2.9.07

China, India, Brasil e outros epicentros assustadores...


Estava a ver hoje no jornal que dentro das 10 maiores empresas cotadas em bolsa há já 3 chinesas !Uma delas em terceiro lugar. Todas de control maioritáriamente estatal-comunista! É a implosão dos paradigmas clássicos. E a tendência parece ser a de que cada vez mais empresas desse país e de outros emergentes, tanto da ásia como da américa do Sul, ocupem cada vez mais postos mais altos neses rankings tão significativos. É um fenómeno que já não é novo e que todos os prognósticos apontam: os epicentros do poder economico, e logo de decisao, estão a mudar de coordenadas. Ou pelo menos a deixar de estar tão centrados na UE e EUA. Isto para um Europeu com gosto em sê-lo como eu (mas sem especial orgulhos) é quase assutador.

Um caso específico é o dos chineses. Para mim é o mais assustador porque que são muitos, são imparáveis e creio que são racistas. E não me parece que haja que esperar muito menos do que os nossos antepaçados fizeram há não muito tempo. Eles não vêm aí, eles já estão aí. Não é só em cada esquina das cidades europeias e americanas, é também nos postos mais altos do jogo politico-economico-cultural. E só estarão cada vez mais, mais fortes, mais mandões. Uma coisa que noto na China é o sentido practico, o senso comum, e o sentido de comunidade. Não sei se é de serem uma civilização tão antiga ou se é um acaso do Confucionismo misturado a Budismo e recliclado pelos modernos comunismos-capitalistas, mas o facto é que ali não há sentimentos de culpa quanto a dinheiro (isso é absolutamente cristão). Ali tudo gira em torno do grupo: a família, a empresa, o partido, o país. E nesse contexto, um contexto d ebiliões, não há hesitações quanto ao uso da pena de morte, que se aplica com toda a naturalidade para que o grupo avance sobre o indivíduo. Individuo?!? Estará presente esse conceito na mente de um chinês? Assustador.

Outro caso é a Índia. Não acho que os indianos (esse invenção tão moderna e europeia) sejam racistas. Esses são piores, são (neo)nacionalistas e com tendência para fanátimos religiosos, por enquanto anti-muçulmano.

O que é pior, nacionalismo racista ou nacionalismo religioso? Tendo em conta que se contam todos em centenas de milhão e que têm bombas atómicas é caso para dizer que "venha o diábo e escolha". Eu ainda simpatizo mais com os indianos...

O poderio económico e cultural que desponta na Índia é um caso curioso, pois não se trata própriamente de um sistema e sim da falta de qualquer sistema. É uma bagunçada total entre tradição e modernidade, entre europeismo e neo nacionalismo hindu, entre “castas à la hindu” e “castas à la europeia” (leia-se classes sociais que se distinguem essencialmente pelo poder material), entre anti-muçulmanismo e um hinduísmo mega multi fragmentado, entre esquerdismos delirantes, burocracias kafkianas e um capitalismo ultra liberal sem preocupaçoes significativas e efctivas para conseguir uma menos díspar desigualdade social, ou um desenvolvimento minimamente respeituso com os parametros ecológicos, numa sociedade ainda muita agrária, de agricultura de subsistência que coabita lado a lado com outra absolutamente urbana e ultra educada e preparada para as novas tecnologias...o que raios é a Índia? Defini-la é quase impossivel, mas é fácil perceber que são muitos e ali está-se a gerar um grande poder.

