29.10.05

Auto-suficiência energética

Ideias politicas

Acredito que a vida é inteligente. Procura continuar a viver, encontrado a menor resistência: a maior eficiência. Assim, a realidade que existe faz sentido. Tudo está absolutamente certo! Até a mudança.

Proponho aqui algumas mudanças que me parecem fazer sentido.

Outras prioridades

A CE gasta grande parte do seu orçamento a financiar a agricultura europeia (a expressão máxima de que no nosso sistema politico existe planificação central). E para quê? Cada vez faz menos sentido.

Os agricultores são cada vez menos. Os que vão restando são os empresários agriculas que vivem, não da agricultura e sim do subsídio. Com isso (e com enormes cargas fiscais aduaneiras sobre os produtos estrangeiros) os agricultores europeus conseguem competir nos mercados, continuando a fornecer-nos a comida do dia…Os produtos parecem-nos muito baratos porque não percebemos o quanto nos custa em impostos. A agricultura europeia (e norte-americana) é tão eficaz a produzir (à custa de enormes subsídios) que o mercado não consegue consumir tudo. É preciso deitar comida fora, proibir produção, e dar ainda mais subsídios para as empresas europeias exportarem os seus excedentes a preços vis para os países em vias de desenvolvimento.

Resultado: os países em vias de desenvolvimento, cujas populações vivem essencialmente da agricultura, entram em ruína total. Os seus cidadãos lutam desesperadamente para emigrar para a Europa (onde trabalham como clantestinos nas empresas dos agricultores europeus!!!). E os Europeus criam fundos para ajudar esses países a produzirem mais e minorar a miséria crescente! Na realidade para iludirem e se iludirem quanto aos efeitos secundários das sua politicas…

E para quê? Para se sentirem confiantes por serem auto-suficientes a nível alimentar? Só pode ser isso…

E o mais incrível é que os agricultores (e os partidos de “esquerda” que gostam de se apregoar seus santos padroeiros) estão sempre a clamar por mais e a gritarem de desespero pelo abandono dos seus governos e demais instituições europeias! Incrível!

Sou a favor de diminuir drasticamente os subsídios à agricultura europeia, sabendo que isso é decretar o seu fim! E daí?

Os outros países produzem melhor mais barato. Pois produzam. Nós compramos-lhes. Assim eles não morrem de fome. São pobres mas dignos. E não têm de saltar a cerca desesperados para nos invadir.

E ainda sobra capital para investir em outras coisas mais interessantes e sobretudo mais reprodutivas: educação; investigação tecnológica; artes; comunicação; etc.

É muito melhor investimento.

Outras opcções

Energia é vida.

A vida é mudança. É movimento. É energia. Quanto mais energia mais vida. Por isso todas as pessoas, singulares ou colectivas, procuram afectar o máximo de energia possível. Para ter mais poder. Mais vida. É legitimo. Mais: é assim. (ponto final!)

Antigamente procurava-se possuir terra. Da terra vinha a comida (energia). Quanto mais terra mais vida.

Depois veio a revolução industrial que trouxe enormes aumentos de produção. Mas para ela existir também é necessária muito mais energia. E para a escoar são precisos muito maiores mercados. Assim, a colonização continuou a ter sentido. É preciso assegurar matérias-primas baratas, implementar uma cultura que consuma os produtos (físicos e não só) e manter o fornecimento energético acessível e estável para manter isso tudo a rolar.

E assim os exércitos continuam a ser úteis. Necessários.

E assim a Europa e os E.U.A precisam de controlar o petróleo, fonte mais importante de energia.

E assim o médio oriente islâmico está no cerne da política internacional, não obstante aquilo serem desertos horrendos, sem grandes contributos culturais a dar ao mundo.

E não há volta dar-lhe?

E se não dependêssemos do petróleo dos árabes? Seria uma maravilha!

Deixávamos de ter que enriquecer os Sheiks e levar com o fanatismo religioso dos pobres. MARAVILHA!

