7.3.11

Génio, comédia, verdade: Bill Hicks

Este fulano era um génio, um artista, um profeta. E era-o na comédia, que é talvez a melhor forma de dizer a verdade.

Através da internet está a ser redescoberto. É excelente.

Bill Hicks: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&hl=en&v=hAnjWHP7KAc Leia artigo completo

14.11.10

O maior desportista de todos os tempos!

Há uma semana atrás aconteceu algo especial: consagrou-se o maior surfista de todos os tempos, kelly Slater, como o maior desportista de todos os tempos!

Infelizmente, durante o mesmo campeonato, faleceu, em circunstancias por esclarecer, um outro grande surfista, o tricampeão e supercarismático A.I. R.I.P.



É de notar que os diversos jornais portugueses notíciaram a morte, mas não a coroação!!! Leia artigo completo

13.5.10

O meu Deus louco!


Há já mais de um ano, num contexto cultural diferente, fiz uma pergunta a um grande sábio, expoente máximo de outra religião, que ainda hoje nao quer calar: Se o Criador é bom, bondoso, se nos ama, se é amor, se é tudo, se nós e o mundo nao somos mais que uma criação de Deus, se somos Deus (não estava a falar do teísmo cristão, mas aplica-se quase igual), então como, porquê e para quê existe o mal?

Na altura, esse sábio, NÃO RESPONDEU. Disse que a pergunta não fazia sentido e que era bem claro que blá blá blá, e embrulhou-se numa respostas confusa e sem sentido. Ou que pelo menos eu não entendi.

Hoje, ao ver um programa da RTP2, o excelente Sociedade Civil, dirigido pela bela, inteligente e simpatiquissima Fernanda Freitas, dedicado ao tema "Porque acreditamos?" (em Deus), com representantes do judaísmo, catolicismo, islamismo e evangelismo cristão português, a coordenadora refez a mesma pergunta a partir de um comentário que fizeram no blog do programa, e que ela colocou, e muito bem, assim:
se Deus é criador de toda a criação (inclusivé do Homem), e é amor, então porque existe o mal, as guerras, o sofrimento, etc?

Os representantes eclesiásticos NÃO RESPONDERAM. Entretanto embrulharam-se em respostas pouco claras, mas que
apontavam no seguinte sentido: o mal (nos seus diversos aspectos) é culpa do Homem, não de Deus.

Deus é amor, é tudo, é Criador de toda a criação, é criador do homem! Mas quando é preciso explicar a existencia do mal, do sofrimento, crueldade, etc., de repente já não é Deus, é o homem! Por algum motivo algures na história do cristianismo foi necessário criar a figura competitiva do Diabo...

Isto para mim não faz sentido. Até seria capaz de acreditar num Deus que é tudo, um todo a recriar-se continuamente...algo por aí. Mas esse todo incluí a dor, o sofrimento, o ódio, a inveja, a cobiça, a crueldade, a guerra, caos, etc. Amor, ordem, etc. também.

Pouco depois um dos intervenientes disse algo que para mim explica muita coisa: não pode colocar o seu canone de moralidade, de modo de vida, em si mesmo, como pessoa, pois é demasiado instavel, falho, limitado. Precisa de um exemplo maior, superior, perfeito, para o inspirar, para o guiar, para servir de modelo para a sua acção. Jesus Cristo claro.

Faz sentido. Para ele.

Eu remeto-me, cada vez mais, ao Antonismo, com toda a loucura e riscos a isso associados!
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21.3.10

Quem paga?

Uma boa explicação da problemática conjectural...

No expreso/Economist


Pequeno excerto: "Qualquer que seja o caminho que os governos escolham será difícil. Conforme o período de crédito fácil dá lugar a uma era de austeridade, a coesão social de muitas nações será posta ao teste, e nem todos os países passarão. Durante os próximos anos, as carreiras de muitos políticos serão feitas e desfeitas no mercado obrigacionista."
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O que o(s) mundo(s) come(m)

Uma notícia interessante. O livro deve ser interessantíssimo!

AQUI no EXPRESSO

Curiosidade: não são vegetarianos, mas a maioria come sobretudo vegetais... Leia artigo completo

14.2.10

Portugal 2010: mais do mesmo.