Outro caso interessante é o Brasil. O Brasil é muito parecido com a Índia, pelo menos na bagunça e impossibilidades de definição. E na estéctica. Mas ali a matriz é tipo cristão, de marca europeia, até ligeiramente portuguesa. Mas ao contrário de todos está no hemisfério sul. Como qualquer nação nova e sem identidade abraça o neo-nacionalismo, mas sem um mínimo de sentido grupal. Como nação jovem que são (neste caso estão mais ou menos no inicio da puberdade) são rebeldes. Contra si mesmo como é óbvio. Divertem-se em delirios de crítica e esperança. Está tudo mal, estão todos mal, o “sistema-poder” é absolutamente desprezivel, há que destruir tudo e todos, por tudo em causa e depois contruir um paraíso qualquer (viva o sonho cristão), que como é óbvio nunca chega, e não vai chegar nunca. Mas pouco a pouco vão crescendo, ficando mais robustos, mais adultos. O clima não lhes favorece só aquela energia á flor da pele que lhes é tão conhecida. Favorece-lhes também, e cada vez mais, a economia, nem que seja ainda pela via agricola e mineral, e isso nada tem de negativo porque por muita inteligência que haja, um homem (e tudo o que mexe) tem de se alimentar (não é a toa que a UE tanto queria defender a sua agricultura a força com a PAC, e que todos estamos no Iraque)). E não é pouco ser o celeiro do mundo, se pensarmos que também já eram (por quanto tempo?) os pulmões, e que ainda se acrescentam as minas, as praias para turismo, e sobretudo uma população jovem, activa, parte dela com um nivel cultural e tecnico muito alto, e uma quantidade de mão-de-obra disponivel que continua em crescendo. Os brasileiros, no seu individualismo exacerbado, não aceitarão nunca sacrifícios em prol do engradecimento comum, mas a sobrevivência nesta selva que é a vida, e que lhes é tão familiar, impor-lhes-á, aos poucos, os sacrificos globais necessários para chegar à vida adulta. Entretanto ainda há muito canarval, mas eles já são uma das 10 maiores potencias do mundo, na minha opinião.

Onde fica, nesta luta de mega potências, o “ocidente” (que se pressupõe do norte), onde fica a nossa querida e velha Europa, onde fica o meu querido e tão afável Portugal? Não sei. Sei que ainda estamos no topo do mundo. Mas um sextuagenário inveja naturalmente um adolescente. Somos mais sábios(?), mas isso fez-nos cínicos. Temos dinheiro e até algum tempo extra para nos apreciar-mos, mas apreciar o quê? O nosso apogeu ou a nossa decadência?

Talvez algum choque derivado de tantos apertos se resolva da maneira mais habitual: uma guerra. A guerra, com bombas atómicas, de hidrógénio e tudo...

Ou talvez isto sejam águas passadas. A nova dimensao virtual esta a construir novos espaços que fazem da globalização que se refere á superficie terrestre um assunto quase ultrapassado. Este novo espaço é elástico e abre terreno a mais vida. O que importa se estamso em Gijón, em São Paulo, em Pequim ou Nova Iorque, se temos uma conexão de alta velocidade a este novo mundo e uma boa habilidade me entendê-lo e nele navegar?

5 comments:

m said...

"Os sucessivos ataques de piratas informáticos à rede do Pentágono, em Junho, alertaram o Departamento de Defesa norte-americano para a fragilidade do seu sistema. Segundo o "Financial Times", uma investigação interna terá ligado os ataques ao Exército da China.

O Governo chinês ainda não comentou a acusação dos Estados Unidos. Numa situação semelhante, denunciada pelo Governo alemão, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que a China se opunha e punia "quaisquer actos criminosos que envolvessem redes informáticas".

O país "tem leis explícitas e há regulação nesse sentido", disse na altura Jiang Yu, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. "Os 'hackers' são um problema global e a China costuma ser vítima", afirmou.

Segundo o "Financial Times", o acesso às redes informáticas de países terceiros — quer pelas forças militares chinesas quer pelo Pentágono — é relativamente banal, mas o ataque de Junho mostrou que a China é capaz de invadir e desactivar o sistema dos Estados Unidos em alturas críticas.

"Há várias chamadas de atenção que nos obrigam a partir para níveis de vigilância mais agressivos", disse Richard Lawless, do Pentágono, sobre os ataques de Junho, que duraram mais de uma semana e obrigaram as força norte-americanas a mandar abaixo o sistema por precaução.

