de la seda solidária 2009

Para quem quiser participar, ou pelo menso inspirar-se...span> Leia artigo completo

28.10.08

Livros, bibliotecas e escritórios...



Finalmente reuni toda a minha biblioteca. Não é que seja gigantesca, mas já pesa! E para alguém com o gosto pelos livros, ter a biblioteca dispersada, em mudança, tem um custo até emocional! Acho que consegui encontrar um sitio onde, mesmo que volte a fazer mudanças, este escritório e biblioteca podem ficar estáveis! Será?

Por agora está óptimo.
Leia artigo completo

20.10.08

Fui a Fátima a pé!

Fui a Fátima a pé! Cerca de 35 KM desde o meu ponto de partida. 7h. Só ida.

Fui porque fui. Nem sei bem porquê. Fui por ir. O meu comparsa Milton, já habitué desta caminhada, terá os seus motivos que nem sei bem quais são, e nem interessa, mas creio que serão mais ou menos os mesmos que os meus. É uma caminhada típica, pronta, que se faz...

Não sou religioso, nem anti-religioso, não fui rezar, nem pedir nada, nem procurar motivos para criticar ou reprovar coisa alguma. Fui por ir.

Sabe-se lá, talvez até volte a fazer. Gostava de voltar a fazer em época de rumaria mais intensa, conhecer verdadeiros peregrinos, e talvez até ir num dia 13 dos importantes para me dissolver num dos maiores eventos religiosos da Europa. Desta vez, num dia normalíssimo, estavam “só” alguns milhares de pessoas.

A nova catedral é enorme, e arquitectónicamente interessante para o meu gosto.
Leia artigo completo

1.10.08

Londres



Depois de vários anos a adiar, por um ou outro motivo, esta viagem tão desejada, lá fui. Fomos. Uma semaninha em Londres no inicio de Setembro. 8 dias, uma hora de sol! Mas ADOREI. Gostei da cidade, gostei de conhecer nas calmas. Gostei de ficar com amigos, visitar outros, sair com outros. Gostei dos circuitos turísticos habituais, dos menos habituais, dos pessoais... Gostei tanto que estou a planear voltar lá me breve, mais tempo, para conhecer melhor. E mais direi então.

Aí numa casa que alega ter albergado um dos meus escritores preferidos, Georg Orwell, na Portobello Road, que por então seria mais um bairro asqueroso de Londres...
Leia artigo completo

31.8.08

Meu querido Portugal - a volta...

Meu querido Portugal-a volta do emigra!

Pois é, estou de volta! Estou de volta ao meu querido Portugal. Não sei definir Portugal, nem o que é ser português. Não sou especialmente orgulhoso de Portugal, nem de ser português (nem de quase nada). Nem triste ou envergonhado. É só a minha terra, a terrinha, as terrinhas, onde nasci e cresci. E gosto. Gosto mais que da Espanha onde vivi os últimos 3 anos, e da qual também gosto muito. Mas, como diz um amigo meu, há duas coisas que um Homem nunca renega: os pais e a terra. (mais tantrico que isso é difícil!) E cá estou de volta, numa mudança que se motivou por razoes pessoais, familiares e profissionais. Cá estou para um ano de transição, algo sabático, onde espero aproveitar para fazer umas boas viagens e experimentar outras formas de viver, de ser. Vamos ver.

Nos primeiros dias foi a mudança. Aproveitei para finalmente reunir minha biblioteca (umas das poucas coisas há qual sou “agarrado”), e montar o meu próprio escritório privado. E que prazer isso me trás! Depois começaram as férias, a praia, o surf, o rever dos amigos, ler uns livros pendentes e não pendentes, umas pequenas escapadelas por um e outro cantinho especial deste meu querido Portugal. E tem sabido tão bem! Até já passou aquela sensação inicial de que só estava de férias, aquelas férias curtitas, de duas semanas que não davam para nada, as duas semanas de férias de emigrante que a qualquer oportunidade volta à terrinha. Até surgiu uma practica de yôga estável e disciplinada, muito autodisciplinada e autosuficiente, bastante concentrada, consciente, de prazer, como poucas vezes vivênciei antes. Ai tão bom! Até férias de internet tirei...

O estado da nação!

