19.4.06

Causas primeiras, dogmas, provas...

Conversas dogmáticas...

Qualquer afirmação é dogmática por natureza! Pois se afirma algo! Se digo: algo é, estou a fazer uma determinação. Algo é. E se é alguma coisa, é essa coisa!

E quais as bases onde se fundamenta (para além dos quase nunca claros meandros da sua consciência) para afirmar que algo é?

Talvez em outras verdades anteriores que ache estarem relacionadas, porque acho que tem lógica. Ou porque alguém disse, ou nem sei bem porquê. É porque é.

Mas e essas afirmações (verdades, dogmas, convicções) anteriores onde se fundamenta, qual a sua fundamentação?

Bem, se quiser podemos andar sempre mais e mais para trás, procurando sempre mais causas anteriores relacionadas…mas não sei qual é a causa primeira! Nem se existe. E nem me interessa. É assim. Nem me interessa o porquê. Eu sei que é assim e pronto. Faça deste postulado a causa primeira…se precisa!

E essa afirmação é inquestionável? Não admite que possa estar errada?

Sim admito. Admito tudo o que quiser. Tudo é possível. Incluindo o contrário!

E é possível contrariá-la, ou “falsificá-la”?

Sim, claro. Qualquer coisa pode ser contrariada a todo o momento por qualquer um. Agora estou absolutamente certo (crente, convicto) de que algo é. Nem sei porquê, nem me interessa. Simplesmente faz sentido e permite-me fazer o que eu quero. E daqui a pouco esta certeza desvanece-se, talvez nem saiba porquê, e parece-me falsa, inútil e ridícula. Talvez apareça outra. É o mais provável. È o costume…Uma mais útil aparece e substitui esta. É o que todos fazem, a todo o momento. Revisão. É a evolução. A mudança.

Mas para ter a certeza não precisa de provas?

Provas? E como prova a provas? Tem um método? Prove-me o método. Você tem a certeza de existir? Prove-mo…Ou é simplesmente óbvio, para si. Não vamos andar em círculos infinitos e voltar ás causa primeiras, por favor.

E satisfaz-se com “ser assim por ser assim”?

Olhe, por agora sim. Mas isso da satisfação tem pouco de permanente e absoluto… Mas saber que algo é, agora dá-se imenso jeito e isso chega-me. Por ora.

E fica-se por aí?

Quer que desenvolva mais…ok. Aqui vai:

E é provável que baseada nesta verdade produza outras. Outros dogmas! De uma teia de afirmações entrelaçadas se pode extrair um sistema, uma doutrina, ela própria afirmativa, e logo, dogmática. E esses conjuntos podem formar paradigmas através dos quais entendemos e vivemos o mundo.

Tudo muito dogmático. E básico.

Mas não se preocupe. Dogmático e básico são só duas palavras…

3 comments:

andalsness said...

é assim

Pedro Miguel de Moura said...

concordo com o comentário anterior...
sendo directo demais (como demasiadas vezes sou!) o assumir de uma posição docente e mais de yôga (cujo saber é "transcendental", "etéreo", ou pelo menos é isso que vende) leva as pessoas a se terem que afirmar pela positiva, pelo saber, leva-as a querer encontrar à força algo que dizer sobre aquilo que se propõem a ensinar. Será que se pode ensinar o não-saber?
Como já tinha dito anteriormente:o yôga funciona melhor sem Yôga.

Antonio said...

É fascinante ao ponto que chega o desentendimento...mesmo concordando!

Sinceramente não entendi.

Não entendi o ser directo X posição docente de Yôga..

Não entendi o Yôga e esse tal de de saber transcendental ou étereo...e o que isso tem a ver comigo?

E o que o Yôga (esse) tem a ver com o texto comentado (ou o anterior)?

E o que raios é um não-saber?!?!

Não-sei...defacto.

O comentário parece-me um pouco fora de contexto...ou melhor: éterico!

O que me parece é o seguinte: quem afirma pode contar sempre com critica. Se afirma é porque afirma. Se não afirma é porque não afirma. Se tem (e assume) convições é criticado por elas, e senão o faz é criticado por não as ter. E é sempre uma coisa terrivel, que "tem de " e "precisa"...

Cada um com os seus cultos. Da dúvida e das certezas conforme convém á critica alheia.

Mas para mim não há que optar entre certezas e dúvidas, entre relativo e absoluto....isso sempre convive, no fluir da nossa consciência!