Facto 1: O PSD controla (directa ou indirectamente, explicita ou implicitamente) o Público, o Expresso, e o Sol, que é para o PSD quase o mesmo que o Avante para PCP! No mesmo barco controla também a SIC e a ViSÃO. E pelo que se sabe a TVI não tem sido nada favorável ao GOV/Soc. ao longo dos últimos anos.

"Facto 2: o PS não controla nenhum orgão de comunicação social relevante.

Conclusão: O..."

???!!!???


Pelo que vou vendo Portugal esta na mesma. E desde o século XVI isso significa que esta fracote. Nessa altura ainda saímos na frente da globalização, e como pioneiros colhemos os seus frutos. Alguma fruta. Mas não podemos colher mais porque a base que tínhamos era pequena e não havia nem mãos nem cestos para tanta fartura. Nem saberíamos o que fazer com ela. Aliás, mal começamos a ter fartura o que fizemos foi deixar de trabalhar. Para quê? O preto trabalhava. Faziam-se negócios da China… Bem, do século XVII em diante foi sempre a decair, à medida que os outros europeus, mais grandes em numero, com mais saber e poder, tomaram conta das operações internacionais. No século XIX já éramos outra vez pouco mais que um estado feudal. O fim da Monarquia prometia muito. Trouxe alguma mudança, mas não a salvação. O Salvador Salazar também não salvou nada a não ser do caos total ás custas de isolacionismo, ignorância, repressão, guerras e miserabilismo em geral. O 25 de Abril também prometia salvação total. Curiosamente não veio pelas mãos da “esquerda” e suas ideologias apocalípticas mas sim do capitalismo: dos retornados, das remessas dos emigras, do FMI, e sobretudo da EU.

Passamos de um país rural, atrasado, analfabeto para um outro país muitíssimo melhor. Ainda muito acanhado, com mentalidade de pequenino e sobretudo com pouca vontade de saber e de trabalhar. E agora isto esta tudo a vir ao de cima, com a globalização a mostrar os dentes vindos da Ásia e dos Sules, com a EU a esgotar as ajudas, com o ficarmos outra vez nas nossas próprias mãos, com a nossa magra produção de riqueza, com níveis ainda baixos de respeito a lei, com pouca coragem, pouca criatividade.

Pelo menos já temos um um Estado social digno do primeiro mundo. Pelo menos em custos. Parece que se o ocidente ainda tem dúvidas que esta a deixar de ser o centro do mundo, que os centros do poder voltaram a mudar, e que o nosso nível e estilo de vida tendem a piorar, em Portugal isso parece já ter pouco de duvidoso. A minha geração e as seguintes vão viver pior que a dos meus pais. Disso não há muitas dúvidas. Mas que dói dói! Para muita gente da geração dos meus pais é frustrante, uma derrota.

Bem, tudo isto já se sabe, não é novo. É mais do mesmo.

O que promete 2010?

Até agora…mais do mesmo.

O problema é evidente. O nível de educação subiu muito mas as novas gerações educadas ainda não são quem manda. Aliás, em muitos casos, ainda nem sequer conseguem entrar no mundo o do trabalho. A alta de produtividade que daí se espera ainda não mostra muitos frutos, até porque entretanto na Europa e EUA os outros países também melhoraram o nível de formação. E sobretudo porque centenas de milhões (repito: centenas de milhões) de chineses, indianos e de outras Ásias e outros sules entraram para um mercado de trabalho globalizado, e eles não só têm o mesmo ou melhor nível de formação como estão disponíveis para trabalhar mais. Ou seja, o nosso avanço nesse aspecto, foi comido, anulado, lento de mais. Ao avançarmos recuamos! E além disso o alto nível de formação sem criatividade e empreendorismo resolvem pouco ou nada. Pouco mais servem do que para termos juristas a servir no supermercado, exigentes e frustrados.

Como se sabe os portugueses são um povo um muito empreendedor, criativo, desenrascado e até positivo, desde que, é claro, emigrem! Quando estamos em Portugal somos afectados por uma droga qualquer chamada “anti-portanabis”que nos faz ficar meio apáticos, e só gostamos é de culpar-nos e maldizer-nos uns dos outros. É uma espécie de cannabis com mau humor!