O estado da nação é mais ou menos o mesmo de sempre. A economia não está famosa, o pessoal está um pouco mais apertado, queixa-se de tudo como sempre, mas a cultura popular, individual e colectiva, o sistema, está mais ou menos na mesma. Cada vez mais cultos, ou pelo menos mais educados pelas universidades, mas ainda essencialmente inertes, sem iniciativa e empreendorismo. E o profissionalismo vai aumentando, mas pouco a pouco, e sempre a remar contra a maré do laxismo e improvisação, que é uma espécie da nossa versão negativa do laissez faire laissez passe.

Cada vez estamos mais americanizados. Mais privatizados, mais vendidos, mais nas mãos de algumas grandes empresas, bancos, seguradoras, construtoras, etc., a maioria internacionalizadas. Até os dois últimos serviços públicos (dignos desse nome) que restam estão em vias de desaparecer. O SNS(aúde), e SNE(ducaçao) estão aos poucos a tornar-se menores, secundários, marginais até. O Estado cada vez mais é mera burocracia, onde se fazem leis conforme aos lobbies das grandes empresas (e não do voto popular), e onde se cobram taxas e impostos e se arca com as despesas de fiscalização e segurança. Até o sistema judicial (que continua a exercer-se em estado dramático) querem privatizar cada vez mais. Ora, eu até sou a favor de maior profissionalismo e rigor na gestão, mas a privatização não é a resposta para tudo! A França e Alemanha (e outros) são muito mais profissionais, rigorosos e produtivos que os portugueses e o sistema deles não é mais privado que o nosso, antes até ao contrário. O problema transcende o Estado e os seus vícios (e virtudes , tantas vezes esquecidas) típicos, é uma questão ampla, de cultura, de passados de décadas e séculos. E isso não muda de um dia para o outro. E também a americanização não resolve tudo. Aliás, estamos num bom momento para ver que o próprio sistema americano tem problemas graves, com os quais se enfrenta neste momento. E se mesmo assim funciona relativamente bem, é preciso recordar que a cultura de base, de gene, é outra. E que os privados até nos EUA colaboram com um poder publico muito activo e dinâmico, que impulsiona o próprio sistema privado seja fazendo a maior rede rodoviária do mundo, por exemplo, seja fazendo a guerra, que compra tecnologia e serviços aos privados, e que ao mesmo tempo lhes assegura mercados e acesso prioritário às matérias primas (muitas vezes através de guerras imperiais). Esse ciclo não se passa em Portugal. Além disso, nos EUA, o principio da propriedade privada convive directamente acoplado ao principio da iniciativa privada, ao empreendorismo, à responsabilidade individual, e à concorrência. Nada disso existe em Portugal. Não existe, desde logo, como cultura de base. Veja-se o caso dos combustíveis. Privatizou-se tudo. As empresas a actuar no mercado agem em cartel. Os preços do crude sobe, e imediatamente o combustível nas bombas sobe, mas se o crude desce, não desce imediatamente, nem em proporção, nas bombas. O combustível em Portugal é ainda mais caro que em Espanha. As empresas petrolíferas estão mais ricas que nunca. A Galp (que já nem é dos portugueses) da mais milhões de lucro que nunca. Que vale tudo isso aos portugueses?! O mesmo se passa na electricidade, com a EDP, e nesse caso nem sequer há concorrência! A própria “entidade reguladora” do sector, que supostamente deveria servir para defender os interesses do consumidor, recomendou que os actuais consumidores pagassem indiscriminadamente as dividas deixadas pelos que não pagaram!?! A EDP dá-se ao luxo de atribuir um numero de TV teóricos a cada casa, em função do tamanho, e cobrar por cada uma delas, mesmo que o cidadão não tenha nenhuma! E as auto-estradas, essas vias de comunicação essenciais? Pago mais para ir de Lisboa ao Porto do que para ir da Coruña a Barcelona! Vendemos as nossas estradas (e pontes) a construtoras. Veja-se, não vendemos a construção, e sim as próprias estradas! E agora estamos a pagá-las muito para além do seu custo de construção!

Tenho receio que estejamos para ficar apenas com o pior do sistema americanizado de economia mundial. Um sistema que demonstra ter problemas graves em si mesmo...

