14.11.10

O maior desportista de todos os tempos!

Há uma semana atrás aconteceu algo especial: consagrou-se o maior surfista de todos os tempos, kelly Slater, como o maior desportista de todos os tempos!

Infelizmente, durante o mesmo campeonato, faleceu, em circunstancias por esclarecer, um outro grande surfista, o tricampeão e supercarismático A.I. R.I.P.



É de notar que os diversos jornais portugueses notíciaram a morte, mas não a coroação!!! Leia artigo completo

13.5.10

O meu Deus louco!


Há já mais de um ano, num contexto cultural diferente, fiz uma pergunta a um grande sábio, expoente máximo de outra religião, que ainda hoje nao quer calar: Se o Criador é bom, bondoso, se nos ama, se é amor, se é tudo, se nós e o mundo nao somos mais que uma criação de Deus, se somos Deus (não estava a falar do teísmo cristão, mas aplica-se quase igual), então como, porquê e para quê existe o mal?

Na altura, esse sábio, NÃO RESPONDEU. Disse que a pergunta não fazia sentido e que era bem claro que blá blá blá, e embrulhou-se numa respostas confusa e sem sentido. Ou que pelo menos eu não entendi.

Hoje, ao ver um programa da RTP2, o excelente Sociedade Civil, dirigido pela bela, inteligente e simpatiquissima Fernanda Freitas, dedicado ao tema "Porque acreditamos?" (em Deus), com representantes do judaísmo, catolicismo, islamismo e evangelismo cristão português, a coordenadora refez a mesma pergunta a partir de um comentário que fizeram no blog do programa, e que ela colocou, e muito bem, assim:
se Deus é criador de toda a criação (inclusivé do Homem), e é amor, então porque existe o mal, as guerras, o sofrimento, etc?

Os representantes eclesiásticos NÃO RESPONDERAM. Entretanto embrulharam-se em respostas pouco claras, mas que
apontavam no seguinte sentido: o mal (nos seus diversos aspectos) é culpa do Homem, não de Deus.

Deus é amor, é tudo, é Criador de toda a criação, é criador do homem! Mas quando é preciso explicar a existencia do mal, do sofrimento, crueldade, etc., de repente já não é Deus, é o homem! Por algum motivo algures na história do cristianismo foi necessário criar a figura competitiva do Diabo...

Isto para mim não faz sentido. Até seria capaz de acreditar num Deus que é tudo, um todo a recriar-se continuamente...algo por aí. Mas esse todo incluí a dor, o sofrimento, o ódio, a inveja, a cobiça, a crueldade, a guerra, caos, etc. Amor, ordem, etc. também.

Pouco depois um dos intervenientes disse algo que para mim explica muita coisa: não pode colocar o seu canone de moralidade, de modo de vida, em si mesmo, como pessoa, pois é demasiado instavel, falho, limitado. Precisa de um exemplo maior, superior, perfeito, para o inspirar, para o guiar, para servir de modelo para a sua acção. Jesus Cristo claro.

Faz sentido. Para ele.

Eu remeto-me, cada vez mais, ao Antonismo, com toda a loucura e riscos a isso associados!
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21.3.10

Quem paga?

Uma boa explicação da problemática conjectural...

No expreso/Economist


Pequeno excerto: "Qualquer que seja o caminho que os governos escolham será difícil. Conforme o período de crédito fácil dá lugar a uma era de austeridade, a coesão social de muitas nações será posta ao teste, e nem todos os países passarão. Durante os próximos anos, as carreiras de muitos políticos serão feitas e desfeitas no mercado obrigacionista."
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O que o(s) mundo(s) come(m)

Uma notícia interessante. O livro deve ser interessantíssimo!

AQUI no EXPRESSO

Curiosidade: não são vegetarianos, mas a maioria come sobretudo vegetais... Leia artigo completo

14.2.10

Portugal 2010: mais do mesmo.

Facto 1: O PSD controla (directa ou indirectamente, explicita ou implicitamente) o Público, o Expresso, e o Sol, que é para o PSD quase o mesmo que o Avante para PCP! No mesmo barco controla também a SIC e a ViSÃO. E pelo que se sabe a TVI não tem sido nada favorável ao GOV/Soc. ao longo dos últimos anos.

"Facto 2: o PS não controla nenhum orgão de comunicação social relevante.

Conclusão: O..."

???!!!???


Pelo que vou vendo Portugal esta na mesma. E desde o século XVI isso significa que esta fracote. Nessa altura ainda saímos na frente da globalização, e como pioneiros colhemos os seus frutos. Alguma fruta. Mas não podemos colher mais porque a base que tínhamos era pequena e não havia nem mãos nem cestos para tanta fartura. Nem saberíamos o que fazer com ela. Aliás, mal começamos a ter fartura o que fizemos foi deixar de trabalhar. Para quê? O preto trabalhava. Faziam-se negócios da China… Bem, do século XVII em diante foi sempre a decair, à medida que os outros europeus, mais grandes em numero, com mais saber e poder, tomaram conta das operações internacionais. No século XIX já éramos outra vez pouco mais que um estado feudal. O fim da Monarquia prometia muito. Trouxe alguma mudança, mas não a salvação. O Salvador Salazar também não salvou nada a não ser do caos total ás custas de isolacionismo, ignorância, repressão, guerras e miserabilismo em geral. O 25 de Abril também prometia salvação total. Curiosamente não veio pelas mãos da “esquerda” e suas ideologias apocalípticas mas sim do capitalismo: dos retornados, das remessas dos emigras, do FMI, e sobretudo da EU.

