7.3.11

Génio, comédia, verdade: Bill Hicks

Este fulano era um génio, um artista, um profeta. E era-o na comédia, que é talvez a melhor forma de dizer a verdade.

Através da internet está a ser redescoberto. É excelente.

Bill Hicks: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&hl=en&v=hAnjWHP7KAc Leia artigo completo

14.11.10

O maior desportista de todos os tempos!

Há uma semana atrás aconteceu algo especial: consagrou-se o maior surfista de todos os tempos, kelly Slater, como o maior desportista de todos os tempos!

Infelizmente, durante o mesmo campeonato, faleceu, em circunstancias por esclarecer, um outro grande surfista, o tricampeão e supercarismático A.I. R.I.P.



É de notar que os diversos jornais portugueses notíciaram a morte, mas não a coroação!!! Leia artigo completo

13.5.10

O meu Deus louco!


Há já mais de um ano, num contexto cultural diferente, fiz uma pergunta a um grande sábio, expoente máximo de outra religião, que ainda hoje nao quer calar: Se o Criador é bom, bondoso, se nos ama, se é amor, se é tudo, se nós e o mundo nao somos mais que uma criação de Deus, se somos Deus (não estava a falar do teísmo cristão, mas aplica-se quase igual), então como, porquê e para quê existe o mal?

Na altura, esse sábio, NÃO RESPONDEU. Disse que a pergunta não fazia sentido e que era bem claro que blá blá blá, e embrulhou-se numa respostas confusa e sem sentido. Ou que pelo menos eu não entendi.

Hoje, ao ver um programa da RTP2, o excelente Sociedade Civil, dirigido pela bela, inteligente e simpatiquissima Fernanda Freitas, dedicado ao tema "Porque acreditamos?" (em Deus), com representantes do judaísmo, catolicismo, islamismo e evangelismo cristão português, a coordenadora refez a mesma pergunta a partir de um comentário que fizeram no blog do programa, e que ela colocou, e muito bem, assim:
se Deus é criador de toda a criação (inclusivé do Homem), e é amor, então porque existe o mal, as guerras, o sofrimento, etc?

Os representantes eclesiásticos NÃO RESPONDERAM. Entretanto embrulharam-se em respostas pouco claras, mas que
apontavam no seguinte sentido: o mal (nos seus diversos aspectos) é culpa do Homem, não de Deus.

Deus é amor, é tudo, é Criador de toda a criação, é criador do homem! Mas quando é preciso explicar a existencia do mal, do sofrimento, crueldade, etc., de repente já não é Deus, é o homem! Por algum motivo algures na história do cristianismo foi necessário criar a figura competitiva do Diabo...

Isto para mim não faz sentido. Até seria capaz de acreditar num Deus que é tudo, um todo a recriar-se continuamente...algo por aí. Mas esse todo incluí a dor, o sofrimento, o ódio, a inveja, a cobiça, a crueldade, a guerra, caos, etc. Amor, ordem, etc. também.

Pouco depois um dos intervenientes disse algo que para mim explica muita coisa: não pode colocar o seu canone de moralidade, de modo de vida, em si mesmo, como pessoa, pois é demasiado instavel, falho, limitado. Precisa de um exemplo maior, superior, perfeito, para o inspirar, para o guiar, para servir de modelo para a sua acção. Jesus Cristo claro.

Faz sentido. Para ele.

Eu remeto-me, cada vez mais, ao Antonismo, com toda a loucura e riscos a isso associados!
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21.3.10

Quem paga?

Uma boa explicação da problemática conjectural...

No expreso/Economist


Pequeno excerto: "Qualquer que seja o caminho que os governos escolham será difícil. Conforme o período de crédito fácil dá lugar a uma era de austeridade, a coesão social de muitas nações será posta ao teste, e nem todos os países passarão. Durante os próximos anos, as carreiras de muitos políticos serão feitas e desfeitas no mercado obrigacionista."
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O que o(s) mundo(s) come(m)

Uma notícia interessante. O livro deve ser interessantíssimo!

AQUI no EXPRESSO

Curiosidade: não são vegetarianos, mas a maioria come sobretudo vegetais... Leia artigo completo

14.2.10

Portugal 2010: mais do mesmo.

Facto 1: O PSD controla (directa ou indirectamente, explicita ou implicitamente) o Público, o Expresso, e o Sol, que é para o PSD quase o mesmo que o Avante para PCP! No mesmo barco controla também a SIC e a ViSÃO. E pelo que se sabe a TVI não tem sido nada favorável ao GOV/Soc. ao longo dos últimos anos.

