25.4.06

Comtemplação...

Pontos de vista

“Todos os caminhos vão dar a todo lado, mas ninguém os pode percorrer a todos”

Sútra Antonino

Qualquer ponto de vista é absolutamente legítimo e bom para contemplar e conhecer a realidade.

Uns fazem-no através das artes marciais, ou de uma concreta. Outros através de uma religião, ou uma muito na moda “espiritualidade”. Outros através de filosofias diferenciadas. Outros dos grupos sanguíneos. Outros da alimentação. Outras da história, da sociologia, da física “quântica….enfim, qualquer ponto de vista pode servir. Cada um encontra-se em algum que se lhe adequa melhor. E através desse ponto de vista entende o resto.

O que é preciso é concentração. Manter o foco. Manter a atenção em algo: num grupo, numa filosofia, numa ideia, numa relação, numa paisagem, numa pratica, numa parte do corpo, ou da mente, numa mulher, num ego, em si mesmo… quanto maior for a concentração melhor.

Se estabilizarmos a consciência em alguma parte do todo, e aí a mantivermos, em pouco tempo a realidade começa a desenrolar-se perante a nossa observação. Basta dar tempo. E então basta contemplar. A consciência flui mantendo-se “ancorada” num ponto de observação. E dessa contemplação surge o conhecimento de tudo. A diversidade desenvolve-se dentro da própria unidade.

É isso que o Yôga ensina e estimula. Não só na “pratica técnica”, mas sobretudo na vida como um todo. Pois a pratica é um reflexo (concentrado) da própria existência.

E por isso o Yôga é tão interessante. Simultaneamente é um darshana, absolutamente válido e que se basta a si memo. Por outro lado, como não tem teoria nem moralidade próprias, adapta-se e aceita e apoia qualquer uma. Sejam ela tantrikas, espiritualistas, naturalistas, antigas, modernas, ocidentais ou orientais…

O Yôga não só é um ponto de vista, mas também um óptimo apoio a todo e qualquer outro dárshanas.

1 comment:

Pedro Miguel de Moura said...

Sim mas também é importante não cristalizar num ponto de vista...afinal se Yôga é auto-suficiência, então também é auto-suficiência da sua prática.