Passamos de um país rural, atrasado, analfabeto para um outro país muitíssimo melhor. Ainda muito acanhado, com mentalidade de pequenino e sobretudo com pouca vontade de saber e de trabalhar. E agora isto esta tudo a vir ao de cima, com a globalização a mostrar os dentes vindos da Ásia e dos Sules, com a EU a esgotar as ajudas, com o ficarmos outra vez nas nossas próprias mãos, com a nossa magra produção de riqueza, com níveis ainda baixos de respeito a lei, com pouca coragem, pouca criatividade.

Pelo menos já temos um um Estado social digno do primeiro mundo. Pelo menos em custos. Parece que se o ocidente ainda tem dúvidas que esta a deixar de ser o centro do mundo, que os centros do poder voltaram a mudar, e que o nosso nível e estilo de vida tendem a piorar, em Portugal isso parece já ter pouco de duvidoso. A minha geração e as seguintes vão viver pior que a dos meus pais. Disso não há muitas dúvidas. Mas que dói dói! Para muita gente da geração dos meus pais é frustrante, uma derrota.

Bem, tudo isto já se sabe, não é novo. É mais do mesmo.

O que promete 2010?

Até agora…mais do mesmo.

O problema é evidente. O nível de educação subiu muito mas as novas gerações educadas ainda não são quem manda. Aliás, em muitos casos, ainda nem sequer conseguem entrar no mundo o do trabalho. A alta de produtividade que daí se espera ainda não mostra muitos frutos, até porque entretanto na Europa e EUA os outros países também melhoraram o nível de formação. E sobretudo porque centenas de milhões (repito: centenas de milhões) de chineses, indianos e de outras Ásias e outros sules entraram para um mercado de trabalho globalizado, e eles não só têm o mesmo ou melhor nível de formação como estão disponíveis para trabalhar mais. Ou seja, o nosso avanço nesse aspecto, foi comido, anulado, lento de mais. Ao avançarmos recuamos! E além disso o alto nível de formação sem criatividade e empreendorismo resolvem pouco ou nada. Pouco mais servem do que para termos juristas a servir no supermercado, exigentes e frustrados.

Como se sabe os portugueses são um povo um muito empreendedor, criativo, desenrascado e até positivo, desde que, é claro, emigrem! Quando estamos em Portugal somos afectados por uma droga qualquer chamada “anti-portanabis”que nos faz ficar meio apáticos, e só gostamos é de culpar-nos e maldizer-nos uns dos outros. É uma espécie de cannabis com mau humor!

Visto isto, visto o quadro estar negro (dizem que somos um país inviável há…800 anos! Menos mal, duramos muitos mais que muitos países supostamente mais viáveis), dizia, perante este quadro negro qual a solução? Beber menos? Drogramo-nos menos? Estudar mais? Criarmos empresas? Trabalhar mais? Não… “Trabalhar é bom para o preto!”. A solução é mais simples, já está mais que comprovada, tem dado resultado pelo menos desde as revolução francesa: dizemos mal dos “chefes”, mudamo-los e pomos lá outros. Iguaizinhos! Melhor ainda se poder ser eu, ou algum conhecido que me possa ajudar ao tradicional espírito do "nacional compadrio" .

Veja-se bem. O Governo acabou de ser reeleito. Já o querem colocar fora. Porquê? Têm outras programas, outras ideologias, outras soluções políticas de conjuntura ou estrutura? Não! O essencial da política actual é predefinida pela UE, e acabaram de aprovar o orçamento de Estado em conjunto e por comum acordo. Há por aí algum líder que parece muito bom, muito diferente, muito capaz? Não. É preciso? Não. O que é preciso é desgastar o que lá está até conseguir mudá-lo. Como? Dizendo mal dele. Como? Acusando-o de fazer aquilo que nós fazemos. Aquilo que fizemos sempre, e que vamos continuar a fazer a seguir! O que queremos não é verdadeiramente mudar as coisas, até porque isso é mais ou menos impossível. Basta-nos simplesmente ser nós o centro de atenções, queremos reconhecimento, o poder, os tachos e fundos públicos para repartir...

Facto 1: O PSD controla (directa ou indirectamente, explicita ou implicitamente) o Público, o Expresso, e o Sol, que é para o PSD quase o mesmo que o Avante é para PCP! No mesmo barco controla também a SIC e a ViSÃO. E pelo que se sabe a TVI não tem sido nada favorável ao GOV/Soc ao longo dos últimos anos.

Facto 2: o PS não controla nenhum orgão de comunicação social relevante.

Conclusão: O Ps, “o gov”, é um “polvo”, com planos maquiavélicos e perigosíssimos para acabar com a liberdade de expressão controlando os meios de comunicação social!

??? !!! ???

Pois...

Como não há que discutir opções políticas, ideológicas, práticas de trabalho, etc, que aliás, são pré-definidas em Bruxelas (felizmente), o estado das coisas é este: jornais e jornalistas criam os próprios factos políticos dos quais vivem. E o cúmulo é este: os factos políticos são os próprios jornais e jornalistas! Haja egocentrismo!

Cada um faz política, ou seja, exerce poder, com o poder que tem. O PSD tem posição favorável nos media...

Parece simples. Mas nem é. A questão é mais profunda. Será que os media ainda tem dono? Ou já mandam em si mesmos sem qualquer controlo? Pela lei (segredo de justiça, por exemplo) já se viu que o 4º poder não é inspirado nem limitado. Mas a questão é saber: quem é realmente o 4º poder?! Os media ás vezes parecem mandar mais do que os outros 3 juntos. Sem eleições!