O Pentágono está ainda a investigar o volume de dados furtado durante o ataque. Segundo o "Financial Times", os Estados Unidos estão a reformular a política de segurança informática e a Casa Branca terá já convocado uma equipa de especialistas para ponderar as novas restrições, nomeadamente ao uso de telefones BlackBerry, vulneráveis a ataques e às informações que circulam por e-mail."

in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1304038

Mania da perseguição ou eles estão a invadir, mesmo, por todo o lado?

m

António Matos said...

Eles estão a invadir mesmo por todo lado! rsrsrsr Até agora principalmente pelo comercio...menos mal! Mas um exercito daquele tamanho e poder dificilmente vai existir para sempre para não ser usado para além do poder de ameaça...

Abraço aí bro, tenho saudades de snetar e charlar ...

Anonymous said...

China será a terceira maior economia em 2015
O panorama da economia mundial vai mudar radicalmente. Os países mais ricos serão outros: China, Índia e Brasil estão na ribalta.

Mónica Silvares

Não vai demorar muito para que o panorama da economia mundial mude radicalmente. Os sinais são muitos e bem visíveis. Dentro de oito anos, a China será a terceira maior economia do mundo e a Índia a sétima. Mas, em 2050, a revolução será muito mais significativa, já que os EUA vão perder a liderança, destronados pela China, o novo número um. A Índia também ascende a um lugar do pódio (3º).O Brasil, outra economia em franco desenvolvimento, ascenderá à sexta posição no ranking mundial.

Mas tamanho não é tudo. Basta analisar as economias do ponto de vista da distribuição do rendimento per capita para perceber que a grandiosidade das economias não corresponde a um enriquecimento significativo das populações. De acordo com os estudos feitos pelo Banco Mundial, presentemente os EUA são a maior economia do mundo, mas os americanos são também o povo mais rico. A China, actualmente no quarto lugar do pódio, acaba por derrapar para 128º lugar quando se faz a comparação como nível de riqueza da população.

Analisando esta discrepância de outra forma pode dizer-se que 20% da população mais pobre da China tem 5,71% da riqueza que se produz, enquanto os 20%mais ricos têm 50%.No Brasil, porém, o fosso da divergência alarga-se magistralmente já que20%dapopulação mais pobre tem 2,1% da riqueza do país, enquanto os 20%mais ricos têm 64,28%.

De uma maneira geral os economistas defendem que as taxas de crescimento destes três gigantes (Brasil, China e Índia) são sustentáveis, mas a qualidade das finanças públicas destes países pode ser determinante. Mais uma vez, de acordo com os dados fornecidos pelo Banco Mundial, a dívida pública brasileira é de 58% do PIB (se fosse um país da zona euro estaria dentro do critério de Maastricht), mas a indiana já ascende a 85% do PIB. Já no que diz respeito ao défice orçamental, o Brasil tem um desequilíbrio de 5,3% (embora registe um excedente primário de 4,3% do PIB), a China de3%e a Índia de 11%.

Estes dados podem ainda esconder outras realidades. Ainda que o Brasil, tendencialmente, gaste mais dinheiro público em temas sociais, as poucas verbas aplicadas na China, por exemplo, parecem produzir resultados mais eficazes. Segundo o economista do BM isto sugere que a despesa pública pode ser afectada de melhor forma e assim libertar mais verbas para investimentos noutras áreas fundamentais.

A China não pode ser a fábrica do mundo”
“A taxa de crescimento de 10% da China é viável, mas poderá sermantida por muito mais tempo?”. A questão foi levantada por Sanjay Peters, professor do Departamento de Economia da escola de negócios espanhola Esade, aquando da sua passagem por Lisboa. A resposta é simples: não. “A China está a debater-se com uma população activa envelhecida, o clima social é instável, o crescimento económico depende exclusivamente da importação galopante de matérias-primas e do investimento estrangeiro”. Além disso, a China não tem empresas próprias, sendo a produção industrial dominada pelas grandes multinacionais, que se aproveitam da mão-deobra barata. “Todos os produtos são ‘made in China’mas não ‘made by China’. A China não pode continuar a ser a fábrica do mundo”, disse o professor. Já a economia indiana desenvolveu-se “a partir de dentro”, com incentivos à criação de empresas nacionais, com base no consumo interno e com uma taxa de crescimento mais baixa do que a China (7% ao ano), e por isso é hoje “mais estável”.