A classe média, depois de ter sido criada e engordada essencialmente pelo Estado e pelos subsídios, está agora a encolher rapidamente, à medida que o Estado se retira de cena e que os subsídios acabam. A maioria da população, entretanto com um nível de educação académica relativamente alto, tem de se adequar ao empobrecimento que avança. Há poucos empregos, porque há poucas empresas, porque há poucos empreendedores. E contra mim falo. Eu fui para o estrangeiro abrir a minha própria empresa, criei o meu próprio posto de trabalho. Não o fiz me Portugal, não sei se o faria, não sei se o farei... Como eu, alguns dos amigos menos acomodados, mais empreendedores e corajosos estão a emigrar. Para a Europa mais do norte, para os EUA, para a Austrália. Até para o Brasil! Volta a haver emigração mão-de-obra desqualificada e barata que emigra para fazer os trabalhos sujos e mal pagos que os europeus mais ricos desprezam, mas agora também emigra muita gente muito qualificada que pura e simplesmente se encontra bloqueada em Portugal. Porque a família, “os contactos”, as cunhas, o Estado, tradicionais formas de contornar a falta de competência e valentia, já não dão para a maioria.

Não sei se tudo isto me chateia. Custa-me ver tanta a gente a ir, agora que estou de volta. Mas é assim e pronto. Eu nao tenho soluçao. Creio que vamos ser assim um tempo mais, à rasca, até que eventualmente assumamos que só temos e valemos o que fazemos. Nem o Estado, nem os pais, nem os contactos, nem a UE, nem os EUA, nem nenhum “outro” nos poderá salvar de nós mesmos.
Leia artigo completo

23.8.08

Os Jogos Olímpicos, a China e os portugueses

Os Jogos Olímpicos

Sao os melhores JO de sempre. As melhores instalaçoes, a melhor organizaçao, o maior numero de atletas e modalidades, um numero de recordes impressionantes, alguns atletas “do outro mundo”, o maior controlo antidoping jamais efectuado em quantidade e qualidade, o melhor espetáculo de abertura que me lembro de ter visto. O melhor espectaculo do genero que vi, sempre, JO ou nao...

Eu até nao sou um grande fa dos JO e nem gosto muito dos chineses, mas nao deixo de achar significativo de ver tanta gente a criticar estes JO, por preconceito, por racismo, por antipatia (legítima) para com a China,
da qual a maioria tem tanto medo . Ainda os JO nao tinham começado e já havia mil e uma maldicencias. Começou, corre tudo quase impecável, e o que mais se vê é jornalistas e espectadores à procura de todo e qualquer pequeno defeito que possam explorar com o máximo de dramatismo possivel. Até pormenores que em outro país seriam invisivéis, desinteressantes, ou até elogiáveis como signo excelência organizativa, nestes JO chineses passam a ser malditos com todo o fervor. E mesmo assim nao conseguiram encontrar grandes coisas com que embirrar. Creio que quando os chineses efectivamente se estabelecerem na posiçao pela qual estao a lutar vao ser tao preconceituosos, racistas e persecutórios conosco como nós fomos com eles nos ultimos séculos, décadas, anos, meses, semanas e dias...


Os JO portugueses

Parabéns ao Nelson Evora e à Vanessa. Parabéns ao Gustavo Lima, quarto na vela. A prestaçao portuguesa foi digna. Foi meritória. Além das medalhas e posiçoes lá perto, bateram-se bastantes recordes nacionais. Mais do que isto nao se poderia esperar.

Mas, ainda o JO nao tinham terminado e já os jornalistas, comentadores e espectadores julgavam e condenavam em praça publica os atletas, treinadores, dirigentes e até o governo (esses nunca escapam) pela decepçao, desastre, miséria e até vergonha que os participantes portugueses estariam a registrar na sua passagem por Pequim. Até o presidente do COP criticou os atletas (lamentável) e se demitiu a meio dos JO, antes mesmo da meldalha de ouro e prata, sucumbindo à pressao dos mass média! (após as medalhas quis re haver o posto, o que é duplamente lamentável). Os atletas em Pequim iam há internet e até choraram com os comentários que liam, 90% dos quais negativos. Muitos portugueses, que practicam pouco ou nenhum desporto, nao sabem o que é treinar, só gostam de futebol, e pouco mais fazem de “desporto” que levantamento de garrafa, tinham muita energia para manifestar a sua desilusao e indignaçao para com os resultados dos atletas! Típico: quem nao faz critica a quem faz...

Os jornalistas, ainda a meio da competiçao, julgaram e condenaram logo tudo e todos. Alardearam dos fracos resultados para os 15 milhoes de euros gastos nesta preparaçao olimpica. !!! 15 milhoes de euros?! Isso nao é quase nada! A RTP gasta 22 milhoes por ano para comprar direitos de jogos de futebol! 45 milhoes de euros foi o custo médio de cada um dos estádios do euro de futebol, incluindo o de Faro que abre 2 ou 3 vezes por ano, para um jogo simbólico e um concerto ou outro. E a maioria nem sequer tem pista de atletismo! 15 milhoes de euros pela preparaçao de 4 anos para uns JO é pouco, é barato, é dos melhores investimentos a nivel de educaçao e desporto que o Estado poderia fazer. Basta a medalha do Nelson Evora para inspirar e motivar muita gente para o desporto, e se a maioria nao vai atingir o nivel dos JO pelo menos aprenderá a ganahr disciplina nos teinos, ganhará consciencia corporal, desenvolverá cultura através do desporto, na maioria boa cultura.