Como diz o meu pai na brincadeira: acabem já com as eleições, políticos, governos, parlamentos e PR. Para quê? Entreguem tudo aos jornalistas/comentadores. Eles sabem tudo... E em parte já são eles que governam.

São todos mais ou menos iguais, concordam mais ou menos em tudo. Em termos de ideologia e pratica económica, que é o que verdadeiramente importa, não há alternativa. Por isso a política passaram a ser supostos casos policiais-jornalísticos, arranjados à mesa do café pelas respectivas seitas de políticos, advogados, juízes, polícias e jornalistas sedentos de ocupar os mesmos lugares e fazer as mesmas coisas. Não há o que discutir. Mas haverá sempre que discutir o quem.

Mais do mesmo. Sempre! Viva Portugal.
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11.12.09

Padrões morais múltiplos, paralelos e paradoxais.



Que a moral muda, que é diferente conforme ao tempo-espaço relativo, isso a maioria das pessoas não tem problemas em aceitar. O que ontem faziam as classes dominantes tendem hoje a querer imitar os que se seguem... O que as classes dominantes dizem ao povo para não fazer, fazem-no eles, em surdina. O que ontem era proibido hoje é moda. O que está bem (não) vestir na praia ou piscina, do outro lado do passeio pode ser considerado obsceno e provocativo. E por aí vai.

O moral são os costumes. Costumes são os habitos, o que se faz. O que se deve fazer, o que se pode fazer, conforme a prespectiva. Da moral retiram-se noções como Bem e Mal. Bem é o que se faz, o que se deve fazer, o que se pode fazer. Mal é o que não se deve fazer.

Em última análise, bem é o que nos convém e mal o que não nos covém. Seja a cada um, individualmente, seja a cada grupo, seja a um conjunto de grupos, a tal de sociedade, a humanidade. Bem é o que convém à Vida, mal é o que não convém à Vida. E cada um terá o seu bitaite a dizer sobre o assunto, que muitas vezes varia em cada momento. Com guerras santas pelo meio e tudo...

O que me tem feito pensar é a complexidade disto. Porque isto até é simples teóricamente. Mas na pratica complica-se. Complica-se porque somos muitos, muitas pessoas, muitos grupos, todos em mudança. Com possibilidades e necessidades que evoluem, com habitos que mudam. Com acções e reações em cadeia, a maioria das vezes com pouca consciência sobre o que se está a passar. Com mudanças que nunca mudam realmente nada. Com um perpetuo equilibrio que na practica exige permanentes reajustes, muitos deles tremendos. E a moral fica aí no meio de tanta gente, de tanto grupo, de tanta mudança, meio perdida. Hoje em dia é dificil dizer o que é bem e mal, o que está certo e errado. Como diz o meu pai “está tudo na moda”. Tudo vale. Quase tudo se aceita. Não, não se aceita. Se fragmenta, e cada um aceita ignorar os outros, e não se chateia muito até que a mostarda lhe chegue demasiado perto do nariz. É um relativismo e individualismo acentuado, que para mim é liberdade, para outros é demência. Que a mim me dá espaço para me encontrar e perder, vezes sem conta, e que a outros dá horror, exactamente pelo mesmo. Enfim, indo a um caso concreto.

Caso concreto

Os recentes anúncios de lingeri que estão omnipresentes pela cidade, nomeadamente da “Intimissima”, e ainda mais os da “Triumph”, puseram-me a meditar sobre este assunto. A questão da moral complexa, plural e paradoxal.

Veja-se um exemplo, os anuncios actuais da “Intimissima”. Uma mulher, belissíma, veste apenas uma lingeri branca numa pose ao estilo... “humm sinto-me tão...hummm...quero...”, algo por aí. Enquanto os homens babam as mulheres sentem, ou querem sentir, o mesmo. E compram. O que acho desde já interessante é o facto de a marca se chamar “Intimissima” e expor por todo lado mais público da cidade uma mulher em trajes menores numa pose de conteudo altamente sensual, provocativo mesmo. Coisa que a maioria das pessoas jamais faria em público. A própria modelo não o faria. Se a modelo, ou qualquer mulher, andasse assim (não) vestida em público muita gente não consideraria certo, bem, moral, e os homens que gostariam também não lidariam com isso como algo normal. Mas nos cartazes, bem grandes, bem visivéis, colocados para exibir bem a modelo e sua pose, é normal, ninguém se queixa, antes pelo contrário. Portanto não se trata de uma mudança de moral, ou de uma moral diferente relativa a tempo-espaço diferente. Trata-se de moral plural, paralela, múltipla e com uma bela dose de paradoxo à mistura. Morais diferentes coabitam no mesmo tempo espaço, nas mesmas cabeças.

Não é este um caso isolado.


Anúncios do genero, mas ainda melhores (para mim) têm sido exibidos pela marca “Triumph”. O actual, da modelo com lingeri vermelha a apelar ao espirito natalício, está óptimo. Mas o anterior, que está na imagem deste post, é ainda melhor. Quando cheguei de viagem, depois de alguns meses num ambiente mais...reprimido, e vi aquilo fiquei num estado... seria de choque, de apogeu, de excitação, de deslumbramento perante tanta beleza? Nem me lembro bem. Foi bom. E eu nem era o público alvo!