Visto isto, visto o quadro estar negro (dizem que somos um país inviável há…800 anos! Menos mal, duramos muitos mais que muitos países supostamente mais viáveis), dizia, perante este quadro negro qual a solução? Beber menos? Drogramo-nos menos? Estudar mais? Criarmos empresas? Trabalhar mais? Não… “Trabalhar é bom para o preto!”. A solução é mais simples, já está mais que comprovada, tem dado resultado pelo menos desde as revolução francesa: dizemos mal dos “chefes”, mudamo-los e pomos lá outros. Iguaizinhos! Melhor ainda se poder ser eu, ou algum conhecido que me possa ajudar ao tradicional espírito do "nacional compadrio" .

Veja-se bem. O Governo acabou de ser reeleito. Já o querem colocar fora. Porquê? Têm outras programas, outras ideologias, outras soluções políticas de conjuntura ou estrutura? Não! O essencial da política actual é predefinida pela UE, e acabaram de aprovar o orçamento de Estado em conjunto e por comum acordo. Há por aí algum líder que parece muito bom, muito diferente, muito capaz? Não. É preciso? Não. O que é preciso é desgastar o que lá está até conseguir mudá-lo. Como? Dizendo mal dele. Como? Acusando-o de fazer aquilo que nós fazemos. Aquilo que fizemos sempre, e que vamos continuar a fazer a seguir! O que queremos não é verdadeiramente mudar as coisas, até porque isso é mais ou menos impossível. Basta-nos simplesmente ser nós o centro de atenções, queremos reconhecimento, o poder, os tachos e fundos públicos para repartir...

Facto 1: O PSD controla (directa ou indirectamente, explicita ou implicitamente) o Público, o Expresso, e o Sol, que é para o PSD quase o mesmo que o Avante é para PCP! No mesmo barco controla também a SIC e a ViSÃO. E pelo que se sabe a TVI não tem sido nada favorável ao GOV/Soc ao longo dos últimos anos.

Facto 2: o PS não controla nenhum orgão de comunicação social relevante.

Conclusão: O Ps, “o gov”, é um “polvo”, com planos maquiavélicos e perigosíssimos para acabar com a liberdade de expressão controlando os meios de comunicação social!

??? !!! ???

Pois...

Como não há que discutir opções políticas, ideológicas, práticas de trabalho, etc, que aliás, são pré-definidas em Bruxelas (felizmente), o estado das coisas é este: jornais e jornalistas criam os próprios factos políticos dos quais vivem. E o cúmulo é este: os factos políticos são os próprios jornais e jornalistas! Haja egocentrismo!

Cada um faz política, ou seja, exerce poder, com o poder que tem. O PSD tem posição favorável nos media...

Parece simples. Mas nem é. A questão é mais profunda. Será que os media ainda tem dono? Ou já mandam em si mesmos sem qualquer controlo? Pela lei (segredo de justiça, por exemplo) já se viu que o 4º poder não é inspirado nem limitado. Mas a questão é saber: quem é realmente o 4º poder?! Os media ás vezes parecem mandar mais do que os outros 3 juntos. Sem eleições!

Como diz o meu pai na brincadeira: acabem já com as eleições, políticos, governos, parlamentos e PR. Para quê? Entreguem tudo aos jornalistas/comentadores. Eles sabem tudo... E em parte já são eles que governam.

São todos mais ou menos iguais, concordam mais ou menos em tudo. Em termos de ideologia e pratica económica, que é o que verdadeiramente importa, não há alternativa. Por isso a política passaram a ser supostos casos policiais-jornalísticos, arranjados à mesa do café pelas respectivas seitas de políticos, advogados, juízes, polícias e jornalistas sedentos de ocupar os mesmos lugares e fazer as mesmas coisas. Não há o que discutir. Mas haverá sempre que discutir o quem.

Mais do mesmo. Sempre! Viva Portugal.
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11.12.09

Padrões morais múltiplos, paralelos e paradoxais.



Que a moral muda, que é diferente conforme ao tempo-espaço relativo, isso a maioria das pessoas não tem problemas em aceitar. O que ontem faziam as classes dominantes tendem hoje a querer imitar os que se seguem... O que as classes dominantes dizem ao povo para não fazer, fazem-no eles, em surdina. O que ontem era proibido hoje é moda. O que está bem (não) vestir na praia ou piscina, do outro lado do passeio pode ser considerado obsceno e provocativo. E por aí vai.