"Facto 2: o PS não controla nenhum orgão de comunicação social relevante.

Conclusão: O..."

???!!!???


Pelo que vou vendo Portugal esta na mesma. E desde o século XVI isso significa que esta fracote. Nessa altura ainda saímos na frente da globalização, e como pioneiros colhemos os seus frutos. Alguma fruta. Mas não podemos colher mais porque a base que tínhamos era pequena e não havia nem mãos nem cestos para tanta fartura. Nem saberíamos o que fazer com ela. Aliás, mal começamos a ter fartura o que fizemos foi deixar de trabalhar. Para quê? O preto trabalhava. Faziam-se negócios da China… Bem, do século XVII em diante foi sempre a decair, à medida que os outros europeus, mais grandes em numero, com mais saber e poder, tomaram conta das operações internacionais. No século XIX já éramos outra vez pouco mais que um estado feudal. O fim da Monarquia prometia muito. Trouxe alguma mudança, mas não a salvação. O Salvador Salazar também não salvou nada a não ser do caos total ás custas de isolacionismo, ignorância, repressão, guerras e miserabilismo em geral. O 25 de Abril também prometia salvação total. Curiosamente não veio pelas mãos da “esquerda” e suas ideologias apocalípticas mas sim do capitalismo: dos retornados, das remessas dos emigras, do FMI, e sobretudo da EU.

Passamos de um país rural, atrasado, analfabeto para um outro país muitíssimo melhor. Ainda muito acanhado, com mentalidade de pequenino e sobretudo com pouca vontade de saber e de trabalhar. E agora isto esta tudo a vir ao de cima, com a globalização a mostrar os dentes vindos da Ásia e dos Sules, com a EU a esgotar as ajudas, com o ficarmos outra vez nas nossas próprias mãos, com a nossa magra produção de riqueza, com níveis ainda baixos de respeito a lei, com pouca coragem, pouca criatividade.

Pelo menos já temos um um Estado social digno do primeiro mundo. Pelo menos em custos. Parece que se o ocidente ainda tem dúvidas que esta a deixar de ser o centro do mundo, que os centros do poder voltaram a mudar, e que o nosso nível e estilo de vida tendem a piorar, em Portugal isso parece já ter pouco de duvidoso. A minha geração e as seguintes vão viver pior que a dos meus pais. Disso não há muitas dúvidas. Mas que dói dói! Para muita gente da geração dos meus pais é frustrante, uma derrota.

Bem, tudo isto já se sabe, não é novo. É mais do mesmo.

O que promete 2010?

Até agora…mais do mesmo.

O problema é evidente. O nível de educação subiu muito mas as novas gerações educadas ainda não são quem manda. Aliás, em muitos casos, ainda nem sequer conseguem entrar no mundo o do trabalho. A alta de produtividade que daí se espera ainda não mostra muitos frutos, até porque entretanto na Europa e EUA os outros países também melhoraram o nível de formação. E sobretudo porque centenas de milhões (repito: centenas de milhões) de chineses, indianos e de outras Ásias e outros sules entraram para um mercado de trabalho globalizado, e eles não só têm o mesmo ou melhor nível de formação como estão disponíveis para trabalhar mais. Ou seja, o nosso avanço nesse aspecto, foi comido, anulado, lento de mais. Ao avançarmos recuamos! E além disso o alto nível de formação sem criatividade e empreendorismo resolvem pouco ou nada. Pouco mais servem do que para termos juristas a servir no supermercado, exigentes e frustrados.

Como se sabe os portugueses são um povo um muito empreendedor, criativo, desenrascado e até positivo, desde que, é claro, emigrem! Quando estamos em Portugal somos afectados por uma droga qualquer chamada “anti-portanabis”que nos faz ficar meio apáticos, e só gostamos é de culpar-nos e maldizer-nos uns dos outros. É uma espécie de cannabis com mau humor!

Visto isto, visto o quadro estar negro (dizem que somos um país inviável há…800 anos! Menos mal, duramos muitos mais que muitos países supostamente mais viáveis), dizia, perante este quadro negro qual a solução? Beber menos? Drogramo-nos menos? Estudar mais? Criarmos empresas? Trabalhar mais? Não… “Trabalhar é bom para o preto!”. A solução é mais simples, já está mais que comprovada, tem dado resultado pelo menos desde as revolução francesa: dizemos mal dos “chefes”, mudamo-los e pomos lá outros. Iguaizinhos! Melhor ainda se poder ser eu, ou algum conhecido que me possa ajudar ao tradicional espírito do "nacional compadrio" .