Não consigo deixar de me perguntar como a família da modelo, ou a própria modelo, encara a situação. Óptimamente suponho. Mas se a modelo usasse o seu corpo para fazer filmes erotico-pornográficos, que visam excitar as cebeças alheias, tentaria provavelmente fazê-lo sem que a familia e amigos o soubessem, com vergonha, provavelmente nem o faria. A modelo e sua família não achariam bem as pessoas andarem pelas ruas só com aquelas roupas vestidas, muito menos naquelas poses altamente sensuais. No entanto, muito provavelmente, a modelo encara muito bem o facto de lhe terem pago para exibir sensualmente os seus atributos fisicos, para chamar a atenção das pessoas, em cartazes gigantes por toda a cidade. Porvavelmente até gosta que os homens se babem e as mulheres a invejem e admirem. Muitas pessoas até o fariam sem terem de ser pagas para tal, se ao menos tivessem a desculpa, para dar a si mesmas e aos demais, de que “é um trabalho”, é “profissional”, é “arte”. É?!?

Por mim tudo bem. Óptimo mesmo.

Não sei dizer o que é bom, bem ou certo. Mas gosto de que “tudo esteja na moda”, de que tudo seja possivel, aqui e agora.
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A minha 7ª Vida...segue dentro de momentos!

Antes de este ano (de trabalho) começar mentalizei-me para 2 trabalhos. Um, pequeno pequenino, manter-me a dar aulas de yoga, ao Sábado, só 3 aulas. Fácil. E outro era voltar a faculdade e fazê-la bem. Voltei a faculdade, a de Letras, departamente de História, Estudos Asiáticos. Estudos Asiáticos é o nome que actulamente se dá ao que antigamente se chamava “orientalismo”, o estudo das culturas dos países da Ásia. História, geografia, línguas (no meu caso chinês e hindi), filosofia, sistemas politicos, relações com o ocidente, etc. Estes dois trabalhos incluiam um poiso, uma casa confortável, e praticar yoga e desporto para me sentir bem comigo próprio e poder dar o máximo nos dois trabalhos. Pressuponham estabilidade.

Azar. A Vida não corre como queremos. Nós fazemos a Vida acontecer, através das nossas acções, mas, e é mesmo assim, somos apenas parte de algo mais vasto, um Todo, e portanto a vida não nos pertence. E não a comandamos, apenas a influênciamos, um pouco, ás vezes, através daquilo a que chamamos actos de vontade, a maioria deles pouco ou nada concientes, e ainda menos livres, seja lá o que isso for. Azar, a Vida escapou-me “ligeiramente” das mãos.

Como se não bastasse mudar mais uma vez de local onde vivo (em cerca de 8 anos mudei de casa, e ás vezes de trabalho, cidade e até de país, mais de 8 vezes), como se não bastasse voltar a faculdade e o curso ser bastante mais puxado do que tinha imaginado, em vez dos 2 trabalhos planeados tive 4. Em vez de estabilidade tive uma brutal instabilidade, e logo, bastante stress. Um dos trabalhos imprevistos, e bastante problemático, e que agravou as dificuldades dos outros todos foi não ter poiso. Na altura em que precisava, e em que deveria entrar naquela que seria a minha casa, descobri que a coisa estava com um “ligeiro” atraso de cerca de 2 meses! Primeiro tentei ir e vir. Viver no campo e estudar na cidade. Por mais idílico que isso pareça não deu resultado. Rápidamente percebi que tinha de arranjar poiso temporário. Por acaso foi fácil e duas amigas facilitaram-me o acolhimento. E boa companhia diga-se. Mas não era a minha casa. E por vias que não vale a pena explicar já ia no meu quarto ou quinto mês a não dormir mais de 2 ou 3 noites no mesmo sítio, e com a roupa algures perdida por malas, e sem o minimo de estabilidade e rotinas tão necessárias. Até porque quando se fica muito instável, além de se perder muito tempo com adaptações permanentes, a tendência é o desgaste geral, e o organismo começa a exigir que se pare, e lá se vão yogas, desportos, horarios de estudo e coisas do genero. Entretanto a “minha” casa lá ficou disponivel, embora não pronta. Os pedreiros ás vezes ainda entravam e saiam, faltava pintar, colocar o gás, luzes, limpar, mobilar, re limpar, etc.

Hoje, finalmente, acho que tenho casa. Ainda não está tudo. Falta pintar umas coisitas, falta limpar outras melhor. Falta montar um ou outro movel. Mas ontem vieram colocar o gás. E por um milagre (com nome de pessoa) a instalação passou à primeira. E por isso agora tenho água quente, fogão e tudo!!! Só esta semana, desde ontem para ser mais preciso, é que sinto que tenho casa, base, um poiso, algum sitio onde gosto de estar e onde posso estabelecer-me e criar concentração e estabilidade, como se diz para fazer no yoga...

Ainda não estou concentrado nem estável, ainda não estou como queria. Mas estou bem melhor agora. Desde ontem! Uuufffff...

P.S. Estou a viver entre Arrois e Anjos, uma zona cheia de velhos, estudantes, brasileiros e chineses. É algo decadente, mas também cosmopolita. Acho que esta zona está a começar a tornar-se quase...chiq! Num raio de poucos Km vejo um numero crescente de igrejas evangélicas, sobretudo brasileiras. Aleluia, viva o senhor.
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18.9.09

Surfwise! Sonho ou pesadelo? Os dois...

Há um mês vi um filme-documentário chamado “Surfwise”. É sobre uma família de surfistas relativamente conhecidos, os Paskowitz. Conhecidos no meio, principalmente para quem já acompanhava o meio surfistico nos anos 70!