O moral são os costumes. Costumes são os habitos, o que se faz. O que se deve fazer, o que se pode fazer, conforme a prespectiva. Da moral retiram-se noções como Bem e Mal. Bem é o que se faz, o que se deve fazer, o que se pode fazer. Mal é o que não se deve fazer.

Em última análise, bem é o que nos convém e mal o que não nos covém. Seja a cada um, individualmente, seja a cada grupo, seja a um conjunto de grupos, a tal de sociedade, a humanidade. Bem é o que convém à Vida, mal é o que não convém à Vida. E cada um terá o seu bitaite a dizer sobre o assunto, que muitas vezes varia em cada momento. Com guerras santas pelo meio e tudo...

O que me tem feito pensar é a complexidade disto. Porque isto até é simples teóricamente. Mas na pratica complica-se. Complica-se porque somos muitos, muitas pessoas, muitos grupos, todos em mudança. Com possibilidades e necessidades que evoluem, com habitos que mudam. Com acções e reações em cadeia, a maioria das vezes com pouca consciência sobre o que se está a passar. Com mudanças que nunca mudam realmente nada. Com um perpetuo equilibrio que na practica exige permanentes reajustes, muitos deles tremendos. E a moral fica aí no meio de tanta gente, de tanto grupo, de tanta mudança, meio perdida. Hoje em dia é dificil dizer o que é bem e mal, o que está certo e errado. Como diz o meu pai “está tudo na moda”. Tudo vale. Quase tudo se aceita. Não, não se aceita. Se fragmenta, e cada um aceita ignorar os outros, e não se chateia muito até que a mostarda lhe chegue demasiado perto do nariz. É um relativismo e individualismo acentuado, que para mim é liberdade, para outros é demência. Que a mim me dá espaço para me encontrar e perder, vezes sem conta, e que a outros dá horror, exactamente pelo mesmo. Enfim, indo a um caso concreto.

Caso concreto

Os recentes anúncios de lingeri que estão omnipresentes pela cidade, nomeadamente da “Intimissima”, e ainda mais os da “Triumph”, puseram-me a meditar sobre este assunto. A questão da moral complexa, plural e paradoxal.

Veja-se um exemplo, os anuncios actuais da “Intimissima”. Uma mulher, belissíma, veste apenas uma lingeri branca numa pose ao estilo... “humm sinto-me tão...hummm...quero...”, algo por aí. Enquanto os homens babam as mulheres sentem, ou querem sentir, o mesmo. E compram. O que acho desde já interessante é o facto de a marca se chamar “Intimissima” e expor por todo lado mais público da cidade uma mulher em trajes menores numa pose de conteudo altamente sensual, provocativo mesmo. Coisa que a maioria das pessoas jamais faria em público. A própria modelo não o faria. Se a modelo, ou qualquer mulher, andasse assim (não) vestida em público muita gente não consideraria certo, bem, moral, e os homens que gostariam também não lidariam com isso como algo normal. Mas nos cartazes, bem grandes, bem visivéis, colocados para exibir bem a modelo e sua pose, é normal, ninguém se queixa, antes pelo contrário. Portanto não se trata de uma mudança de moral, ou de uma moral diferente relativa a tempo-espaço diferente. Trata-se de moral plural, paralela, múltipla e com uma bela dose de paradoxo à mistura. Morais diferentes coabitam no mesmo tempo espaço, nas mesmas cabeças.

Não é este um caso isolado.


Anúncios do genero, mas ainda melhores (para mim) têm sido exibidos pela marca “Triumph”. O actual, da modelo com lingeri vermelha a apelar ao espirito natalício, está óptimo. Mas o anterior, que está na imagem deste post, é ainda melhor. Quando cheguei de viagem, depois de alguns meses num ambiente mais...reprimido, e vi aquilo fiquei num estado... seria de choque, de apogeu, de excitação, de deslumbramento perante tanta beleza? Nem me lembro bem. Foi bom. E eu nem era o público alvo!

Não consigo deixar de me perguntar como a família da modelo, ou a própria modelo, encara a situação. Óptimamente suponho. Mas se a modelo usasse o seu corpo para fazer filmes erotico-pornográficos, que visam excitar as cebeças alheias, tentaria provavelmente fazê-lo sem que a familia e amigos o soubessem, com vergonha, provavelmente nem o faria. A modelo e sua família não achariam bem as pessoas andarem pelas ruas só com aquelas roupas vestidas, muito menos naquelas poses altamente sensuais. No entanto, muito provavelmente, a modelo encara muito bem o facto de lhe terem pago para exibir sensualmente os seus atributos fisicos, para chamar a atenção das pessoas, em cartazes gigantes por toda a cidade. Porvavelmente até gosta que os homens se babem e as mulheres a invejem e admirem. Muitas pessoas até o fariam sem terem de ser pagas para tal, se ao menos tivessem a desculpa, para dar a si mesmas e aos demais, de que “é um trabalho”, é “profissional”, é “arte”. É?!?