E o mais ridículo é que analisados os resultados até se ficou muito perto das metas ambiocionadas. Ao contrário dos anos anteriores, em que o Estado dava dinheiro às federaçoes e a partir de aí perdia o rasto desse dinheiro, desta vez o Estado contratou com o COI os investimentos, estabelecendo metas globais e individuais, e os respectivos investimentos para cada modalidade e atleta. Um nivel de rigor e profissionalismo nunca antes visto no desporto nacional. Pretendiam concorrer em 17 modalidades ficaram pelas 16. Pretendiam ter cerca de 5 medalhavéis e afinal tiveram 6. Ganharam duas. Uma medalha de ouro, pela primeira vez em 12 anos, e numa disciplina de atletismo técnico, pela primeira vez para Portugal. A parte disso bateram-se bastantes recordes nacionais, nomeadamente na nataçao. Foi bom.

Claro que nem tudo correu bem. Algumas prestaçoes foram fracas, e isso faz parte. A Naide Gomes foi realmente pena. E o caso do Obikwelu deve ser analisado e reflectido, nao tanto pelo fraco resultado que teve nos 100 m mas sim pela desistência imediata dos 200 e por tudo o que se passou por detrás, nos bastidores, com o empresário e treinadora. E especialmente grave foi o que (nao) se passou com o Sérgio Paulino, o ciclista que a um dia de viajar para Pequim e depois de 4 anos de terinso financiados pelo programa olímpico diz que já nao pode ir porque o ar em Pequim é muito poluído e ele tem asma, e o COI nao admite o seu medicamento para a asma! Parece-me caso para investigaçao e se for caso disso para processo disciplinar e judicial. Mas esses casos nao mancham uma prestaçao globalmente digna e meritória.

Como ex-atleta de alta competiçao sei que os JO sao o sonho de qualquer atleta. Só ir lá já significa que se é um dos melhores do mundo. E quase sempre significa que se é o melhor do país, e isso já é muito. Significa sempre muitas horas diárias de treino intensivo e anónimo. As vezes corre bem, outras vezes nem tanto. E isso é assim mesmo.


Parabéns aos atletas e treinadores portugueses.
Leia artigo completo

31.7.08

Espanha, eu gosto.

Espanha

Já que estou a sair de Espanha aproveito para registrar algo mais. Mas desconfio que muita coisa só se tornará clara daqui a algum tempo...

Aqui nas Astúrias havia um escritor que dizia: “A mulher é a queixa pertétua”. Pois se assim é, então a sociedade espanhola é feminina. Não feminista, feminina. Os espanhóis queixam-se, muito. Muiuiito. Não é defeito, é feitio. Os portugueses, e em geral os humanos (principalmente os ocidentais), queixam-se. Mas os espanhóis são mais assumidos, expressivos, exuberantes, mais dramáticos, mais histéricos. E portanto o que são vê-se mais. Até o que são às escondidas...

Quando cheguei há 3 anos a Espanha estava na melhor situação econômica do século. Talvez dos últimos séculos. Satisfeitos? Não. Se ouvissemos a maioria, estava tudo mal, desde o Governo claro, ao marido e mulher, amante se filhos, patrões, empregados, etc. Se não havia crise (e não havia) queixavam-se da que estava a acabar e da que vinha aí. Agora que a crise ameaça vir todos dizem: “vez, eu não dizia? Está tudo em crise...”. Mas a verdade é que ainda não há uma crise real. Só há uma crise de susto. As pessoas esperam a crise e por isso consomem (um pouco) menos, e por isso há crise...

São queixosos e insatisfeitos. Como todos nós. Só que aqui isso vê-se mais.

Mas os espanhóis não são infelizes. Nem felizes. Afinal, o que raios é a felicidade? Eles são o que são, como todos nós. E cada um saberá se gosta ou não. Eu gosto.

A Espanha desportiva

Neste momento a Espanha atravessa um periodo de ouro desportivo. É uma das maiores potencias desportivas do mundo. Das cinco maiores. Estão no céu desportivo.