Veja-se bem. O Governo acabou de ser reeleito. Já o querem colocar fora. Porquê? Têm outras programas, outras ideologias, outras soluções políticas de conjuntura ou estrutura? Não! O essencial da política actual é predefinida pela UE, e acabaram de aprovar o orçamento de Estado em conjunto e por comum acordo. Há por aí algum líder que parece muito bom, muito diferente, muito capaz? Não. É preciso? Não. O que é preciso é desgastar o que lá está até conseguir mudá-lo. Como? Dizendo mal dele. Como? Acusando-o de fazer aquilo que nós fazemos. Aquilo que fizemos sempre, e que vamos continuar a fazer a seguir! O que queremos não é verdadeiramente mudar as coisas, até porque isso é mais ou menos impossível. Basta-nos simplesmente ser nós o centro de atenções, queremos reconhecimento, o poder, os tachos e fundos públicos para repartir...

Facto 1: O PSD controla (directa ou indirectamente, explicita ou implicitamente) o Público, o Expresso, e o Sol, que é para o PSD quase o mesmo que o Avante é para PCP! No mesmo barco controla também a SIC e a ViSÃO. E pelo que se sabe a TVI não tem sido nada favorável ao GOV/Soc ao longo dos últimos anos.

Facto 2: o PS não controla nenhum orgão de comunicação social relevante.

Conclusão: O Ps, “o gov”, é um “polvo”, com planos maquiavélicos e perigosíssimos para acabar com a liberdade de expressão controlando os meios de comunicação social!

??? !!! ???

Pois...

Como não há que discutir opções políticas, ideológicas, práticas de trabalho, etc, que aliás, são pré-definidas em Bruxelas (felizmente), o estado das coisas é este: jornais e jornalistas criam os próprios factos políticos dos quais vivem. E o cúmulo é este: os factos políticos são os próprios jornais e jornalistas! Haja egocentrismo!

Cada um faz política, ou seja, exerce poder, com o poder que tem. O PSD tem posição favorável nos media...

Parece simples. Mas nem é. A questão é mais profunda. Será que os media ainda tem dono? Ou já mandam em si mesmos sem qualquer controlo? Pela lei (segredo de justiça, por exemplo) já se viu que o 4º poder não é inspirado nem limitado. Mas a questão é saber: quem é realmente o 4º poder?! Os media ás vezes parecem mandar mais do que os outros 3 juntos. Sem eleições!

Como diz o meu pai na brincadeira: acabem já com as eleições, políticos, governos, parlamentos e PR. Para quê? Entreguem tudo aos jornalistas/comentadores. Eles sabem tudo... E em parte já são eles que governam.

São todos mais ou menos iguais, concordam mais ou menos em tudo. Em termos de ideologia e pratica económica, que é o que verdadeiramente importa, não há alternativa. Por isso a política passaram a ser supostos casos policiais-jornalísticos, arranjados à mesa do café pelas respectivas seitas de políticos, advogados, juízes, polícias e jornalistas sedentos de ocupar os mesmos lugares e fazer as mesmas coisas. Não há o que discutir. Mas haverá sempre que discutir o quem.

Mais do mesmo. Sempre! Viva Portugal.
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11.12.09

Padrões morais múltiplos, paralelos e paradoxais.



Que a moral muda, que é diferente conforme ao tempo-espaço relativo, isso a maioria das pessoas não tem problemas em aceitar. O que ontem faziam as classes dominantes tendem hoje a querer imitar os que se seguem... O que as classes dominantes dizem ao povo para não fazer, fazem-no eles, em surdina. O que ontem era proibido hoje é moda. O que está bem (não) vestir na praia ou piscina, do outro lado do passeio pode ser considerado obsceno e provocativo. E por aí vai.

O moral são os costumes. Costumes são os habitos, o que se faz. O que se deve fazer, o que se pode fazer, conforme a prespectiva. Da moral retiram-se noções como Bem e Mal. Bem é o que se faz, o que se deve fazer, o que se pode fazer. Mal é o que não se deve fazer.