Resumindo: um médico judeu formado em Standforf, Dorian "Doc" Paskowitz, que era surfista já nos anos 50, sendo um dos pioneiros do surf moderno no Hawai e em Israel, viu-se...infeliz!
2 casamentos falharam e a vida profissional como médico e dirigente profissional (com perspectivas de carreira politica) estavam a deixa-lo...infeliz! Solução? Surf. Surf e família. Lá achou uma terceira mulher que adorou a ideia de ser a mães dos seus filhos e a partir daí tiveram 9 filhos! E toda a vida deles foi passada numa auto-caravana! Os 2 pais e os 9 filhos numa auto-caravana. De um lado para o outro, pela a América do Norte, e em geral com muito pouco dinheiro, no limite da sobrevivência, o que alias fazia parte da filosofia de vida adoptada pelo mentor, que procurava não só liberdade mas também uma certa volta ás origens da animalidade humana, la luta pela sobrevivência diária e um certo ideal de saúde plena a isso associado. Sempre sem escola formal e muito surf. Nos anos 70 durante a contra cultura e da explosão do surf como cultura popular, e estilos de vida ditos alternativos os Paskowitz eram um exemplo de que o sonho era possível, uma inspiração, fonte de invejas, admiração, imitação...

O interessante: a partir dos 20 anos os filhos, a maioria deles surfistas e sem qualquer educação formal, fartos de viver sem dinheiro e confortos, fartos dos apertos, fartos da disciplina espartana instaurada pelos pais (disciplina férrea diga-se), começaram a rebelar-se a abandonar o barco. O melhor, a auto-caravana. Entretanto começaram a chatear-se todos. Os irmãos uns com os outros, com os pais, etc. Discussões sobre (o pouco) dinheiro envolvido claro que afloraram logo. Enfim, o que parecia um éden invejável visto de fora desmoronou-se por dentro. Implodiu. Hoje o velho Paskcowitz ainda faz surf ocasionalmente e continua firme e convictos das escolhas que fez para si e para os seus filhos. Mas aos 80 e muitos anos tem mais ou menos a mesma saúde de muitos outros octogenário (ou seja, pouca). Pelo menos fez muito surf e viveu como quis, com a sua família sempre perto. Até certa altura.... Já os irmãos cada um derivou para seu lado, poucos ainda surfam e só um pretende seguir o mesmo estilo de vida preconizado pelo pai. Um em 9. Os outros todos têm as suas mágoas, as suas frustrações, as suas culpas, muitas das quais dirigem directamente ao que os pais lhe deram. Ou melhor, não deram! Nomeadamente uma educação académica formal.

Esta história faz-me lembrar outra, a de uma amiga de uma amiga minha. Os pais dessa amiga de amiga soa hippies de toda a vida. Ela cresceu em comunas, blablabla... E pelo que sei está desesperadamente a procura de um gajo com o qual casar e ter filhos e assentar! De hippies a redneck amaricano em apenas uma geração!

Moral da história: seja lá o que for somos sempre contraditórios, desequilibrados e descompensados. Sempre a procura de outra coisa, a outra, o que não temos. Insatisfeitos, incompletos. A galinha do vizinho é melhor do quea minha. O melhor que podemos fazer é fazer escolhas responsáveis e tentar viver segundas as nossas convicções. Por mais que sejam apenas mais uma, nem melhores nem piores que as dos demais, são as nossas. Sejam elas quais foram. Não garante a felicidade, mas...o que a garante? Mais vale errar com os próprios erros...
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26.6.09

O Portugal dos pequeninos...

Acho que daqui a uns meses, nas eleições legislativas, se for votar, provavelmente vou votar no partido que está no governo. Acima de tudo para ser nos que lá estão! Se fosse o PSD a estar lá provavelmente votava no PSD…Vou votar na manutenção!

Como bons portugas que somos, sempre queixosos, tão queixosos como impotentes (dizer cobardes seria ainda pior) agora como sempre, na maioria, alinhamos pelo discurso negativo que nos caracteriza: está tudo mal, pior que nunca, os políticos são todos uma merda, uns malandros, uns incompetentes, fora com os políticos, as politicas definidas pelos políticos são más, são péssimas, e vou votar em quem me prometer fazer o contrário… Que me lembre os políticos da oposição dizem sempre ser contra tudo o que o governo disser que é a favor e depois chegam lá e fazem mais ou menos o mesmo, até porque boa parte das politicas já estão pré determinadas e condicionadas pelo quadro internacional e sobretudo Europeu, definido em Bruxelas pelo parlamento, esse que 62% dos eleitores não esteve para se incomodar em ir eleger. Outra coisa que todos dizem é que vão descer os impostos. E os portugueses, na sua maioria, são burros, e acreditam. Merecemos. Agora o que está a dar é dizer que se é contra o novo aeroporto e contra o TGV. O PSD nem é contra essa obras, nunca foi, mas como está na oposição agora faz que é, pelo menos até as eleições…O PSD nem é contra a avaliação dos professores, mas como está na oposição diz que é, claro. E se é difícil discordar da decisão politica podemos sempre criticar a “forma” e dizer que o governo é arrogante e não sabe dialogar! O mais engraçado é ver pessoas brutalmente arrogantes e sem capacidade de dialogo a dizer isso... Qualquer mudança que mexa alguma coisita me Portugal exige 20 ou mais anos de avanços e recuos, vários estudos, vários governos, até se tornar inevitável!