Por mim tudo bem. Óptimo mesmo.

Não sei dizer o que é bom, bem ou certo. Mas gosto de que “tudo esteja na moda”, de que tudo seja possivel, aqui e agora.
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A minha 7ª Vida...segue dentro de momentos!

Antes de este ano (de trabalho) começar mentalizei-me para 2 trabalhos. Um, pequeno pequenino, manter-me a dar aulas de yoga, ao Sábado, só 3 aulas. Fácil. E outro era voltar a faculdade e fazê-la bem. Voltei a faculdade, a de Letras, departamente de História, Estudos Asiáticos. Estudos Asiáticos é o nome que actulamente se dá ao que antigamente se chamava “orientalismo”, o estudo das culturas dos países da Ásia. História, geografia, línguas (no meu caso chinês e hindi), filosofia, sistemas politicos, relações com o ocidente, etc. Estes dois trabalhos incluiam um poiso, uma casa confortável, e praticar yoga e desporto para me sentir bem comigo próprio e poder dar o máximo nos dois trabalhos. Pressuponham estabilidade.

Azar. A Vida não corre como queremos. Nós fazemos a Vida acontecer, através das nossas acções, mas, e é mesmo assim, somos apenas parte de algo mais vasto, um Todo, e portanto a vida não nos pertence. E não a comandamos, apenas a influênciamos, um pouco, ás vezes, através daquilo a que chamamos actos de vontade, a maioria deles pouco ou nada concientes, e ainda menos livres, seja lá o que isso for. Azar, a Vida escapou-me “ligeiramente” das mãos.

Como se não bastasse mudar mais uma vez de local onde vivo (em cerca de 8 anos mudei de casa, e ás vezes de trabalho, cidade e até de país, mais de 8 vezes), como se não bastasse voltar a faculdade e o curso ser bastante mais puxado do que tinha imaginado, em vez dos 2 trabalhos planeados tive 4. Em vez de estabilidade tive uma brutal instabilidade, e logo, bastante stress. Um dos trabalhos imprevistos, e bastante problemático, e que agravou as dificuldades dos outros todos foi não ter poiso. Na altura em que precisava, e em que deveria entrar naquela que seria a minha casa, descobri que a coisa estava com um “ligeiro” atraso de cerca de 2 meses! Primeiro tentei ir e vir. Viver no campo e estudar na cidade. Por mais idílico que isso pareça não deu resultado. Rápidamente percebi que tinha de arranjar poiso temporário. Por acaso foi fácil e duas amigas facilitaram-me o acolhimento. E boa companhia diga-se. Mas não era a minha casa. E por vias que não vale a pena explicar já ia no meu quarto ou quinto mês a não dormir mais de 2 ou 3 noites no mesmo sítio, e com a roupa algures perdida por malas, e sem o minimo de estabilidade e rotinas tão necessárias. Até porque quando se fica muito instável, além de se perder muito tempo com adaptações permanentes, a tendência é o desgaste geral, e o organismo começa a exigir que se pare, e lá se vão yogas, desportos, horarios de estudo e coisas do genero. Entretanto a “minha” casa lá ficou disponivel, embora não pronta. Os pedreiros ás vezes ainda entravam e saiam, faltava pintar, colocar o gás, luzes, limpar, mobilar, re limpar, etc.

Hoje, finalmente, acho que tenho casa. Ainda não está tudo. Falta pintar umas coisitas, falta limpar outras melhor. Falta montar um ou outro movel. Mas ontem vieram colocar o gás. E por um milagre (com nome de pessoa) a instalação passou à primeira. E por isso agora tenho água quente, fogão e tudo!!! Só esta semana, desde ontem para ser mais preciso, é que sinto que tenho casa, base, um poiso, algum sitio onde gosto de estar e onde posso estabelecer-me e criar concentração e estabilidade, como se diz para fazer no yoga...

