1.8.06

Ser aventureiro!

A realidade é. Ou melhor: vai sendo.

Tudo muda sempre. Tudo muda para ficar exactamente na mesma. Mas muda!

Se alguém tenta não mudar…muda! Porque o seu entorno muda e ninguém é independente do seu contexto! Para estar integrado é preciso estar sempre a acompanhar as mudanças, mudando! Se não fazemos esse esforço evolutivo a vida descarta-nos rapidamente. Desintegra-nos. Primeiro dá-nos a solidão e depois a morte, que são a mesma coisa em fases diferentes.

Há que mudar, portanto.

Para manter o fluxo evolutivo o que é preciso é não criar obstáculos. E os obstáculos são sempre derivados dos medos. Medo do desconhecido, do diferente, do novo, medo da própria mudança!

Os medos paralisam e cristalizam. Os medos fecham-nos. Bloqueiam-nos nos nossos próprios paradigmas que se tornam nos nossos dogmas, que ao não evoluírem se tornam velhos e dispensáveis. Quando nos agarramos às pessoas ou aos nossos conhecimentos (muitas vezes meros preconceitos e superficialidades) e nos seguramos a eles desesperados para não cairmos, ao invés de fazer deles a luz que nos permite ver mais além, outras coisas, outros conhecimentos, estamos a bloquear a nossa própria evolução. Quando, para não ver outras coisas e suas possibilidades, criticamos, por insegurança, tudo o que seja diferente e novo e que não encaixe nos nossos esquemas, então o próprio mundo se afasta de nós.

É preciso manter um espírito aberto. Quase aventureiro.

Não é preciso fazer loucuras, saltar de cabeça, sem rede, em precipícios. Tentar os limites de forma radical, perigosa e até alienante, é um sacrifício que a vida cobra, mas não a todos.

Não é ser instável, nem muito menos trair. Não se trata de confundir e misturar tudo. Não se trata de nos perdermos e sim de nos encontrarmos. Como li algures: “Ao ter um maior conhecimento da diversidade do Universo, o Homem torna-se mais determinado e seguro das suas posições, já que tem noção do porquê de as escolher, bem como da razão pela qual não opta por outras (sendo que as conhece), assim é senhor do mundo que o rodeia, torna-se bem mais estável…não é ser indeciso, é saber decidir, não é ser incapacitado de escolher um lado, é ter a capacidade de saber se está no lado certo. Não é comer tudo, é saber o que se come (e o que não se come)…”

Basta estar curioso. Ser curioso da vida! Estar genuinamente interessado no devir. Interessado em ver e ouvir. Em descobrir. Ter confiança em si para deixar-se surpreender. Saber estar receptivo aos acasos que fazem a evolução. Cultivar o prazer de conhecer o que é diferente, quem é diferente. Perceber que estar integrado e estável no meio da instabilidade requer saber fluir com a instabilidade, ou ainda melhor, ser o seu criador. É preciso estar acessível a experimentar novas formas de estar. E arriscar, um pouco…

6 comments:

Anonymous said...

Olá, Tó.

Ainda e sempre, retiro um grande prazer de ler os teus textos. É engraçado ver como apesar da distância física, muitos dos temas que te preocupam são os mesmo que me ocorrem e sobre os quais reflicto.
Como sempre também, muito do que dizes está em sintonia com o que eu proprio penso. Pedia te so que me esclarecesses uma coisa, que não ficou clara para mim. O que queres dizer quando dizes que Tudo muda para ficar exactamente na mesma?
Se muda é forçosamente diferente concordarás. talvez seja uma variação maior ou menor em grau, mas como diz o outro... "O que foi não volta a ser"
Pressinto que haverá uma explicação filosófica para esta tua afirmação... Se bem que não perceba qual :)

Abraço,
Carlos Cidrais

P.S: Deviam inventar uma forma publica de manter dialogos filosoficos na net. Sim por que isto de deixar comments.... não é bem um dialogo... é mais uma adenda aos textos... E as tuas reflexões parecem me ser uma forma muito interessante de dialogo. No MSN ainda vai dando mas não é bem a mesma coisa. E se abrissemos um blog com varios contribuidores? Pessoas que gostam de filosofar...

sonia said...

Muito bom Mr Tony (como sempre... já começas a chatear de não escreveres também coisas beras, pra variar)

Em relação à realidade:
Sendo a (nossa) realidade a (nossa) verdade, a realidade é aquilo em que nós acreditamos... a minha "verdade eterna": "Tudo passa e nada permanece" (Heraclito)
No mundo dinâmico e evolutivo em que vivemos, tudo se transforma, num perpétuo movimento, e nós, só pelo facto de existirmos, estamos dentro desse processo de transformação. Imobilidade é inconcebível e é preciso mudar para permanecer vivo.

Em relação ao medo:
A nossa mais forte resistência interior é o medo (de mudar). O medo gera obstáculos e bloqueios, em oposição ao amor, que gera tudo o que seja construtivo e evolutivo.
O que se torna quase ridículo é que o medo provém da incerteza/ certeza do incerto! A única certeza que temos é que tudo é incerto e a de que tudo muda, a todo o instante!
Depois a nossa natureza como ser terráneo é a de querer controlar tudo, e tudo o que é novo e desconhecido não se "domina", não é dado como "certeza"! Mas se nada é certo... em que ficamos???

Somos o que queremos! Pior do que ter medo só mesmo não ter consciência destes bloqueios que nos limitam... lá se vai o dever cívico!

Mudar representa sempre um desafio, pois faz-nos "mexer" numa outra direcção, num processo de auto-conhecimento. A mudança seduz, é nova e é desconhecida. E está sempre associada à nossa maior liberdade: a de sermos o que queremos! Essa é a nossa maior liberdade e também o nosso maior poder... e também a maior Aventura... a de VIVER.... mas VIVER com letras bem grandes! Porra.. nós somos mesmo o que queremos!

Antonio said...

Xor Carlos...a explicação dessa minha frase que eu uso tanto ficará para um post especifico.

Quanto ao Blog de filosofices com vários contribuitores acho o´ptima ideia. Porqu enão lanças a cena?

Sonex Londix: é isso mesmo! Estamos em conectrix.

Joana said...

Eu arrisco!

sonia said...

Mr and Mrs Matos Matrix...

Did you take the red pill today?

memento mori said...

how deep do you want to go into the rabbit hole?

filosofices? oh tó pá...

a malta quer é vinho homem...

vinho e tabaco...

filosofices...ptui...

eh eh eh eh eh eh

sapere aude!