5.4.08

Nacionalismos: EUA, Brasil, Índia, China...



Nacionalismos

aqui deixei claro variadas vezes que nao sou nacionalista. Aliás, considero o nacionalismo uma doença. Uma religiao em relaçao à qual tenho pouca consideraçao, e a qual considero que ter cada vez menos sentido. Imagine-se alguém a matar e a morrer pelo nome de um país e sua bandeira! Dispenso…

Foi na Europa que os nacionalismos floresceram com mais intensidade. E é a Europa que lhes está a decretar a sentença de óbito. Os nacionalismos em nome dos quais nos matamos ferozmente até há poucas decadas é agora deixado de lado consciente e voluntáriamente em prol de alianças mais proveitosas. A Inglaterra, França e Alemanha sao aliadas. Milagre! A moeda é uma para quase toda a Europa e é forte. As fronteiras entre os países têm a mesma importancia que as fronteiras entre os distritos, concelhos e freguesias. O sistema juridico unifica-se cada vez mais. O comércio, indústria e serviços também. Perde-se muita coisa. Ganham-se muitas outras. Eu gosto.

Mas o que eu acho mesmo piada é observar os nacionalismos que neste momento se querem mais aguairrados. Nomeadamente o dos EUA, da Índia e do Brasil. E já agora o da China, o da Cataluña e o do País Basco…

Começando por estes últimos.
O Franco tentou uniformizar à força um país que era um conjunto de regioes que conviviam com alguma harmonia. ConsequÊncia? Algumas dessas regioes exaltam regionalismo e nacionalismos mais fortes, diferenciados e independentistas do que alguma vez existiram. É o nacionalismo dos ricos. Quem nao tem o que se preocupar encontra sempre alguma coisita para se entreter. Até inventam línguas…

Também é interessante observar o caso chinês. Por um lado a China é impiedosa e sem comtemplaçoes, como os Tibetanos sabem bem (desde há varios séculos que os chineses e Tibetanos andam nisto). Por outro lado demonstram verdadeira paciência e pragmatismos chinês com o Taiwan. Olhando para o que tem vindo a acontecer há que esperar que vao ter exito em unificar e fortalecer aquele nacionalismo para além do que alguma vez terá existido na história conhecida. É assustador!

Os EUA sao outra história. É o tipico país jovem, sem raízes, sem uniao de facto, que está dividido em mais de 50 Estados Federais, e sobretudo em etnias, cores, linguas, classes sociais, etc. E é precisamente por nao terem tradiçoes, raizes hsitóricas nem laços de uniao muito fortes que se tentam convencer que o têm! E acabaram por tê-lo: serao quase todos gordos ou anoréticos, plásticos, trabalhadores especializados, consumidores compulsivos de franchisisngs e supermalls, soldados feitos à pressao e extremamente bem pagos…

O mesmo se passa no Brasil, que aliás é cada vez mais americanizado em quase tudo. Menos na (falta de) organizaçao claro está. O Brasil nasceu de um cisma português. Eramos um enorme imperio em influência e território. O Rei nao soube lidar com uma crise interna, escapou-se e isolou-se em parte do território, precisamente a terra de Vera Cruz, e acabou por separar e autonomizar aquela parte do Império. Mas nao se pense que por isso o Brasil, que nasceu directamente do fracionar de Portugal, é uma grande uniao de carácter português. Nada disso. Excluindo a lingua e o cristianismo (e mesmo aí…) o Brasil é menos influênciado por portugueses que por italianos, alemaes, judeus de varias proveniencias, japoneses, africanos (ex-escravos), etc. E sobretudo pelos EUA claro. Só há uma cultura que é nitidamente menos importante no Brasil que a portuguesa, sao as antigas culturas aborigenes, dos varios indios, dos quais aliás sobram poucos… E no entanto, a pesar de serem um país com pouco mais de dois séculos e da enorme diversidade cultural, os brasileiros sao muito nacionalistas. Entre o desespero, a critica arrraigada, a compulsao a querer estar permanentemente a desfazer e refazer tudo em rebeldias teenager, e, sobretudo, com muita esperança, eles nao conseguem deixar de acreditar e criar esse nacionalismo. Até já vao no ponto do revisionismos histórico, dizendo que os portugueses foram terriveis invasores e colonizadores opressores dessa naçao antiga… Mas eles nao sao quase todos descendentes de portugueses e outros colonizadores? Pelo menos os estado unidenses celebram as curtas raízes que têm, nomeadamente as europeias. No Brasil, os descendentes de portugueses, italianos, alemaes e japoneses gostam de se achar continuadores e herdeiros dos indios que os avós deles ajudaram a exterminar! É Brasil, é só rir. E digo isto com fraternidade porque gosto mesmo do Brasil e de muitos brasileiros.