Ainda não estou concentrado nem estável, ainda não estou como queria. Mas estou bem melhor agora. Desde ontem! Uuufffff...

P.S. Estou a viver entre Arrois e Anjos, uma zona cheia de velhos, estudantes, brasileiros e chineses. É algo decadente, mas também cosmopolita. Acho que esta zona está a começar a tornar-se quase...chiq! Num raio de poucos Km vejo um numero crescente de igrejas evangélicas, sobretudo brasileiras. Aleluia, viva o senhor.
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18.9.09

Surfwise! Sonho ou pesadelo? Os dois...

Há um mês vi um filme-documentário chamado “Surfwise”. É sobre uma família de surfistas relativamente conhecidos, os Paskowitz. Conhecidos no meio, principalmente para quem já acompanhava o meio surfistico nos anos 70!

Resumindo: um médico judeu formado em Standforf, Dorian "Doc" Paskowitz, que era surfista já nos anos 50, sendo um dos pioneiros do surf moderno no Hawai e em Israel, viu-se...infeliz!
2 casamentos falharam e a vida profissional como médico e dirigente profissional (com perspectivas de carreira politica) estavam a deixa-lo...infeliz! Solução? Surf. Surf e família. Lá achou uma terceira mulher que adorou a ideia de ser a mães dos seus filhos e a partir daí tiveram 9 filhos! E toda a vida deles foi passada numa auto-caravana! Os 2 pais e os 9 filhos numa auto-caravana. De um lado para o outro, pela a América do Norte, e em geral com muito pouco dinheiro, no limite da sobrevivência, o que alias fazia parte da filosofia de vida adoptada pelo mentor, que procurava não só liberdade mas também uma certa volta ás origens da animalidade humana, la luta pela sobrevivência diária e um certo ideal de saúde plena a isso associado. Sempre sem escola formal e muito surf. Nos anos 70 durante a contra cultura e da explosão do surf como cultura popular, e estilos de vida ditos alternativos os Paskowitz eram um exemplo de que o sonho era possível, uma inspiração, fonte de invejas, admiração, imitação...

O interessante: a partir dos 20 anos os filhos, a maioria deles surfistas e sem qualquer educação formal, fartos de viver sem dinheiro e confortos, fartos dos apertos, fartos da disciplina espartana instaurada pelos pais (disciplina férrea diga-se), começaram a rebelar-se a abandonar o barco. O melhor, a auto-caravana. Entretanto começaram a chatear-se todos. Os irmãos uns com os outros, com os pais, etc. Discussões sobre (o pouco) dinheiro envolvido claro que afloraram logo. Enfim, o que parecia um éden invejável visto de fora desmoronou-se por dentro. Implodiu. Hoje o velho Paskcowitz ainda faz surf ocasionalmente e continua firme e convictos das escolhas que fez para si e para os seus filhos. Mas aos 80 e muitos anos tem mais ou menos a mesma saúde de muitos outros octogenário (ou seja, pouca). Pelo menos fez muito surf e viveu como quis, com a sua família sempre perto. Até certa altura.... Já os irmãos cada um derivou para seu lado, poucos ainda surfam e só um pretende seguir o mesmo estilo de vida preconizado pelo pai. Um em 9. Os outros todos têm as suas mágoas, as suas frustrações, as suas culpas, muitas das quais dirigem directamente ao que os pais lhe deram. Ou melhor, não deram! Nomeadamente uma educação académica formal.

Esta história faz-me lembrar outra, a de uma amiga de uma amiga minha. Os pais dessa amiga de amiga soa hippies de toda a vida. Ela cresceu em comunas, blablabla... E pelo que sei está desesperadamente a procura de um gajo com o qual casar e ter filhos e assentar! De hippies a redneck amaricano em apenas uma geração!

Moral da história: seja lá o que for somos sempre contraditórios, desequilibrados e descompensados. Sempre a procura de outra coisa, a outra, o que não temos. Insatisfeitos, incompletos. A galinha do vizinho é melhor do quea minha. O melhor que podemos fazer é fazer escolhas responsáveis e tentar viver segundas as nossas convicções. Por mais que sejam apenas mais uma, nem melhores nem piores que as dos demais, são as nossas. Sejam elas quais foram. Não garante a felicidade, mas...o que a garante? Mais vale errar com os próprios erros...
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