Diarioeconomico.com

Anonymous said...

Expansão do PIB do Brasil foi a menor entre os Brics

Publicada em 12/09/2007 às 18h43m
Juliana Rangel - O Globo Online

RIO - Apesar de um crescimento de 5,4% do Produto Interno Bruto brasileiro no segundo trimestre do ano, o Brasil ainda figura em último lugar no ranking dos que mais cresceram entre os quatro principais emergentes do mundo, grupo denominado Bric, que engloba, além do Brasil, a Rússia, a Índia e a China.

Segundo um levantamento feito pela consultoria Tendências, a Rússia teve uma expansão de 7,8% de sua economia entre o segundo trimestre deste ano e o mesmo período de 2006, contra expansões de 11,9% da China e de 9,3% da Índia.

Clique aqui para conferir os números do PIB. "
Enquanto em todos os outros países do Bric o crescimento vem se estabilizando em um mesmo ritmo, no Brasil a expansão aumenta

Na avaliação do economista Filipe Albert, no entanto, há uma tendência de que os outros três países do grupo cresçam a um ritmo cada vez menor, enquanto, no Brasil, a tendência é de escalada a passos mais largos. A China, que cresceu 10,7% em 2005 e 10,4% em 2006, por exemplo, deverá ter uma expansão econômica de 10% em 2007. A Índia, que teve crescimento de 9,2% em cada um desses anos deverá ver sua economia crescer 8,5% em 2007. Na Rússia, onde a expansão do PIB ficou em 6,4% e 6,7% em 2005 e 2006, respectivamente, a alta deverá ser de 6,4% neste ano, nas projeções da Tendências.

- Enquanto em todos os outros países do Bric o crescimento vem se estabilizando em um mesmo ritmo, no Brasil a expansão aumenta. O país cresceu 2,9% em 2005 e 3,7% em 2006. Para 2007, nossa projeção é de um aumento do PIB de 4,8%, o que é bastante considerável - diz.

Segundo Albert, apesar de a expansão econômica ainda ficar bem abaixo dos outros emergentes em termos percentuais, é importante salientar que o Brasil vive uma fase diferente.

- Esta fase em que eles estão agora, de crescimentos elevados, é mesma pela qual o Brasil passou entre as décadas de 50 e 70. O que vemos é que eles ainda estão em um período de industrialização, enquanto no Brasil há um crescimento muito forte do setor de serviços. Estamos muito mais próximos dos países desenvolvidos - distingüe.

"
Esta fase em que eles estão agora, de crescimentos elevados, é mesma pela qual o Brasil passou entre as décadas de 50 e 70. O que vemos é que eles ainda estão em um período de industrialização, enquanto no Brasil há um crescimento muito forte do setor de serviços

O economista acrescenta que é mais fácil registrar um crescimento percentual maior quando a base de comparação é mais baixa.

- Se você pega o PIB per capita, percebe que o do Brasil é três vezes maior que o da China e muito maior que o da Índia - diz.

Albert avalia que o resultado do PIB brasileiro divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi positivo, sobretudo em função da forte influência do aumento da demanda doméstica. De acordo com o levantamento, o consumo das famílias cresceu 5,7% na comparação com o mesmo trimestre de 2006.

- O aumento da renda e a expansão do crédito deu suporte para que o consumo aumentasse. Além disso, com uma previsibilidade maior da política econômica, o que já vem acontecendo há algum tempo, as pessoas sentem-se mais confortáveis para gastar mais e o crédito oferecido pelos bancos também aumenta. Os investimentos também aumentaram , o que é positivo pois sinaliza que a oferta de bens e serviços tem tudo para acompanhar a demanda nos próximos trimestres sem que haja pressões sobre a inflação.

António Matos said...

Pois...

Não me parecia ser um achismo alucinado meu! rsrsr

Obrigado pelos dados.

(quem és?)