10.3.06












Liberte-se!

Liberte-se de todo tipo de construções.
Destrua. Reconstrua!

Liberte-se das imposições e manipulações exteriores.
Imponha as suas!

Liberte-se dos seus condicionamentos e tendências.
E adopte outros!

Liberte-se da incapacidade de amar. E da necessidade também.
Ame!

Liberte-se daquilo que você e os outros esperam de si.
E aí sim: faça!

Liberte-se das opiniões, teorias e criticas. Das dos outros, das que faz aos outros e sobretudo daquelas com que se ensurdece a si próprio.
Aceite-as!

Liberte-se das utopias que estropiam!
Apresente a sua!

Liberte-se da mais encantadora ilusão: a liberdade.
Viva!

Não há vida sem ilusão.
Morra!

(Vá chatear o caralho!
Não posso: meti um balázio nos cornos.)

11 comments:

Susana said...

adorei esse texto ... muito mesmo... :))))))))))))))))))))))))

susana

Simão said...

É... tá ligado

trintapermanente said...

... e ia tao bem

Luis said...

especialmente o final (que me lembra tanto de mim)....

lolol....

arriba hermano!

Anonymous said...

Nao tinha tempo de abrir meu mail...por isso envio-te por aqui este texto interessante em :

http://dn.sapo.pt/2006/03/16/opiniao/o_prec_espanhol.html

um abraco

Luis

O Prec espanhol



Luciano Amaral
Professor universitário

Parece fado, mas em ano de efemérides trágicas (75 anos sobre a instalação da fracassada II República e 80 sobre o início da Guerra Civil) a Espanha volta a confrontar-se com alguns dos piores fantasmas do seu século XX. Passa-se aqui ao lado, mas pouco ligamos. E no entanto, por lá anda tudo em polvorosa, havendo já quem fale em "guerra civil" entre aspas, tais são as similitudes do actual ambiente político com o da fase terminal da II República e inícios da Guerra Civil. Há dias, a piada num cartoon do jornal ABC era o diálogo entre dois cidadãos normais, em que um dizia: "A Espanha actual parece-se tão pouco com a de 1978 que a mãe dela já não a reconheceria, mas parece-se tanto com a de 1936 que a sua avó não teria dificuldades em reconhecê-la." Para além de um vago conflito com a Igreja, a pretexto da legalização dos casamentos homossexuais e da reforma do ensino, a grande razão para isto é o debate em torno da definição territorial e constitucional do Estado. Na sua busca por manter-se no poder, o PSOE de Zapatero não hesitou em acarinhar os sentimentos nacionalistas da Catalunha e do País Basco, pondo claramente em causa o statu quo institucional saído da Transição e consagrado na Constituição de 1978.

A transição espanhola constitui um dos grandes momentos políticos do século XX europeu. Aquele em que um povo profundamente dividido pela violência de uma guerra civil brutal e de uma ditadura não menos brutal conseguiu encontrar uma solução política consensual, dando origem a um período dilatado de conflito ordeiro (i.e., democrático) e prosperidade. Mas a verdade é que esta solução sempre dependeu do recalcamento das piores pulsões, que nem por isso deixaram de sobreviver latentes. A esquerda teve de conter a sua vontade de vingança sobre a repressão franquista, e as chamadas "nacionalidades" a sua vontade de afirmação "independentista", que Franco também reprimira de forma implacável. Aquilo que, à época, pareceu ser um consenso duradouro, deixou na realidade abertos muitos alçapões de conflito potencial. Uma das ironias da Transição é que, em última instância, a actual democracia é uma emanação do franquismo. Para a concretizar, foi necessário ao Rei e a Adolfo Suárez invocarem a base legal franquista e fundarem-na nela. Por isso, a passagem do autoritarismo para a ordem democrática assumiu uma aparência tão tranquila, pelo menos por comparação com o nosso Prec. Mas o impulso no sentido da ruptura sempre esteve lá. O PSOE tem vindo a actuar, de há dois anos a esta parte, como se quisesse tornar aberto um processo que parecia fechado. Como se quisesse construir um novo quadro político, por oposição ao consenso, que alguns pensariam ser estável, da Constituição de 1978. Como se quisesse terminar com os últimos resquícios do franquismo, de que a própria Espanha democrática é o maior. Como se quisesse passar da Transição para uma espécie de Prec local. As reivindicações nacionalistas têm sido o ponto onde esta vontade se vem manifestando. Como se a "Espanha una e indivisível" fosse um intolerável resíduo franquista a erradicar.

Não é ocasional que, neste ambiente inflamável, o líder da Izquierda Unida, Gaspar Llamazares, tenha pedido que a celebração dos 75 anos da II República se faça içando em locais públicos a sua bandeira tricolor ao lado da actual, assim restabelecendo a ligação perdida a essa era mítica da esquerda espanhola. Faz bastante sentido, já que a II República foi um regime afinal muito imperfeitamente democrático, em que a direita não podia ganhar eleições (quando as ganhou, logo foi impedida, por meios violentos, de assumir o poder). Ora, até parece que a esquerda espanhola aposta em regressar ao programa de 1931, com o seu conflito com a Igreja e o incentivo à criação das nações catalã e basca. Tem cabido à direita (centrada no PP) a assunção do programa conservador, em favor da unidade espanhola. E assim os dois lados políticos espanhóis voltam a colocar-se na mesma situação dos anos 30.

Onde tudo isto terminará é algo que se ignora, mas neste momento negoceia-se na Catalunha, e entre a Catalunha e a Espanha, um novo Estatuto Autonómico que aponta para a criação de uma "Nação catalã" e devolve uma notável quantidade de poderes ao Governo Autónomo. E negoceia-se também um "processo de paz" no País Basco correspondente, no fundo, ao reconhecimento do Batasuna e da ETA enquanto interlocutores legítimos, algo que rompe com a tradição antiterrorista do regime. E, ao fazê-lo, rompe também com outra tradição, a de não reconhecer a existência de um "problema nacional" basco. Para o Batasuna e a ETA, a situação do País Basco configura um quadro de tipo colonial, a resolver-se por um processo de autodeterminação. É isto que tem sido recusado em Espanha nos últimos 30 anos, mas o PSOE parece agora querer aceitar.

Em suma, vivem-se em Espanha "tempos interessantes", no pior sentido da expressão. E nós não lhes devíamos ficar alheios, porque certamente sentiremos bastante as consequências que deles resultarem.

Pedro Miguel de Moura said...

Tudo se pode fazer é? Tudo está ao alcance de todos?... Será este o fim de uma sociedade organizada? Não mais se poderão controlar os cidadãos...

Anonymous said...

na....o big brother esta mais proximo do que se pensa....

pode na aparencia parecer que caminhamos para cada vez mais liberdades...mas e so na aparencia...

i've seen the future brother...it is murder!

luis

ISA said...

tb gostei mt. bjs

Antonio said...

Luis: o texto sobre o que se passa em Espanha está muito bom.

Talvez um pouco dramático demais.

Não há um perigo real. O mais que pode acontecer è alguma "independencia". Assim os catalaes e os bascos já podem dizer mal dos seus proprios governos...

Mas neste mundo europeizado e globalizado estes nacionalismos nao valem grande coisa. Espero.

Aliás nao correspondem a nenhuma necessidade ou crença real de mudança (são ricos!). É apenas uma causa a que se agarrar. Sempre é melhor qu eser rebelde sem causa!

Tristeza...

Antonio said...

Sobre o meu texto...

Pensei que o paradoxo, e até o sarcasmo, eram evidentes...

Mary wants a little Lamb said...

E são evidentes, António. São evidentes.