Em última análise, bem é o que nos convém e mal o que não nos covém. Seja a cada um, individualmente, seja a cada grupo, seja a um conjunto de grupos, a tal de sociedade, a humanidade. Bem é o que convém à Vida, mal é o que não convém à Vida. E cada um terá o seu bitaite a dizer sobre o assunto, que muitas vezes varia em cada momento. Com guerras santas pelo meio e tudo...

O que me tem feito pensar é a complexidade disto. Porque isto até é simples teóricamente. Mas na pratica complica-se. Complica-se porque somos muitos, muitas pessoas, muitos grupos, todos em mudança. Com possibilidades e necessidades que evoluem, com habitos que mudam. Com acções e reações em cadeia, a maioria das vezes com pouca consciência sobre o que se está a passar. Com mudanças que nunca mudam realmente nada. Com um perpetuo equilibrio que na practica exige permanentes reajustes, muitos deles tremendos. E a moral fica aí no meio de tanta gente, de tanto grupo, de tanta mudança, meio perdida. Hoje em dia é dificil dizer o que é bem e mal, o que está certo e errado. Como diz o meu pai “está tudo na moda”. Tudo vale. Quase tudo se aceita. Não, não se aceita. Se fragmenta, e cada um aceita ignorar os outros, e não se chateia muito até que a mostarda lhe chegue demasiado perto do nariz. É um relativismo e individualismo acentuado, que para mim é liberdade, para outros é demência. Que a mim me dá espaço para me encontrar e perder, vezes sem conta, e que a outros dá horror, exactamente pelo mesmo. Enfim, indo a um caso concreto.

Caso concreto

Os recentes anúncios de lingeri que estão omnipresentes pela cidade, nomeadamente da “Intimissima”, e ainda mais os da “Triumph”, puseram-me a meditar sobre este assunto. A questão da moral complexa, plural e paradoxal.

Veja-se um exemplo, os anuncios actuais da “Intimissima”. Uma mulher, belissíma, veste apenas uma lingeri branca numa pose ao estilo... “humm sinto-me tão...hummm...quero...”, algo por aí. Enquanto os homens babam as mulheres sentem, ou querem sentir, o mesmo. E compram. O que acho desde já interessante é o facto de a marca se chamar “Intimissima” e expor por todo lado mais público da cidade uma mulher em trajes menores numa pose de conteudo altamente sensual, provocativo mesmo. Coisa que a maioria das pessoas jamais faria em público. A própria modelo não o faria. Se a modelo, ou qualquer mulher, andasse assim (não) vestida em público muita gente não consideraria certo, bem, moral, e os homens que gostariam também não lidariam com isso como algo normal. Mas nos cartazes, bem grandes, bem visivéis, colocados para exibir bem a modelo e sua pose, é normal, ninguém se queixa, antes pelo contrário. Portanto não se trata de uma mudança de moral, ou de uma moral diferente relativa a tempo-espaço diferente. Trata-se de moral plural, paralela, múltipla e com uma bela dose de paradoxo à mistura. Morais diferentes coabitam no mesmo tempo espaço, nas mesmas cabeças.

Não é este um caso isolado.


Anúncios do genero, mas ainda melhores (para mim) têm sido exibidos pela marca “Triumph”. O actual, da modelo com lingeri vermelha a apelar ao espirito natalício, está óptimo. Mas o anterior, que está na imagem deste post, é ainda melhor. Quando cheguei de viagem, depois de alguns meses num ambiente mais...reprimido, e vi aquilo fiquei num estado... seria de choque, de apogeu, de excitação, de deslumbramento perante tanta beleza? Nem me lembro bem. Foi bom. E eu nem era o público alvo!

Não consigo deixar de me perguntar como a família da modelo, ou a própria modelo, encara a situação. Óptimamente suponho. Mas se a modelo usasse o seu corpo para fazer filmes erotico-pornográficos, que visam excitar as cebeças alheias, tentaria provavelmente fazê-lo sem que a familia e amigos o soubessem, com vergonha, provavelmente nem o faria. A modelo e sua família não achariam bem as pessoas andarem pelas ruas só com aquelas roupas vestidas, muito menos naquelas poses altamente sensuais. No entanto, muito provavelmente, a modelo encara muito bem o facto de lhe terem pago para exibir sensualmente os seus atributos fisicos, para chamar a atenção das pessoas, em cartazes gigantes por toda a cidade. Porvavelmente até gosta que os homens se babem e as mulheres a invejem e admirem. Muitas pessoas até o fariam sem terem de ser pagas para tal, se ao menos tivessem a desculpa, para dar a si mesmas e aos demais, de que “é um trabalho”, é “profissional”, é “arte”. É?!?