Há mais uma coisa que eu acho interessante no Brasil, e na Índia, onde se pode observar de uma forma muito visivel algo que também acontece em quase todo lado de uma forma menos explicita. É que aquelas misturas e confusoes todas criam situaçoes totalmente impossivéis de classificar dentro dos paardigmas classicos que os europeus inventaram. Por exemplo. O Brasil, entretanto moderno e americanizado, ainda mistura uma organizaçao estatal que herda estruturas implementadas por europeus há séculos atrás, com influências de estado centralista e intervencionista (de tendencias socialistas-fascista) importadas também Europa. Mas na practica o Estado funciona tao mal que nao tem metade da relevancia, nem para bem nem para mal, do que tem o Estado dos EUA, que querendo ser modelo de “capitalismo-liberal” acaba por ter muito mais intervençao real na economia e sociedade que o Estado brasileiro ou indiano. Leis intervencionistas sem regulamentaçao e aplicaçao practica nao servem de nada, e acaba-se por deixar tudo num suposto liberalismo em que na realidade manda a mao invisivel, a mao dos mais fortes sobre os mais fracos . Como em todo lado…


Mas o caso de nacionalismo mais engraçado de se observar é o da Índia. Índia que aliás é o mais novo de todos esses países. Nasceu já depois da segunda guerra mundial. Nasceu pela mao inglesa. Os ingleses desenharam a Índia e Pakistan actuais. Desenharam e criaram dois nacionalismos. Dois nacionalismos fanaticos e nucleares diga-se. Duplamente fanáticos: fanaticos do próprio nacionalismo e fanáticos de religioes que associam a esses nacionalimos. Uma dupla explosiva. Aliás, vendo bem as coisas os ingleses só fizeram foi merda e da grossa com estas questoes do ultramar. Foi na Índia e Pakistan tal como foi com os Palestinos e Judeus. Só com esse "pequeno" erro podem considerar-se grandes responsávéis pelos nacionalismos arabes actuais, que entre si juntam alguns dos casos mais repugnates de nacional radicalismo. E pensar que antes dos ingleses gerirem a queda do império de forma tao idiota nao passavam de umas pobres e perdidas tribos arabes que vaguevam pelo meio do deserto... Mas enfim, os ingleses estavam tontos há muito tempo. Talvez por isso também resolveram deflagrar a 2ª guerra mundial ao declarar guerra à Alemanha Nazi. E tudo com pompa e altivez, que aliás quiseram demonstrar que ainda têm aquando o episódio trágico-comédia chamado Malvinas. Se não fosse trágico seria cómico ver "nações" em guerra por rochedos desabitados, sejam eles simbólicos ou não. Bem sabem os irlandeses e escoceses que ingleses nao sao flor que se cheire. Só fazem merda! Os estado unidenses rápidamente se aperceberam que o melhor a fazer seria dar-lhes ordem de marcha! E alguns até eram conterraneos!

Pois bem: criaram a Índia. O que é a Índia? Ninguém sabe bem. É uma mistura total entre o velho e o novo, de tal forma mesclados que nao se sabe onde começa um e termina o outro. (mas claro que para neo nacionalistas tudo é antiquíssimo!). É uma mistura total de quase todas as religioes do mundo, cuja a grande parte delas nasceu lá. Quase todas menos o comunismo e nacionalismo que importaram e incorporaram sem dificuldades. Aliás se alguma coisa caracteriza a ïndia é a sua capacidade de importar e incorporar tudo e mais alguma coisa. E exportar também. Aliás, foi por causa da Índia que a globalizaçao começou, primeiro de lá para fora, depois para chegar lá. E agora de lá para fora e de fora para dentro… Será que neste mundo globalizado ainda faz sentido falar de dentro e fora?


Claro que os indianos (nacionalidade recentissima) sao altamente nacionalistas. Fervorosamente diria. E sim, eles diram que têm a cultura mais antiga e erudita da humanidade, muito embora eles a conheçam tao mal, e parte dela ter sido desenterrada por e para ocidentais…

Enfim…nacionalismo! Entre o rir e o chorar mais vale rir.

5 comments:

Cidrais said...

Oh Tó que texto fraco... vamos lá a ver algumas verdade históricas quanto á entrada do Reino Unido na segunda guerra mundial:
foi a Itália que declarou guerra ao Rein Unido e à Fraça. Apesar disso o Reino Unido não retaliou imediatamente; apenas quando a Luftwaffe alemâ começou a fazer vôos de reconhecimento sobre território inglês, preparando uma invasão ao atacar navios da Royal navy estacionados no Atlântico. Finalmente, quer a Itáliaquer a Alemanaha atacaram colónias britânicas, que depois a Inglaterra recuperou.
De resto dizer que um povo é responsável pelos desentendimentos entre povos que habitam nas ex-colónias, depois de as descolonizar... Que dizer de Portugal , quando tens guerra em angola e Moçambique já lá vão 30 anos?
Finalmente, desafio te a encontrares UM país na Europa mais multicultural que o Reino Unido de hoje em dia... E no entanto povo mais nacionalista e protector da sua identidade também será difícil encontrar...e vês isso nas coisas pequenas grandes e pequenas. Especialmente para quem vem de um páis como Portugal que muito gosta de se autoflagelar é refrescante estares num sítio aonde as pessoas não só dão valor á sua identidade nacional, quanto as instituições funcionam... o respeitinho é muito bonito...digo eu

António Matos said...