O novo aeroporto acredito que seja necessário, afinal, já se fala em construí-lo há cerca de 20 anos, e o tráfego aéreo só tende a aumentar muito mais. Pressuponho que ter um aeroporto decente na a servir a região não deveria sequer ser objecto de grandes discussões. E também sou a favor do TGV. Quanto a mim o TGV já deveria era estar feito há mais tempo!Ter comboios de alta velocidade, não só a ligar a Espanha, mas também a ligar o norte ao sul, parece-me que também não é nenhum luxo, é só o básico de um país que se quer desenvolvido. Sempre estudei nos livros da escola e nos meios de informação em geral que ter muitas e boas vias de comunicação é condição e consequência de desenvolvimento a todos os níveis, é quase seu sinónimo! Os países ditos mais desenvolvidos estão cheios de muitos e bons comboios. Não é só no Japão que até tem comboios rápidos para trajectos curtos! A Alemanha está cheia deles. A França também. A Espanha não só já tem muitos como está a fazer os possíveis para ter um comboio de alta velocidade a menos de uma hora de TODAS as cidades espanholas. Desde a Coruña a Badajoz TODAS as cidades do Estado que partilha connosco a Ibéria vão ter um comboio de alta velocidade a servi-las! O tráfego de todos os tipos está a aumentar, não só o rodoviário, mas também o marítimo e aéreo. E nos comboios também! Em 50 anos 1 só TGV será pouco. Teremos concerteza de fazer outros mais. Será que nós (que sofremos de periferia) somos tão especiais e tão espertos que descobrimos que não precisamos de mais e melhores meios de comunicação?! Somos especiais sim. A nossa especialidade é ser pequeninos. Quanto a mim o TGV já deveria era estar feito há mais tempo!

Dizem que estamos em crise… e daí? Para mim é uma constipação do sistema. O melhor sistema que existe. O sistema que criou o maior nível de riqueza e desenvolvimento que já existiu em toda a história da humanidade. Mas tudo bem, digamos que é uma...gripe! E daí? Este é o tipo de investimento que se vai prolongar por décadas, décadas durante as quais tudo pode acontecer, e durante as quais vamos entrar e sair de varias crises. Este tipo de investimentos ou é bom ou não é bom. Não tem nada a ver com crises conjunturais. E pelo que vejo pelo mundo fora até pode ajudar a enfrentar esta crise momentânea. Ora, se até o governo dos EUA, paradigma de pais capitalista liberal que advoga a não intervenção do Estado, está a intervir na economia, inclusivamente com lançamento de grandes programas federais de obras publicas com o intuito de estimular a economia e ajuda a sair da crise, porque raios é que em Portugal deveria ser diferente? Eu sei: porque aqui temos uma mente pequenina, achamos que isso é para os outros, para os grandes, os outros que não se assustam com grandes números, porque para nós falar em milhões e milhões ainda assusta…

Em Portugal preferimos gastar os milhões e biliões em coisas pequeninas...

Aqui preferimos gastar o dinheiro (inclusive o que não temos) em coisa mais pequenas, que dêem menos nas vistas mas que possamos conceber como mais nossas. Exemplos. Furar a Madeira toda com túneis caríssimos que permitam ligar algumas aldeias ao Funchal mais rapidamente. Construir piscinas municipais, que têm custos de construção e manutenção elevadíssimos, em todas as vilas (e até aldeias) do país, mesmo que muitas delas não funcionem nem a 50% da sua capacidade. Criar parques industriais municipais em cada concelho do país, porque cada um tem de ter o seu (?!?), mesmo que seja a 1 ou 2 km do do vizinho e nenhum dos deles tenha empresas para encher sequer um terço do parque. Ceder terrenos, serviços e outros incentivos (todos caríssimos) para alguns empresários privados encherem o país de campos de golf, boa parte dos quais vão estar sem clientes a maior parte do tempo. Criar vários centros de congressos em todas os concelhos do país, a maioria dos quais vão estar a gerar custos o ano inteiro apesar de estarem sem actividade alguma 90% do tempo. Fazer o maior numero de rotundas por Km2 e colocar lá no meio estatuetas tao feias como caras. Esse tipo de investimentos são mais pequenos mas são em muito maior número e no conjunto são caríssimos. Mas pelo menos são mais perto, podemos relacionar-nos mais directamente com eles, a até vão gerando empregozinhos no sector Estado, mas estáveis e menos exigentes, e sobretudo são mais pequenos. Pequenez é a palavra chave! É isso que nos agrada! Já alguém se manifestou contra a construção de mais uma piscina na sua freguesia? Alguém se manifestou contra os túneis na Madeira? Não, são mais pequenos, dão menos nas vistas, e o que se vê é no “meu” quintal… Até os 10 estádios de futebol o pior investimento público de sempre, para uma festa de menos de um mês, todos criticaram, mas não muito, e nunca ao ponto de sair para rua em manifestações! É que aí já se falava de crise (fala-se de crise sempre!), mas não era tão grave, eram os estádios de clubes da qual boa parte dos portugueses é simpatizante ou fanático e afinal de contas até gostamos mesmo da bola e de festa, por isso até se aceitou…E claro que muita gente achou muito bem comprar (mais uma) casa recorrendo a um crédito de 50 anos, isto apesar de mal ter dinheiro para pagar os outros créditos com que comprou o mobiliário e os carros, e as férias. E até poderiam ter comprado por metade do preço, mas gaita, é investimento… Investimento na imagem talvez! Quanto é que o governo gasta todos os anos (e por muitos mais) em bonificação ao crédito? De quem é a responsabilidade? Do sistema, do governo, dos bancos e da publicidade. Minha é que não é... Já alguém se questionou quanto gastam os portugueses em consumo de drogas recreativas? Eu já. Se contarmos só o café, álcool e tabaco já chegava e sobrava para pagar o TGV, o aeroporto e as autoestradas. Se somarmos outras drogas, como haxixe, cocaína e tal poderíamos fazer um fundo de investimento maior do que o que nos vais,um dia, esperemos, pagar a reforma! Pelo caminho diminuíamos os custos com problemas de saúde e aumentávamos a produtividade e longevidade. Mas mudar nunca, jamais. Mudem os outros, mudem os políticos mudem o sistema, mudem tudo, mas não mudem nadinha me mim. Esses prazeres são sagrados. Os pequenos prazeres. São sagrados também porque são pequenos! Que ninguém se atreva sequer a pensar em mexer nisso, era só o que faltava...