Por mim tudo bem. Óptimo mesmo.

Não sei dizer o que é bom, bem ou certo. Mas gosto de que “tudo esteja na moda”, de que tudo seja possivel, aqui e agora.
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A minha 7ª Vida...segue dentro de momentos!

Antes de este ano (de trabalho) começar mentalizei-me para 2 trabalhos. Um, pequeno pequenino, manter-me a dar aulas de yoga, ao Sábado, só 3 aulas. Fácil. E outro era voltar a faculdade e fazê-la bem. Voltei a faculdade, a de Letras, departamente de História, Estudos Asiáticos. Estudos Asiáticos é o nome que actulamente se dá ao que antigamente se chamava “orientalismo”, o estudo das culturas dos países da Ásia. História, geografia, línguas (no meu caso chinês e hindi), filosofia, sistemas politicos, relações com o ocidente, etc. Estes dois trabalhos incluiam um poiso, uma casa confortável, e praticar yoga e desporto para me sentir bem comigo próprio e poder dar o máximo nos dois trabalhos. Pressuponham estabilidade.

Azar. A Vida não corre como queremos. Nós fazemos a Vida acontecer, através das nossas acções, mas, e é mesmo assim, somos apenas parte de algo mais vasto, um Todo, e portanto a vida não nos pertence. E não a comandamos, apenas a influênciamos, um pouco, ás vezes, através daquilo a que chamamos actos de vontade, a maioria deles pouco ou nada concientes, e ainda menos livres, seja lá o que isso for. Azar, a Vida escapou-me “ligeiramente” das mãos.

Como se não bastasse mudar mais uma vez de local onde vivo (em cerca de 8 anos mudei de casa, e ás vezes de trabalho, cidade e até de país, mais de 8 vezes), como se não bastasse voltar a faculdade e o curso ser bastante mais puxado do que tinha imaginado, em vez dos 2 trabalhos planeados tive 4. Em vez de estabilidade tive uma brutal instabilidade, e logo, bastante stress. Um dos trabalhos imprevistos, e bastante problemático, e que agravou as dificuldades dos outros todos foi não ter poiso. Na altura em que precisava, e em que deveria entrar naquela que seria a minha casa, descobri que a coisa estava com um “ligeiro” atraso de cerca de 2 meses! Primeiro tentei ir e vir. Viver no campo e estudar na cidade. Por mais idílico que isso pareça não deu resultado. Rápidamente percebi que tinha de arranjar poiso temporário. Por acaso foi fácil e duas amigas facilitaram-me o acolhimento. E boa companhia diga-se. Mas não era a minha casa. E por vias que não vale a pena explicar já ia no meu quarto ou quinto mês a não dormir mais de 2 ou 3 noites no mesmo sítio, e com a roupa algures perdida por malas, e sem o minimo de estabilidade e rotinas tão necessárias. Até porque quando se fica muito instável, além de se perder muito tempo com adaptações permanentes, a tendência é o desgaste geral, e o organismo começa a exigir que se pare, e lá se vão yogas, desportos, horarios de estudo e coisas do genero. Entretanto a “minha” casa lá ficou disponivel, embora não pronta. Os pedreiros ás vezes ainda entravam e saiam, faltava pintar, colocar o gás, luzes, limpar, mobilar, re limpar, etc.

Hoje, finalmente, acho que tenho casa. Ainda não está tudo. Falta pintar umas coisitas, falta limpar outras melhor. Falta montar um ou outro movel. Mas ontem vieram colocar o gás. E por um milagre (com nome de pessoa) a instalação passou à primeira. E por isso agora tenho água quente, fogão e tudo!!! Só esta semana, desde ontem para ser mais preciso, é que sinto que tenho casa, base, um poiso, algum sitio onde gosto de estar e onde posso estabelecer-me e criar concentração e estabilidade, como se diz para fazer no yoga...

Ainda não estou concentrado nem estável, ainda não estou como queria. Mas estou bem melhor agora. Desde ontem! Uuufffff...

P.S. Estou a viver entre Arrois e Anjos, uma zona cheia de velhos, estudantes, brasileiros e chineses. É algo decadente, mas também cosmopolita. Acho que esta zona está a começar a tornar-se quase...chiq! Num raio de poucos Km vejo um numero crescente de igrejas evangélicas, sobretudo brasileiras. Aleluia, viva o senhor.
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