8.9.05

União, integração e…EGO!

Uma reflexão sobre o Yôga, os Yôgins, e a vida em sociedade.

(Este autor desde já esclarece que o tom irónico e até jocoso de algumas partes em nada pretende retirar o valor ao Yôga ou aos Yôgins. Afinal, sou um deles! A brincar se dizem coisas sérias. E o que seria se não conseguíssemos rir de nós mesmos! Não se melindre.)

Yôga é uma filosofia de vida pratica (técnica) que visa levar ao … Yôga!

Yôga é um estado de consciência de…Yôga!

Yôga é União. União no sentido de integração. Integração no todo. Com tudo e todos, numa Unidade, sem princípios nem fins. Integração numa realidade que simplesmente…é!

Pois. Simplesmente é!

É.

E daí?

Continuando…

No estado de consciência de Yôga o ego dissolve-se na Unidade. A personalidade deixa de fazer sentido como algo separado e diferente de tudo o resto. Não mais há o eu, o ego, separado e isolado. As identidades dissolvem-se pois integram-se numa coisa só: o ser. Ser que existe em recriação permanente, numa mudança sem principio nem fim, que “simplesmente é”!

No estado de Yôga…

Ainda mais transcendente: o Yôgi identifica-se como sendo, não essa realidade, mas sim a consciência dessa realidade, e a observa. “Simplesmente a contempla”. A realidade é, na verdade, a própria consciência da realidade!

Que profundo! Que metafísico!

Nesse estado de consciência transcendente, o Yôgi liberta-se de todas as angústias do mundo egóico, fenoménico e efémero. Nomeadamente da solidão e da morte. Afinal, ele é tudo, é pleno e infinito! È a própria consciência do todo infinito! Ele simplesmente é. Existe.

Através de um mergulho em si mesmo, por aceder ao conhecimento (à consciência) do que é, o Yôgi realiza, em si mesmo, mais do que qualquer ideologia utópica alguma vez sonhou, definiu e realizou!

Que bonito! Que tentador!

Sim. Tudo isso é lindo. E real.

Isso é tão real como transcendente. Tão verdadeiro como intangível.

O que é tangível são os fenómenos, as mudanças, as diferenças, os nomes, as personalidades. Os egos.

O Ego

O Ego. A consciência egoísta.

Em sociedade, para os outros, sou o António Matos (um chato do pior!). A nossa real identidade (que “simplesmente é”) pode ser absolutamente livre, mas na realidade social a liberdade é limitada e condicionada pela LIBERDADE dos outros. Ou seja, pelo nosso PODER em relação ao dos outros.

O ego identifica-se como algo diferente e separado, o Eu. Aquele eu que identificamos como algo distinto, autónomo e individual. Que leva nomes próprios e tudo: António; Portugal; Toyota; orquídea; Microsoft; Benfica; etc…

Na vida em sociedade é o Ego que é reconhecido. Para os outros(egos) o que existe é o ego.

E o ego é…egoísta!

O ego vive apavorado com a sua efemeridade, a que chama morte. Atormentado por ser absolutamente descartável pela Vida que o comanda. Sempre atrás de prazeres que são tão limitados como o sofrimento é garantido. Pois a Vida é dinâmica, é mudança, é recriação. E a dinâmica estimula-se pela interacção de opostos. A Vida precisa que os egos se achem diferentes e que se antagonizem. Se combatam energicamente para sobreviver. A Vida vai-se alimentando dos egos para ela própria continuar a viver…E assim os egos alimentam e se alimentam dos dualismos dialécticos. E são tão mais vivos quanto maior for a energia libertada pelas suas fricções. Tudo acaba por se equilibrar todos naquilo a que chamamos evolução. E por maior que seja o esforço ele acaba sempre na grande dissolução a que chamamos morte.

É triste ser ego. Mas para o ego, ser ego é irresistível!

Ser ego é ser só parte. É ser contraditório, instável e efémero. È ser inacabado, condicionado, insatisfeito e dependente. É estar isolado. È não compreender e não ser compreendido. È procurar sempre encontrar-se mas não ter meta onde parar. E procurar sempre integrar-se e ser coerente e nunca o ser. É ansiar por aquilo que nunca é: completo, integro. É querer suplantar a sua própria condição e quando o consegue percebe que não havia nada a ser suplantado. É ser iludido. É ser a sua própria ilusão!

E é isso que nós todos somos uns para os outros, em sociedade.

1 comment:

Anonymous said...

Aos filhos do segredo:

Os que se dedicam a perpetuar segredos das 2 uma:ou não sabem do que falam e o segredo serve de capa à sua ignorância ou vontade de ter subditos obedientes ou o segredo serve para protegê-los de represálias caso fosse revelado.Ao longo da História vemos que estes últimos sempre se acompanharam de coragem filantrópica, para deixar sinais inequívocos do que realmente professavam.Mas ao continuarmos o estudo verificamos que a interpretação dos sinais a posteriori se torna tão desastroso como a mistificação intacta.Incontáveis conflitos se geraram sempre que a Humanidade começou a querer/precisar de segredos.
Podem dizer que enfio a cabeça na areia mas não é assim que me sinto.Na verdade parece-me que sou eu que elevo a cabeça para ver o que está mesmo à minha frente.Prefiro viver na ignorância dos "Grandes Segredos do Universo" que querem vender a vender-me para os adquirir, perder-me nas malhas do "caminho" para a Verdade.Mesmo o usando o "fraco" raciocínio de um homem comum me parece que o meu mundo ideal, aquele que idealizaria como o "Céu" está repleto das coisas que gosto de fazer aqui...e para as quais não há absolutamente segredo nenhum!E por aqui ficarei, para sempre se for preciso, ou pelo menos o tempo da minha curta vida, e não será uma vida desperdiçada.
Os secretistas...? A Verdade que os carregue!

E acho triste que amigos não possam falar honestamente o suficiente para não terem que ler textos copiados de outros textos copiados para saberem a opinião uns dos outros.

Palavra de Ignorante (Graças a Deus!)