E acresce a isto tudo o seguinte. Alguém acha que se não investirmos no TGV, esse dinheiro iria parar aos nosso bolsos de outra forma mais útil? Por exemplo, alguém acha que esse dinheiro iria ser investido na área educacional ou cultural? Eu não acredito. Mais facilmente iria para salvar mais algum banco cujos capitais desapareceram algures numa ilha com paraíso fiscal! E eu prefiro fazer o aeroporto do que meter 2200 milhoes de euros em outro BPN! Na melhor das hipóteses, se fossemos um pais realmente organizado, racional e com capacidade de fazer boas escolhas, iria para ao apoio ás PMEs, pilar fundamental de qualquer economia. Infelizmente também não acredito que o dinheiro do TGV fosse aí parar. E se fossem nada garante que fosse bem aproveitado. Desde logo porque as PMEs dependem de acima de tudo de pessoas competentes, ambiciosas e com visão, pessoas que arriscam, que têm coragem. E como se sabe isso é um bem muito escasso em Portugal. E claro que assim que alguém ganha dinheiro em Portugal passa a estar sob o olhar da inveja e da suspeição! Quero crer que a minha geração e as seguintes talvez já esteja mais para aí virada, nem que seja por desespero, mas mesmo assim sou pouco crente. A geração anterior já se sabe o que fez com o pouco dinheiro que ia gerando: construiu casas que dão para 35 milhões de habitantes (o sonho máximo do português é ter a sua casinha)! Também compraram muitos Mercedes e automóveis afins. Mas não foi tanto o espírito de empresário que criou riqueza para tudo isto, foi mais as poupanças dos avós, as remessas dos emigrantes, a descoberta do crédito barato e a esperteza do marialva que lá conseguiu aceder a algum dos muitos subsídios que os ingleses, franceses e alemães mandam para cá, para comprar o nosso mercado! Assim, deixar de fazer investimentos grandes não garante que se poupe e canalize esse dinheiro para os pequenos. E muitas vezes os pequenos ainda utilizam o dinheiro pior que os grandes! Nas câmaras municipais é uma verdadeira festa. E nas contas pessoais dos portugueses sabichões ás vezes é pura e simplesmente surreal!

Portugal está muitíssimo melhor hoje que em qual outro momento da sua história. Desde que nasci Portugal nunca parou de melhorar. O nível económico e cultural melhorou muito. E mesmo não esquecendo que foi com a ajuda da UE que isto deu um salto maior, creio que algum do mérito é de todos nós. E também, e até sobretudo, dos políticos. Os políticos não são assim tão maus! São tão maus como a maioria de nós. São o espelho da nossa sociedade, merecemos os que temos. São tão corruptos, incompetentes e egoístas como a maioria de nós. Provavelmente menos. Em vez de estar sempre a dizer mal de tudo e todos, em vez de estar sempre a culpar o bode expiatório do costume (os políticos, os grandes, o sistema, os EUA, o Bush…) estou a favor de olhar para o que temos de bom, para o que podemos fazer de bom. Considero que o pior governo que tivemos nesta democracia foi o do Guterres. Cerca de 6 anos de governo minoritário e cobarde, em que se deveria ter feito reformas e dado outro salto. Não faziam nada, (não) governavam por sondagens e referendos. O pior é que os cerca de 3 anos seguintes foram ainda piores, mais instáveis, menos concretizadores, até o primeiro-ministro eleito cagou nisto e se pôs a andar. Foram cerca de 8 anos completamente perdidos, em que nos limitámos a gerir as contas para manter o défice dentro dos limites necessários para pertencer ao Euro. Que me lembre a única coisa minimamente certa e sólida feita nesse tempo foi o...Alqueva, uma grande obra! Então, já algo desesperados, demos maioria absoluta a este governo. O governo do Sócrates, por muitos defeitos e erros que tenha, parecia apostado em mexer nalguma coisa. Nem chegou a mexer assim tanto mas mesmo assim, só de tentar, consegue ter quase todos contra ele, e desde logo todos os que vivem mais directamente no Estado como professores, médicos, juízes, militares e policias. E isto que muitos deles, nos cafés e blogs, gostam de exibir discursos nos quais repetem a verdade de pseudo liberal de sempre: “o problema é Estado a mais”. Mal se tentou mexer nos privilégios, status e incompetências de tal gente e agora é de bom tom maldizer o homem e estamos contra tudo o que ele faz e queremo-lo o mais rapidamente de lá para fora para, para…para… para desfazer, recomeçar do zero, para não mexer em nada! Inacreditável! A nossa cabecinha pequenina, tacanha, conservadora e invejosa a funcionar.

Muito provavelmente vou votar no Sócrates. Se fosse o PSD a estar lá votava no PSD. Há que criar estabilidade e confiança. Há que arriscar e investir. E é mais fácil investir e arriscar com estabilidade e confiança. Eu confio em quem faz, erra, aprende, e continua a tentar fazer. Em Portugal há demasiadas mudanças de líderes partidários e demasiadas trocas governos, que na sua maioria são bastante fracos. Agora pelos vistos já nem um governo de maioria absoluta tem condições para governar com legitimidade os 4 anos para que foi eleito! Prefiro menos governos, mais estáveis, mais longos, mais fortes, mais realizadores. Como em Espanha ou Inglaterra por exemplo. A não ser que ainda se tenha crenças em ideais utópico religiosos tipo comunismos e tal, as escolhas agora já não são ideológicas. É mero pragmatismo e bom senso. Bom senso para mim não é ficar a contar tostão a tostão com a inveja dos pequeninos, deixar-nos isolar de um mundo cada vez mais interligado e impedir que se governe e produzam adaptações necessários no sistema. Bom senso é investir, é arriscar, é criar estabilidade e confiança.