Caro amigo,

Confesso que quando escrevi a tirada sobre os ingleses pensei que te ia ferir esse novo orgulho. Foi uma provocaçãozita! rsrsrsr

De qualquer forma, devo dizer que eu até simpatizo bastante com a Grã-Bretanha, e desde logo com a Inglaterra ACTUAL, essa que se resume à sua pequenez insular. Tenho até um pouco de fascinio por ir conhecer directamente essa grande metropole hipercosmopolita chamada Londres.

Também não passou de uma provocação dizer que foram os ingleses os causadores da segunda guerra mundial. Mas acho que deves estar a ficar influênciado pelas tuas fontes históricas inglesas. Segundo sei os italianos ao inicio declaram-se neutros e só interviram depois. De facto foram ingleses e os Franceses (embora em França nao tivesse boas relações com os ingleses e uma grande parte da população partilha-se dos valores nazis) a declarar a guerra à Alemanha sem terem sido directamente atacados (depois os alemães invadiram os países baixos e a França), mas isso não os faz responsávéis pela guerra toda, que aliás já tinha começado na Ásia. Da mesma forma que não é culpa sua que os indianos e pakistaneses sejam fanaticos nacionalistas e religiosos, ou potencias nucleares. Mas foi a politica inglesa que desenhou dos paises divididos por religião. E há um grande problema actual que considero culpa directa da arrogancia e menosprezo dos ingleses: os problemas no médio oriente entre judeus e muçulmanos. E este poderia e deveria ter sido evitado.

Enfim, o desarticular dos impérios não costuma ser feito com muita lucidez, e o caso português é só mais um mau exemplo. E concordo que também os nossos pais e avós não são responsavéis pelas barbáries africanas...Há coisas que são como são e pronto. Muita gente morre no processo e a culpa morre com eles...

De qualquer forma só te fica bem defender a tua nova casa, que aliás continua a famosa "aliança luso-britânica", que por sinal parece ter sido bastante proveitosa para os ingleses...

Só não me parece fazer grande sentido exaltar o orgulho nacional inglês. Só se for orgulho de ainda serem ricos económica e culturalmente, o que já não é pouco. Porque de resto, de um imperio que governou mais de meio mundo, só restam muitos emigrantes e alguma extensão dos seus modelos de organização económica, entretanto aplicados sem nacionalismos por mega empresas de todo mundo. E no dia-a-dia, a ideia que tenho do inglês médio (existe tal coisa?) é que é feio, bruto, porco e de habitos pessoais e sociais repugnantes! rsrsrsrsr

Tenho de ir aí mudar de ideias...

Entretanto podes deixar-me uma ideia mais definida sobre o que é ser inglês? Eu não consigo nem definir o que é ser português!

Cidrais said...

Lol, andas esquecido das lições de história...ou será que não te lembras que Itália ( sim, esse país que dizes neutro...), Alemanha e Japão foram baptizados de "eixo". Quanto ás fontes históricas não são inglesas..podes vê-las em qualquer livro de qualquer nacionalidade que descreva os eventos da segunda guerra. Aonde com certeza lerias que a Inglaterra só entrou na guerra depois da Frnaça ser ocupada e submeter-se...assim como as forças inglesas neutras serem atacadas no Atlântico como já disse.
Se era provocação que se faça com fundamentos. Senão é como roubar tocha olímpica em Londres em pseudo protesto contra a ocupação do Tibete ( notícia do dia )..
Quanto a alianças desconheço e não é a propósito delas que me manifesto...é mesmo por alegria em estar num sítio aonde tudo é organizado, as organizações funcionam, as pessoas se respeitam e a revolta contra "estado " opressor não existe...mas acima de tudo e mais marcante, em relação a países latinosm é mesmo o respeito mútuo... Se isso não é educação não sei o que será. Quanto a ires cá fazes tu muito bem, duvido é que depois queiras daqui sair... a propósito vê o teu mail, tenho lá uma proposta para ti e para a Joana...

vero said...

Y entonces las Malvinas de que lado quedan? jaja
recuerda que no son solo una roca!!
si la verdad es que el nacionalismo es horrible.
bye

Constantino Xavier said...

Olá amigo, parabéns pelo texto, especialmente na parte em que analisa o nacionalismo indiano.
Um abraço, de Deli