São campeões da Europa de futebol.

Rafa Nadal ganhou Wimbledon na melhor final da década, contra um dos melhores de sempre. Antes já tinha ganhando Rollan Garros. Aspira a ser numero um do mundo. Os espanhóis são eternos candidatos a Taça Davis...

Fernando Alonso duplo campeão do mundo. E há mais dois pilotos espanhóis metidos no mundo da Formula 1. E há engenheiros também...

Nas motos têm varios entre os primeiros, e em todas as categorias.

Os dois últimos vencedores do Tour de França são espanhóis. E ganharam também o Giro.

São campeões do mundo de basquete, e vice da Europa. Têm vários jogadores na NBA em destaque.

São bons no Golf...

Enfim, estão no topo em muitos desportos. E se os jogos olímpicos de Barcelona deram inicio a muita coisa neste processo, a verdade é que há coisas que não se explicam. Creio que os espanhóis simplesmente gostam de desporto. São muitos, tem bons e bastantes equipamentso, e são egocentricos, exibicionistas, querem reconhecimento. E estão a tê-lo.

Vejamos agora nos J.O.

Politica a la espanhola

Vejo uma diferença básica na politica espanhola relativa a portuguesa, chama-se estabilidade.

Dizer que em Portugal houve revolução e em Espanha transição é eufemismo, mas é desde aí que vem uma certa estabilidade. É do sistema constitucional e politico instalado então. Nesse periodo até ressuscitaram a monarquia porque a guerra civil dos anos 30 ainda está presente e o horrror a outra confrontação traz vontades de acordos básicos. E creio que é aí que se cria um modelo mais estavel de politica. Não pela monarquia que aquí ainda é menos immportante que o P.R. Em Portugal, mas pela idea que é (desesperadamente) preciso evitar confrontações de maior. Confrontações que têm a ver com o seu carácter, com os seus regionalismos, com a sua história e seus genes.

O certo é que houve menos governos, e mais prolongados, e mais fortes e estáveis. Primeiro do PSOE-Felipe G., depois do PP-Aznar, e agora do PSOE ZP, que também já vai no segundo mandato. Mas o que acho que é mais marcante nesta estabilidade nem são os governos. São as oposições.

O Aznar chegou ao poder com o PP depois de ter concorrido e perdido uma vez antes. Manteve-se 7 anos como lider da oposição até que venceu. E ficou lá dois mandatos. Deixou passo a M. Rajoy, da sua linha politica, e com boas prespectivas de continuar Governo PP. E agora o Rajoy já perdeu duas eleições e segue a frente do PP! Perdeu as primeiras em situação dramática e nao assimilada, que o colocou nas maos da direita conservadora (Opus Dei e coisas que tais) e o levou a 4 anos de oposição quase totalmente baseada no combate ao governo na sua politica autonomico-regionalista e sobretudo no combate à politica anti-terrorista do governo, que tentou alcançar apaz. Não deu bom resultado. Perdeu as segundas eleições. Houve alguma contestação interna à sua liderança. Mas ele manteve-se fiirme e continua a liderar. Afastou-se (e afastou) os sectores mais à direita e voltou-se para o centro. Em apenas 3 meses mudou completamente as principais figuras de proa do partido e a linha de oposição politica. Pactuou como PSOE sobre a linha de combate ao terrorismo basco e prepara-se para combater o governo em matéria economica, que afinal é o que mais interessa aos espanhóis e que neste momento traz bons ventos...para a oposição.

Em Portugal os lideres politicos da oposição (diga-se PSD) não resistem nem meio mandato. Quantos lideres teve o PSD desde que o Cavaco saiu? Eu lembro-me de pelo menos sete! O que ganhou as eleições (após desistência do Guterres (!) a meio do segundo mandato com maioria relativa) pirou-se, abandonou o barco com apenas um ano de trabalho em favor de protagonismos internacionais. !!! Isto não é apenas causa. Também é efeito. É sintomático.


Expressões popular muito usadas:

Me cago: en la madre, en la puta, en la virgen, en la leche, en Dios...

A puta está entre as outras coisas sagradas em que eles se cagam frequentemente...

O "inglês" dos espanhóis. Extractos dos piores falantes de ingês do mundo...

Lady = leidy (esta está no dicionário)
Ir ao WC = ir al vater, (de water [dizem vater])
Spiderman = espidérman
Filmes do Clark Gable = filmes do cargáble
Miguel - Mike = Maik mundo...







Leia artigo completo