Sem ter de controlar o petróleo, e a respectiva área, os exércitos não teriam tanto o que fazer. Logo muito (muito mesmo) capital sobrava para ser investido em outras coisas. Mais uma vez: educação; investigação tecnológica; artes; comunicação; etc.

É daí que, cada vez mais, vem o poder. Não se preocupem os freaks do controlo e das guerras. Há muito tipo de guerras a vencer. Guerras tecnologias, de comunicação, de ideias, etc.

Se há auto-suficiência a conquistar é a energética. É a das energias limpas e inesgotáveis. Saber capta-las com a eficácia necessária é o melhor investimento que poderíamos fazer. E isso consegue-se com: educação; investigação tecnológica; artes; comunicação; etc.

Na realidade é isso que proponho: desloquemos 50 % investimento militar das “guerras do petróleo” para a maior implementação e desenvolvimento dos muitos sistemas que já dispomos nessa área. Criar, aprender e ensinar formas mais inteligentes de captar e usar a energia do sol, dos ventos, das águas, etc.

Será que isto à loucura? A mim parece-me algo mais que um sonho “flower power”. Na realidade parece-me simples apelo à racionalidade.

Mas que racionalidade?

Serei eu um bom exemplo racional? Terá a nossa sociedade alguma apetência por apelos racionais?

A maioria vive atrás dos amores e desamores. E enquanto as guerras forem lá longe, que se lixem! E se cá chegarem vinguemo-nos!

E se tudo parece muito sem sentido temos sempre biliões e biliões de euros para gastar em álcool, tabacos, drogas várias, e vícios dos mais variados (na maioria sexuais, mais ou menos directamente) de forma a esquecermos as guerras e as nossas falta delas!

Enfim…

Como se costuma dizer: “A Vida escreve direito por linhas tortas”.

Se assim é, é porque tem de ser. E o que será logo se verá.

3 comments:

Mary wants a little Lamb said...

Muito pertinente. Faz-me reflectir, que é o que mais gosto no teu blog. Fico sempre a tentar chegar a algum lado, com os teus inputs.
Obrigada. E devo dizer que ontem estive a falar com uma amiga que precisa de 'auto-suficiência energética',e vim até aqui para lhe mostrar umas coisas. Ficou pelo menos, também ela, a pensar. As conclusões, essas têm que partir de nós próprios, para chegar ao Absoluto, como gosto de dizer.

Pedro Miguel de Moura said...

A questão da PAC parece-me bem vista qto à do petróleo parece-me fantasia. Está mais que visto que o acréscimo que as renováveis podem trazer não podem compensar o défice de energia (que não vem da produção e sim da procura de paíeses em desenvolvimento, especialmente a China). Também não percebi a proposta em relação aos exércitos: é cortar com 50% das forças que estão nos "Iraques" ou cortar com 50% dos exércitos?

Anonymous said...

Não sei até que pontoo petroleo é substituivel a curto prazo...já a longo não tempos outra hipotese....

Mas não proponho medidas radicais imediatas, e sim transições progressivas. Masi rápidas!

E as alternativas ao petroleo incluem muita coisa: até(e sobretudo) nuclear! E também não se faz tudo pelo lado da oferta de energias e sim pelo lado do consumo, mais...inteligente.

Curioso é que é o facto de o petroleo estar tao caro que esta a fazer resurgir o interesse (economico) pelas alternativas...

E se contabilizares os custos em exercitos, descontaminações, etc que o petroleo custa então ainda há mais rentabilidade nas ...outras!

Se se investigar, investir e apoiar mais essas outras elas tornam-se cada vez mais rentaveis...

E em igualdade de circunstancias a AITOSUFICIENCIA já fazia a balança pender a favor das que se possam produzir cá...

Quantos aos exercitos...melhor não dizer nada. Não quero entrar pela...disciplna militar!Poderes demasiado coercivos... rsrsrsr

António