Ou muito me engano ou vou votar nos vencidos. Ou muito me engano ou isto vai ficar tudo na mesma, para bem e para mal, consolidaremos o nosso lugar na cauda da Europa, em todos os sentidos! Estou cá, gosto de Portugal, não sou melhor que os outros, mas há dias em que me apetece emigrar outra vez!
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16.6.09

Portugal é mesmo bom!

Portugal é um país mesmo bom. Apresento provas!

Livro: Marching powder

Autor: Rusty young

O livro conta a história real de um traficante de droga inglês que foi preso na Bolivia. É um relato autobiográfico. Mas é...surreal!

O tipo é preso por uma traiçao do chefe da policia do aeroporto a quem tinha subornado para lhe garantir um salvo conducto em caso de necessidade. Dali é enviado para a prisao temporária, durante a instruçao do processo. Ali, onde esteve cerca de 1 mês sem ser ouvido em tribunal, quase morre de fome e doença porque como não tinha dinheiro para pagar aos guardas para eles lhe levarem comida. Logo, nao tem comida! Nem comida nem nada mais que uma cela fria e imunda. Dali, e quase a morrer, extremamente doente, implora para o levarem ao tribunal e enviarem a prisao. Consegue porque os guardas percebem que ele não tinha mesmo dinheiro para dar-lhes. Depois de uma rápida passagem pelo tribunal despejam-no na prisao, a principal de La Paz, a capital da Bolivia. Quase a morrer passa a primeira noite na prisao, entre alucinaçoes e incredulelidade. Ninguém lhe diz nada, nem qual é a sua cela, nem como alimentar-se nem nada. Dorme ao relento num canto imundo. No dia seguinte, e já convicto que ia morrer, é abordado por um boliviano-americano que fala inglês e que tem pena e o orienta. Acolhe-o e explica-lhe como funciona tudo. Básicamente funciona tudo como fora da prisao: tudo é pago. Se quer comer é pago. Se quer assitência médica é paga. Se quer uma cela é paga. !!! Mas como alguém que acabou de ser preso e despossado de tudo (roubado pelos guardas) tem dinheiro para pagar a própria cela!? Pagar a própria cela! Ou seja, comprá-la! Literalmente. As celas, que iam desde mini apartamentos a cantos imundos, sao compradas e vendidas entre os presos, com contrato de compra e venda, e o seu valor oscila tal qual em qualquer outro mercado! O mercado varia, por exemplo, se ao EUA decidem fazer pressao para controlar o tráfico, e há uma repentina remessa de novos presos, o valor das celas sobe... E também há bairros e classes sociais dentro da prisao. E restaurantes. E lojas. E...

Os guardas, desde o director da prisao, ao mais baixo ranking sao todos corruptos. TODOS. Inclusivé, há luta entre os guardas prisionais para serem destacados para aquela prisao, já que tem fama de ser nela que se conseguem mais e melhores “ajudas” e “comissoes”. Os advogados e juízes também estao todos metidos no esquema. Boa parte dos custos judiciais sao para untar o juiz. Não que isso signifique ser absolvido, mas pelo menos é menos provavel receber sentença máxima. Outra coisa que quase todos fazem é consumir drogas, nomeadamente cocaina, que se consome quase como café, apesar de ser ilegal e a causa principal do sobrelotamento das cadeias.

O tipo, entretanto já recuperado e integrado descobre que a cadeia é o sitio onde se fabrica grande parte da droga produzida na Bolivia, e sem duvidas a de maior qualidade. Ou seja, a droga que ele comprava fora da prisao e traficava, e pela qual foi preso, é frabicada dentro da própria prisao! Na prisao também vivem mulheres e crianças. As mulheres e crianças dos reclusos! Reclusos? Sim, mas não tanto. Pagando pode-se sair. Numa dessas saidas acompanhadas (e pagas) e heroí de ocasiao conhece uma tipa na discoteca. Uma israelita que estava de férias. Ele leva-a a passar a noite na sua cela na prisao! Ela gosta, apaixonam-se. Ela acaba por ficar umas semanas! E acaba por convidar os amigos dela a vir ver também este cenário surreal! Aí começa o novo negócio do nosso traficante: visitas guiadas à prisao, sobretudo para turistas ocidentais! Em algum tempo tornam-se tao populares que passam a fazer parte do roteiro turístico de guias internacionais! Mais tarde esse negócio é roubado e continuado por outros gangues da prisao! Uma das coisas normais que os turistas fazem na prisao, naturalmente, é consumir a melhor cocaína da Bolivia!



Depois deste livro, quando leio noticias sobre a América central, sobre golpes de Estado, instabilidade politica, revoluçoes, Chavez e Morales, esquerdas e direitas, sobre a violência, sobre a produçao e o tráfico de drogas, sobre eleiçoes, sobre turismo, etc., fico sempre com aquela sensaçao de que não faço a minima ideia do que se passa realmente por lá. É outro sistema, ou outro nivel. Quem sou eu para mandar bitaites, apoiar este ou aquele, ditar soluçoes, salvaçoes e razoes?!

Ao pé disto o sistema português até é...bastante...quase legal...mais ou menos sério...relativamente confiável...razoavelmente eficiente! Portugal é mesmo bom.
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